O tecido leve do vestido amarelo-girassol de Inome esvoaçava sutilmente com a brisa noturna que entrava pela porta. A cor vibrante contrastava de forma belíssima com a pele negra dela, e o corte fluido era a escolha perfeita para um jantar a dois no clima tropical de Costa del Sol. O único problema era que a mente dela ainda não havia saído de casa.
— ...e a água do banho tem que ser morna, Vincent, não pode ser muito quente — Inome repassava as instruções pela terceira vez, os dedos apertando a alça da pequena bolsa. — O pijama favorito dela é o de Chocobo, está na segunda gaveta da cômoda. E ela não vai fechar os olhos de jeito nenhum se você não ler pelo menos um capítulo daquele livro de monstros marinhos. Se ela pedir leite, só um dedinho no copo, senão...
Vestindo apenas uma calça escura e uma camisa de algodão com as mangas dobradas, Vincent encostou o ombro no batente da porta. Ele cruzou os braços, soltando um suspiro curto e exibindo um sorriso contido.
— Inome, respire — Vincent pediu, a voz rouca soando mansa. — Eu garanto a você que consigo colocar uma garotinha de três anos para dormir sem causar um desastre. Você está se preocupando demais.
Sephiroth, impecável em um terno escuro de corte preciso que moldava a largura de seus ombros, deslizou a mão pelas costas de Inome, oferecendo um suporte silencioso e carinhoso. A ausência da gravata e a camisa sutilmente aberta no colarinho traziam o equilíbrio perfeito entre a elegância da peça e o clima litorâneo da noite.
— É a primeira vez de todos nós neste cenário, pai — Sephiroth pontuou, a palavra saindo de forma natural. — A apreensão de Inome é justificável diante das variáveis de deixar Kether sob os cuidados de outra pessoa. Mas... nós confiamos em você. Vai dar tudo certo.
Enquanto a negociação acontecia na porta de casa, o motivo de toda aquela preocupação continuava no próprio mundo. Na sala de estar, sentada com as pernas cruzadas no tapete felpudo, Kether estava debruçada sobre a mesinha de centro. Com a ponta da língua presa no canto da boca em um gesto de absoluta concentração, a garotinha rabiscava furiosamente com gizes de cera em uma folha de papel, desenhando montanhas, navios tortos e um grande "X", estruturando perfeitamente seus próximos planos piratas sem dar a menor atenção aos adultos.
Vincent sustentou o olhar preocupado da nora, a postura inabalável servindo como uma âncora para a ansiedade dela.
— A casa estará exatamente como vocês a deixaram quando voltarem, Inome — Vincent afirmou com a voz rouca e serena, transmitindo uma segurança incontestável. — Vão em paz e aproveitem a noite.
Sephiroth assentiu com um movimento contido e polido, ajeitando a postura no terno. Ele olhou para Vincent com um respeito profundo e silencioso.
— Agradeço, pai.
Inome finalmente soltou um suspiro rendido, ajeitando a alça da bolsa no ombro. Ela se inclinou um pouco para olhar a filha no tapete.
— Tchau, meu amor! Mamãe e papai já voltam! — Inome chamou, elevando o tom de voz para ser ouvida.
— Tchau, pequena — Sephiroth completou, a voz grave carregando aquele tom manso que reservava apenas para as duas.
Sem sequer levantar a cabeça ou parar o giz de cera que coloria a vela de um navio torto, Kether apenas ergueu uma das mãozinhas no ar e balançou os dedos de forma mecânica.
— Tchaaau... — a garotinha murmurou arrastado, completamente desinteressada na saída dos adultos e focada unicamente na rota do seu tesouro.
Vincent abriu um meio sorriso com a cena e empurrou a porta de madeira, fechando-a com um clique suave que isolou a casa.
Do lado de fora, a brisa quente da noite balançou a barra do vestido amarelo de Inome. Ela deu apenas dois passos pelo caminho de pedras do quintal antes de parar abruptamente. Girando nos calcanhares, Inome olhou para Sephiroth, a ruga de preocupação voltando a marcar o centro de sua testa em tempo recorde.
— Você acha que ela vai ficar bem sem a gente? — Inome questionou, a incerteza genuína de mãe transbordando na voz enquanto buscava o conforto lógico do marido.
Sephiroth soltou um riso baixo, a expressão polida cedendo espaço àquela suavidade que reservava unicamente a ela. Ele ergueu a mão, os dedos longos tocando o rosto de Inome enquanto o polegar acariciava a bochecha dela com uma delicadeza reverente e um sorriso tranquilizador.
— Ela ficará perfeitamente segura, Inome — ele garantiu, a voz grave soando mansa sob a brisa noturna. — Lembre-se de que meu pai cuidou dela e a protegeu desde quando ela era apenas uma recém-nascida. Ele jamais deixaria que algo saísse do controle.
Inome soltou o ar devagar, os ombros relaxando um pouco sob o toque do marido. Ela ergueu a própria mão, cobrindo a dele e acariciando o pulso de Sephiroth com o polegar, a expressão ainda marcada pela hesitação de mãe de primeira viagem.
— Eu sei que sim, não duvido do seu pai... — ela murmurou, dando um sorriso meio sem graça e olhando na direção da rua. — É só que... está sendo muito estranho sair sem a bebê. Parece que estou esquecendo um pedaço meu para trás, sabe? Dá até um aperto no peito.
O sorriso de Sephiroth ganhou um contorno ainda mais afetuoso e cúmplice. Ele deslizou a mão do rosto dela para envolver a cintura da esposa, puxando-a gentilmente para mais perto do seu corpo, encurtando a distância entre o terno escuro de corte preciso e o tecido leve do vestido amarelo.
— Esse instinto protetor é uma das suas qualidades mais admiráveis — Sephiroth ponderou, inclinando o rosto levemente na direção do dela, o tom grave ganhando um ar sedutor e acolhedor. — Mas nós também merecemos fugir das nossas responsabilidades, nem que seja por apenas algumas horas. Esta noite, somos apenas nós dois.
O som do clique da fechadura mal havia ecoado na sala quando Kether ergueu a cabeça da mesinha de centro. Com o giz de cera vermelho firmemente apertado na mão, ela apontou a ponta de cera diretamente para o avô.
— Vovô, você... é o meu marujo ajudante! — Kether decretou, com a autoridade inquestionável de uma pequena corsária. — E você tem que vigiar o mar de perto pra ver se não vem nenhum monstro afundar a gente!
Vincent descruzou os braços, entrando na brincadeira com um suspiro calmo.
— Entendido, Capitã. O convés está seguro e o horizonte está limpo. Quais são as ordens?
Kether abriu o maior sorriso do dia, sentindo-se a dona dos sete mares. Ela ficou de pé num pulo e colocou as duas mãozinhas na cintura, assumindo uma pose de liderança.
— Pra fazer o nosso navio aguentar a tempestade direito, a gente precisa de muito material forte. Eu quero todas as almofadas da casa! — ela anunciou, arregalando os olhinhos brilhantes para dar ênfase à urgência de sua demanda estrutural. — Todas mesmo! Até as almofadas grandonas e fofinhas que ficam lá na cama do quarto do papai e da mamãe! Pega logo, marujo!
Vincent, no entanto, não acatou a ordem de olhos fechados. Ele arqueou levemente uma das sobrancelhas, o olhar pragmático varrendo o ambiente antes de voltar para a neta.
— Precisamos mesmo disso tudo, Capitã? — ele questionou, a voz rouca carregando uma lógica irrefutável enquanto apontava para a própria sala. — Nós já temos o sofá inteiro à disposição. Podemos usar essas almofadas daqui, e ainda temos as mantas grossas que estão dobradas naquele cesto. É mais do que suficiente para segurar a tempestade.
Kether balançou a cabeça freneticamente, as mechinhas brancas chicoteando de um lado para o outro. O sorriso dela ganhou um contorno incrivelmente travesso.
— Mas o papai e a mamãe não tão em casa! — ela argumentou, usando a maior e mais perigosa brecha infantil já conhecida. — Se eles saíram, a gente pode pegar as coisas deles!
Vincent soltou um riso baixo e soprado, cruzando os braços de novo enquanto negava com a cabeça.
— Nem pensar, espertinha — Vincent retrucou, a voz rouca soando mansa e com aquele tom inconfundível de avô que não cai em armadilha. — Se a gente bagunçar a cama deles, a sua mãe acaba com a nossa raça quando voltar. E o seu pai não vai me ajudar a limpar a bagunça.
Ele descruzou os braços e apontou de leve para o corredor.
— Vou pegar os travesseiros e os cobertores do seu quarto e olhe lá. A porta do quarto deles vai ficar bem fechada.
Sem dar espaço para Kether tentar fazer bico ou insistir na invasão, Vincent girou nos calcanhares e seguiu pelo corredor, pronto para trazer apenas o carregamento seguro para montar o navio.
O restaurante ficava em um deque estendido sobre as águas calmas da baía de Costa del Sol. O ambiente era iluminado pelo brilho suave de pequenas velas no centro das mesas e lustres polidos de vidro pendurados sob a estrutura de madeira. Toalhas de linho impecavelmente brancas, taças de cristal reluzentes e o som baixo de um piano ao fundo compunham uma atmosfera de alta classe e exclusividade, muito distante da rotina habitual deles.
Acostumados com o passado de fogueiras no meio do gelo, cavernas úmidas e o aconchego bagunçado da própria casa, o excesso de requinte do lugar os deixava visivelmente tímidos. Sephiroth, mesmo perfeitamente alinhado em seu terno escuro, movia os ombros de forma contida, prestando atenção redobrada aos próprios movimentos, como se temesse quebrar alguma taça apenas por respirar perto dela. Inome, do outro lado da mesa redonda, olhava com uma disfarçada desconfiança para a quantidade desnecessária de talheres alinhados ao lado de seu prato, ajeitando o tecido amarelo do vestido com frequência e tentando parecer natural.
Eles finalmente conseguiram decifrar a escrita rebuscada do cardápio e fizeram os pedidos a um garçom engravatado, que anotou tudo com uma reverência silenciosa e polida antes de se retirar.
Assim que ficaram sozinhos novamente, Inome se inclinou sobre a mesa, apoiando os antebraços perto da pequena vela e diminuindo o tom de voz para um sussurro quase conspiratório.
— Seph... você tem certeza disso? — ela perguntou, os olhos escuros arregalados de forma expressiva. — Isso aqui não é muito caro? Só a descrição do prato que a gente pediu já parece custar o que a gente gasta no mercado o mês inteiro.
Sephiroth soltou um riso baixo, a rigidez de sua postura finalmente cedendo ao ouvir a franqueza da esposa. Ele esticou o braço sobre a toalha de linho, cobrindo as mãos dela com as suas e acariciando a pele macia com o polegar. O olhar do platinado transbordava uma tranquilidade absoluta e um carinho imenso.
— Não se preocupe com o valor, Inome — ele respondeu, a voz grave e mansa trazendo a segurança de sempre. — Eu planejei tudo com cuidado para o dia de hoje. Queria que tivéssemos uma noite perfeita, sem precisarmos pensar em contas, rotinas ou responsabilidades. Hoje é apenas para nós dois.
Inome deu um sorriso miúdo, ainda processando o peso daquele gesto, mas não conseguiu evitar a própria praticidade.
— Eu sei, mas... não precisava de tudo isso, Seph. Por mim, estaria tudo perfeitamente bem se a gente simplesmente fosse jantar na barraca da Lani de novo — ela comentou, relaxando um pouco mais os ombros. — A comida dela é perfeita, é o nosso ambiente, e a gente não precisaria ficar com medo de respirar muito forte e quebrar uma dessas taças.
Sephiroth balançou a cabeça em uma negativa suave. O polegar dele continuou o carinho calmo nas costas da mão dela, e o olhar felino focou diretamente nos olhos escuros da esposa.
— Nós passamos em frente ao Le Rivage há exatos dois meses, Inome — ele relembrou, a memória afiada trazendo o momento à tona com uma precisão impecável. — Estávamos voltando da feira no fim da tarde. Você parou no calçadão, olhou para os lustres deste deque e me disse que adoraria saber qual era a sensação de jantar aqui, pelo menos uma vez na vida.
Inome piscou, pega totalmente de surpresa pela riqueza de detalhes que ele havia guardado daquela tarde comum. Ela sentiu o rosto esquentar de imediato, a timidez tomando conta de suas feições enquanto um sorriso bobo e desarmado repuxava o canto de seus lábios. Ela abaixou o olhar para a toalha de linho por um segundo antes de voltar a encará-lo.
— Você presta atenção em absolutamente tudo que eu falo, né? — ela murmurou, a voz mansa transbordando afeto.
Sephiroth não desviou o olhar. O sorriso dele permaneceu ali, sereno, devoto e inabalável.
— Em cada palavra.
A conversa foi interrompida com a chegada do garçom. Ele depositou os pratos de porcelana finamente decorados sobre a mesa com uma reverência silenciosa, servindo o vinho antes de se afastar.
Inome olhou para a própria refeição e depois para os inúmeros talheres, sentindo uma repentina onda de vergonha. O medo de fazer alguma gafe, derrubar algo no linho branco ou mastigar alto demais no meio daquele salão silencioso a deixou travada. Ela segurou o garfo com hesitação, os ombros levemente encolhidos.
Sephiroth, por outro lado, lidava com a situação como se frequentasse lugares assim todos os dias. Com uma tranquilidade invejável, ele pegou os próprios talheres e, notando a paralisia da esposa, inclinou-se sutilmente para a frente. Com movimentos precisos, ele cortou um pedaço da carne no prato dela e ajeitou a guarnição, servindo-a com uma naturalidade que a fez respirar mais aliviada.
Inome observou o cuidado do marido, sentindo o coração acelerar. Ela olhou de relance para as outras mesas, onde casais vestidos com roupas de gala conversavam em sussurros.
— Seph... — ela chamou baixinho, ajeitando a alça do vestido amarelo. — Eu não sou muito brega pra estar num lugar como esse? Sinto que tô destoando de todo mundo aqui.
Ele parou o que estava fazendo. Sephiroth apoiou os talheres na borda do prato e ergueu o rosto. Os olhos felinos focaram nela, analisando cada detalhe do rosto inseguro da esposa, e a resposta veio sem um milésimo de segundo de hesitação.
— Você é a mulher mais elegante que eu já vi, Inome.
A firmeza e a sinceridade crua daquelas palavras a atingiram em cheio. Inome abriu um sorriso tímido, desviando o olhar para a taça de vinho enquanto o rosto esquentava, completamente desarmada.
— Você é muito suspeito pra falar... — ela murmurou, voltando a encará-lo com um brilho de admiração genuína. — Mas olha só pra você... Parece que você nasceu pra estar num lugar assim. Você simplesmente combina com qualquer ambiente.
Sephiroth soltou um riso breve e soprado. Ele não concordou, nem discordou da afirmação, preferindo deixar o elogio pairar no ar sem tentar justificá-lo. Ele ainda tinha o hábito de desviar o foco quando o assunto era a sua própria graciosidade mundana. Em vez de prolongar a atenção sobre si mesmo, ele inclinou levemente a cabeça na direção do prato dela.
— E então? — ele perguntou, o tom grave ganhando uma curiosidade genuína. — Você gosta desse tipo de carne?
Inome percebeu a fuga imediata dele. Ela conhecia cada nuance daquele homem; sabia exatamente como ele lidava com elogios diretos e o quanto ainda estava aprendendo a apenas aceitá-los. Sem forçar o assunto e respeitando o jeito dele, ela apenas abriu um sorriso afetuoso e transbordando de compreensão.
Esticando a mão sobre a toalha de linho branco, Inome acariciou as costas da mão dele com o polegar, um toque silencioso e ancorador que dizia tudo o que precisava.
— É simplesmente deliciosa — ela respondeu, finalmente pegando o garfo com mais confiança e levando à boca o pedaço que ele havia cortado. Ela fechou os olhos por um breve segundo para saborear. — Derrete na boca, Seph. O tempero é perfeito. Acho que, no fim das contas, eu poderia mesmo me acostumar com a gente tendo esse nosso lado chique de vez em quando.
Sephiroth a observou comer com aquela satisfação genuína, o sorriso sereno não deixando o seu rosto por um segundo sequer.
— Se formos transformar essas fugas em um hábito — ele começou, apoiando o braço na mesa com uma postura elegante e relaxada —, qual é o próximo lugar que você gostaria de ir?
Inome levou mais um pedaço da carne à boca, fechando os olhos brevemente para saborear. Ela mastigou devagar, engoliu e abriu um sorriso largo e desafiador para ele.
— Eu já escolhi o restaurante chique de hoje — ela rebateu, apoiando o queixo na mão livre enquanto o encarava com curiosidade. — E você? Qual é o lugar que você tem vontade de conhecer?
Sephiroth não respondeu de imediato. Ele cortou um pedaço da própria refeição, levou à boca e mastigou com calma, o olhar felino desviando levemente para as luzes do deque. O silêncio dele não era por falta de opções, mas porque, mesmo quando a escolha era sua, a vontade de priorizar os gostos da esposa e planejar algo que a faria sorrir falava muito mais alto.
Após alguns segundos, ele voltou a fitá-la.
— Ouvi dizer que terminaram a construção do grande teatro em Kalm, perto de onde os nossos amigos moram — ele revelou, a voz grave ganhando um contorno quase aveludado sob a luz das velas. — Eu gostaria de levá-la a uma das noites de gala de lá.
Inome piscou, surpresa com a escolha requintada e artística.
— Um teatro? — ela perguntou, o sorriso aumentando.
— Sim — Sephiroth confirmou, inclinando o rosto levemente na direção dela com uma devoção que faria qualquer um no salão prender a respiração. — Eu quero muito ter a chance de ver você brilhando naquele tipo de ambiente.
O elogio direto a pegou desprevenida mais uma vez. Inome abaixou a cabeça rapidamente, as bochechas coradas, e levou as mãos aos ombros para ajeitar as alças finas do vestido amarelo em um tique de pura timidez.
— Se é assim... vou ter que começar a olhar os tecidos para costurar um vestido de cetim novo para a ocasião — Inome comentou, um sorriso contido brincando nos lábios enquanto imaginava o brilho e o caimento elegante que o tecido daria. — Não posso ir de qualquer jeito.
Sephiroth abriu um sorriso largo e genuíno, claramente satisfeito com a empolgação da esposa.
— Esse é exatamente o objetivo — ele respondeu, a voz grave carregando o tom de quem já havia mapeado toda a temporada. Ele apoiou os antebraços sobre a mesa, entrelaçando os dedos longos com sutileza. — Inclusive, o calendário cultural está bem estruturado. O primeiro evento será a inauguração oficial do teatro, com a orquestra principal de Kalm.
Inome arregalou os olhos levemente, já calculando o tempo que teria para a costura, mas Sephiroth continuou, listando o itinerário com sua precisão habitual:
— Exatas duas semanas depois da inauguração, os salões superiores da Gold Saucer vão sediar um baile de gala beneficente. E, quinze dias após o baile, haverá a noite de encerramento da temporada com a apresentação de uma ópera clássica, novamente no teatro de Kalm. Temos opções e tempo suficientes para você usar o seu vestido.
Inome concordou com a cabeça, os olhos brilhando enquanto já mentalizava os moldes, os cortes e as medidas exatas na cabeça.
— Se é assim, eu também vou costurar um terno novo para você — ela decretou, animada com o projeto. — Um que combine perfeitamente com o meu vestido.
Sephiroth sorriu, aceitando a proposta de bom grado.
— Apenas garanta que seja de lã fria — ele pediu, mencionando seu tecido favorito, apreciando a leveza, a elegância e o conforto térmico que o material proporcionava.
Inome abriu um sorriso largo, encantada com a ideia de vesti-lo com algo feito pelas próprias mãos, já imaginando o quão impressionante ele ficaria na noite de inauguração.
Enquanto o casal planejava a temporada de galas com calma e sofisticação, a realidade na casa em Costa del Sol era de puro caos em alto-mar.
A "tempestade" finalmente havia atingido o convés do navio de almofadas e cobertores.
No meio da sala, Vincent segurava Kether no alto. Com uma facilidade absurda, o avô mantinha a garotinha suspensa no ar pelos braços, simulando o balanço violento de um navio voando por cima de ondas gigantes. Ele girava o corpo devagar, abaixando e erguendo a neta em movimentos longos que a faziam flutuar em segurança sobre a mesinha de centro e o sofá.
— Voa mais alto, vovô! O monstro gigante tá vindo pegar a gente pela perna! — Kether gritava, soltando gargalhadas gostosas e agudas que ecoavam pela casa inteira. Ela batia as perninhas no ar, com os olhinhos brilhantes arregalados de pura euforia. — Foge pra nuvem!
— Segure-se firme, Capitã. A manobra evasiva foi iniciada — Vincent respondeu, a voz rouca ganhando um tom surpreendentemente leve.
Ele deu um passo largo pelo tapete e a ergueu um pouco mais, simulando a subida brusca da embarcação para escapar dos tentáculos imaginários do monstro. Kether soltou um gritinho de alegria, abrindo os bracinhos como se estivesse cortando os ventos da tempestade.
A brisa fresca da baía de Costa del Sol envolvia Inome e Sephiroth enquanto caminhavam lado a lado pelo calçadão, logo do lado de fora do restaurante. As luzes suaves do deque ainda refletiam nas águas escuras, acompanhando os passos lentos e sem pressa do casal.
Inome caminhava com os ombros relaxados, aproveitando a tranquilidade do fim da noite. Ela virou o rosto para Sephiroth, exibindo um sorriso sincero e satisfeito.
— Estava tudo realmente muito gostoso — Inome comentou, o tom de voz manso e carregado de gratidão. — Obrigada por hoje, Seph. Foi maravilhoso.
Sephiroth abriu um sorriso calmo, os olhos felinos acompanhando a expressão leve da esposa. Ele deslizou o braço pela cintura dela, acomodando a mão com firmeza, e o polegar começou a acariciar a lateral do corpo de Inome de forma lenta e carinhosa, mantendo-a protegida e perto de si enquanto continuavam a caminhada sob o céu litorâneo.
Sephiroth diminuiu o passo até parar de caminhar completamente, fazendo com que Inome parasse de frente para ele. Sob a luz suave dos postes do calçadão, o olhar felino dele estava carregado de uma devoção silenciosa e absoluta.
— Eu é que agradeço por ter você ao meu lado, Inome — ele murmurou, a voz grave soando incrivelmente mansa, reservada apenas para ela. — Depois de tudo o que vivemos, a vida que construímos e a sua felicidade são as únicas coisas que realmente importam para mim. Ter o seu amor é o meu maior privilégio.
O sorriso de Inome se alargou, os olhos escuros brilhando com a sinceridade desarmante daquelas palavras. Ela ergueu a mão, espalmando-a com delicadeza sobre o peito dele, bem por cima do coração.
— Eu sinto exatamente o mesmo, Seph — ela respondeu, o tom de voz transbordando afeto. — A minha vida não seria completa sem você.
Sem pressa, Sephiroth soltou a cintura da esposa. Ele ergueu ambas as mãos e segurou o rosto de Inome com uma delicadeza reverente, os dedos longos acariciando a pele negra de suas bochechas. Inclinando o rosto, ele selou os lábios nos dela em um beijo calmo, profundo e carregado de carinho, isolando os dois do resto do mundo por alguns segundos.
O beijo terminou com uma lentidão preguiçosa, mas antes que Inome pudesse dar um único passo para retomar a caminhada, Sephiroth agiu. Em um movimento fluido e inesperado, ele passou um braço com firmeza pelas costas da esposa e o outro por baixo de seus joelhos. No segundo seguinte, Inome estava suspensa no ar, perfeitamente acomodada no colo dele.
Ela soltou um gritinho de surpresa, agarrando-se instintivamente aos ombros do terno escuro. O rosto esquentou de imediato, a timidez tomando conta de suas feições ao perceber que ainda estavam no calçadão iluminado da baía.
— Você já esteve em algum dos bangalôs de Costa del Sol? — Sephiroth perguntou, a voz grave carregando uma malícia contida e elegante, enquanto começava a caminhar com ela nos braços como se Inome não pesasse absolutamente nada.
Ela soltou uma risada genuína, o constrangimento misturado com a surpresa a deixando completamente desconsertada. Tentando esconder um pouco o rosto, Inome deu alguns tapinhas leves no ombro largo do marido.
— Seph! Ficou maluco? As pessoas vão olhar! — ela repreendeu entre risos, o rosto queimando de vergonha. — Esse vinho do restaurante deixou você muito animado, hein?
Sephiroth soltou um riso baixo, que reverberou contra o peito onde ela estava encostada, e não fez a menor menção de colocá-la no chão. Pelo contrário, ele apenas a apertou um pouco mais contra si, o olhar felino brilhando sob as luzes da rua com uma descontração rara.
— Nós temos que aproveitar a paz enquanto a temos, Inome — ele brincou, o tom aveludado e sedutor guiando os passos na direção das passarelas de madeira que levavam aos bangalôs luxuosos sobre a água. — Não é toda noite que temos uma folga irrestrita das nossas responsabilidades.
Inome parou de rir por um momento, a mente prática voltando a funcionar mesmo enquanto estava no colo dele.
— Mas Seph... esses bangalôs fechados sobre a água precisam ser alugados com muita antecedência — ela argumentou, olhando ao redor como se temesse que alguém os parasse no meio do caminho. — Estão sempre lotados, a gente não pode simplesmente chegar lá.
O sorriso dele se manteve inabalável. Sem afrouxar o braço que a segurava por baixo dos joelhos, Sephiroth usou a mão que apoiava as costas da esposa para alcançar o bolso interno do paletó. Com um movimento suave, ele ergueu uma pequena chave prateada, que brilhou refletindo as luzes do calçadão.
— Ele já está alugado — Sephiroth revelou, o tom grave carregado de uma antecipação calculada e charmosa.
Inome arregalou os olhos, o rosto esquentando a ponto de quase ferver ao perceber que ele havia orquestrado absolutamente cada detalhe daquela noite desde o início. Completamente desconsertada com a surpresa, ela afundou o rosto na curva do pescoço dele, dando mais uma série de tapinhas rápidos e envergonhados no ombro largo do terno.
— Você não tem jeito mesmo! — ela murmurou, a voz abafada pelo tecido escuro e transbordando timidez. — Planejou isso o tempo todo e me deixou achar que era só um jantar!
O som suave das ondas batendo contra os pilares de madeira preenchia o interior do bangalô. Sephiroth entrou no quarto espaçoso com Inome ainda em seus braços, empurrou a porta com o ombro e trancou-a com um clique firme, isolando-os completamente de qualquer movimento do lado de fora.
O ambiente era luxuoso e acolhedor, iluminado apenas por um abajur de luz quente. Caminhando com passos silenciosos até o centro do cômodo, Sephiroth inclinou o corpo e depositou a esposa com extrema delicadeza sobre os lençóis macios da cama ampla.
Ele não se afastou. Em vez disso, apoiou as mãos no colchão, uma de cada lado do corpo de Inome, prendendo-a ali de forma protetora e sutil. O olhar felino estava cravado no rosto dela, carregado de uma intensidade inegável e um charme sedutor sob a meia-luz.
— Faz tempo que eu não mando... não é? — Sephiroth murmurou, a voz grave e aveludada reverberando no espaço estreito entre os dois.
Inome soltou um suspiro longo, as tensões acumuladas da rotina finalmente abandonando seus ombros enquanto ela afundava no colchão. Ela ergueu os braços, escorregando as mãos pelo peito dele até segurar levemente as lapelas do terno, e abriu um sorriso aliviado.
— Sendo bem sincera... é até bom que você mande hoje — Inome confessou, a voz mansa refletindo o peso de quem finalmente podia desligar a mente. — Pode assumir o controle.
As mãos de Sephiroth, antes apoiadas no colchão, moveram-se com precisão. Ele segurou a lateral do corpo dela, os dedos longos apertando a cintura de Inome com uma firmeza possessiva, repuxando o tecido do vestido amarelo e ameaçando rasgá-lo ali mesmo, impulsionado pela intensidade do momento.
Inome ofegou baixinho, mas sorriu. Ela soltou as lapelas do paletó e segurou os pulsos do marido, travando o movimento antes que a força dele destruísse a costura. Sem quebrar o contato visual, ela deslizou as mãos dele pelo próprio corpo, guiando-as para baixo até encontrarem a barra da saia do vestido.
Enquanto deixava as mãos dele livres para subir pelo caminho da saia, Inome ergueu as suas novamente, alcançando os ombros largos de Sephiroth para empurrar o paletó escuro para trás e começar a despi-lo.
Aproveitando a proximidade imediata, Sephiroth abaixou o rosto. A respiração quente bateu contra o pescoço de Inome por um pentelhésimo de segundo antes dele cravar os dentes na pele sensível dela, uma mordida firme que mesclava desejo e um controle afiado.
— É uma honra receber uma ordem direta dessas — Sephiroth murmurou contra o pescoço dela, a voz grave vibrando diretamente na pele a cada palavra.
Assim que Inome terminou de empurrar o paletó e livrá-lo do restante das roupas da parte de cima, revelando a pele pálida e o peito largo, a paciência calculada de Sephiroth chegou ao fim. Em um movimento rápido e impetuoso, ele agarrou o tecido do vestido e o puxou com tudo, livrando o corpo dela da peça em um único puxão ríspido e preciso.
Antes que Inome pudesse sequer processar a brusquidão repentina, Sephiroth capturou os dois pulsos dela. Com a força avassaladora que lhe era natural, ele os ergueu e prendeu ambos firmemente contra o colchão, logo acima da cabeça da esposa, usando apenas uma de suas mãos largas para imobilizá-la por completo.
Totalmente rendida e gostando da vulnerabilidade daquele momento, Inome tombou a cabeça para trás, expondo ainda mais a pele. Sephiroth não perdeu um segundo, atacando a curvatura do pescoço dela com beijos quentes, úmidos e mordidas intensas. O toque dominante arrancou dela suspiros pesados e cheios de luxúria, o som ecoando pelo quarto silencioso do bangalô enquanto o peito dela subia e descia de forma acelerada.
Completamente inebriado pela resposta dela e pela visão que tinha sob si, Sephiroth usou a mão que ainda estava livre para alcançar o próprio cós. Sem interromper o caminho de beijos que trilhava pela pele sensível dela, ele abriu o fecho e, finalmente, desceu a própria calça escura, livrando-se da última barreira que restava entre os dois.
Sephiroth afrouxou o aperto, soltando os pulsos de Inome. No exato segundo em que seus braços ficaram livres, a mulher não hesitou. Suas mãos desceram rapidamente, agarrando as laterais do torso largo do platinado. As unhas dela cravaram na pele com força, arranhando-o em um misto de alívio e urgência enquanto ele tomava o corpo dela para si com um avanço firme e definitivo, unindo os dois por completo.Seu membro escorregando com facilidade para dentro dela. Selando num gemido abafado de ambos. Suas estocadas já começando sendo fortes e intensas como o habitual. A mesma correspondia com suas paredes apertando seu membro com força, em cada estocada.
Inome jogou a cabeça para trás, as costas arqueando no colchão macio enquanto um gemido alto, carregado de pura luxúria, escapava de seus lábios. O ritmo das estocadas que Sephiroth impôs logo em seguida era intenso e profundo, ditado por uma fome possessiva. A cada investida pesada, ela cravava ainda mais as unhas nas laterais dele, puxando-o contra si para não deixar um único milímetro de distância.
Respondendo ao toque febril da esposa, o homem desceu o rosto. A respiração quente e ofegante bateu contra a pele negra de Inome enquanto ele abandonava a linha do pescoço, descendo a trilha de beijos úmidos até a curva dos ombros dela. Os dentes de Sephiroth cravaram na carne macia, deixando mordidas firmes e possessivas que marcavam a pele e arrancavam arquejos curtos da mulher, isolando completamente os dois de qualquer outra coisa que existisse fora daquele bangalô.
O trajeto de volta do bangalô até a casa foi feito em passos lentos e repletos de olhares cúmplices. Quando finalmente pararam em frente à porta de entrada, a aparência impecável que ostentavam no início da noite havia desaparecido por completo.
Inome estava com o vestido amarelo visivelmente amassado e os cabelos rebeldes e bagunçados, refletindo perfeitamente a intensidade do que havia acontecido há poucos minutos. Sephiroth não estava muito diferente: o paletó escuro pendia de forma displicente em um dos braços e a camisa estava mal abotoada, revelando parte do peito e a total ausência daquela rigidez milimétrica de sempre.
Antes de girar a maçaneta, Inome se virou para ele. Ela ergueu as mãos e começou a ajeitar a roupa do marido, puxando as abas da camisa escura para tentar alinhar o tecido e fechar alguns botões, devolvendo o mínimo de compostura a ele. Observando o cuidado dela com um sorriso contido, Sephiroth ergueu a mão livre. Com extrema delicadeza, ele usou os dedos longos para pentear e ajeitar os fios bagunçados do cabelo da esposa, colocando-os atrás da orelha dela.
— Bom... acho que é hora de dar um oi para a Kether e o Vincent — ela sussurrou, respirando fundo e preparando-se mentalmente para o nível de caos que a "tempestade" poderia ter deixado na casa.
Sephiroth destrancou a porta com cuidado e empurrou a folha de madeira devagar, evitando qualquer rangido.
O cenário que encontraram os fez paralisar na entrada. A sala de estar havia sido transformada em um mar caótico de almofadas do sofá e cobertores que, em algum momento, devem ter formado um navio. Mas, no centro de toda aquela bagunça, largados diretamente no tapete do chão, Vincent e Kether dormiam profundamente. A garotinha estava esparramada de barriga para cima, com um dos bracinhos jogado folgadamente sobre o ombro do avô. Vincent, mesmo jogado no chão duro ao lado da mesinha de centro, ressonava de forma pesada, com uma das mãos descansando protetoramente sobre a barriga da neta.
Sephiroth observou a cena por alguns segundos e soltou um suspiro longo, denso e perfeitamente aliviado, encostando a porta atrás de si com um clique quase inaudível.
Ele virou o rosto para Inome, o olhar felino brilhando com uma malícia mansa e cansada sob a meia-luz do corredor.
— Vamos deixar os dois aí — ele sussurrou, a voz grave soando num tom quase conspiratório. — Estão muito bem acomodados. É melhor a gente subir e aproveitar o resto desse silêncio.
Inome concordou com um aceno silencioso e um sorriso contido. Para garantir que o plano de fuga não fosse descoberto, ela se abaixou com cuidado e soltou as tiras das sandálias de salto, tirando-as dos pés. Segurando os sapatos em uma das mãos e pisando descalça no chão, ela eliminou qualquer risco de fazer barulho na madeira.
Sephiroth a acompanhou com seus passos naturalmente silenciosos, mantendo a mão apoiada de forma leve na base das costas dela. Os dois contornaram o amontoado de almofadas, mantas e os dois tripulantes adormecidos no tapete com o máximo de cautela, cruzando a sala sem emitir um único som.
Quando finalmente alcançaram o pé da escada, prontos para subir, Sephiroth parou por um breve instante. Ele esticou o braço e apertou o interruptor na parede. A luz principal da sala se apagou com um clique suave, mergulhando o navio imaginário de Vincent e Kether na penumbra tranquila e silenciosa da madrugada.
Protegidos pela escuridão acolhedora da casa, Inome e Sephiroth subiram os degraus lado a lado, finalmente prontos para encerrar a noite perfeita que haviam construído.

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