A luz espessa e ofuscante que as envolvia começou a se dissipar lentamente, dando lugar a uma imensidão serena e acolhedora de tons esmeralda e dourado. Não havia mais frio, dor ou o peso do Mako corrompido. Apenas a paz absoluta do Lifestream.
Aerith e Lucrecia abriram os olhos quase ao mesmo tempo. Sem a urgência da batalha e livres dos traumas que marcaram suas vidas mortais, as duas se olharam e, instintivamente, envolveram-se em um abraço profundo e apertado. O alívio transbordava de ambas.
— Nós conseguimos... — Lucrecia sussurrou, a voz mansa e finalmente livre de qualquer culpa. — Deu tudo certo.
— Vocês voltaram! — uma voz animada e inconfundivelmente calorosa soou logo atrás delas.
As duas se separaram e viraram o rosto. Lá estava Zack Fair, com a Espada Buster repousada nas costas e aquele mesmo sorriso radiante de sempre. Ele deu um passo à frente, os olhos azuis cravados em Aerith.
— Você voltou, meu amor. — Zack completou, o olhar transbordando saudade e devoção.
Aerith retribuiu o sorriso, caminhando um passo na direção dele, mas mantendo a postura de quem havia cumprido a missão mais importante de sua existência.
— Eu jamais deixaria essa linha do tempo falhar — Aerith respondeu, a voz doce, mas repleta de uma força inabalável. — Era um dever.
Lucrecia observou a cena, sentindo uma leveza que seu espírito não experimentava há décadas. Ela olhou para a florista, os olhos escuros brilhando com uma gratidão genuína.
— Obrigada, Aerith... Obrigada por ter me incluído nesse dever — Lucrecia disse, levando a mão gentilmente ao próprio peito. — Agora eu entendo. Eu entendo todas aquelas dores que senti no coração. Era o Planeta clamando, e era a nossa conexão se formando para que pudéssemos salvá-los.
Zack segurou a mão de Aerith. Com um sorriso largo e familiar, ele olhou para as duas e disse:
— Vamos andando? Vocês duas têm muito a me contar.
Lucrecia e Aerith riram. Lado a lado com Zack, elas começaram a caminhar pela imensidão serena e dourada, até que suas silhuetas sumiram completamente no meio do Lifestream, encontrando enfim a paz definitiva.
Alguns meses depois do ocorrido, a vida já voltava aos trilhos. Longe das ruínas e do frio, eles escolheram recomeçar na pacífica e ensolarada cidade litorânea de Costa del Sol, um refúgio perfeito banhado pelo oceano e livre do caos do continente.
Na sala arejada da nova casa, Inome estava concentrada, montando uma carta à mão. Sentado ao lado dela no sofá, Sephiroth segurava Kether no colo. A bebê era o equilíbrio exato entre os dois: possuía a pele negra como a da mãe, os olhinhos amendoados e intensos carregados com o brilho de Mako, e os fios de cabelo lisos e completamente brancos como os de Sephiroth. Com as mãozinhas curtas e curiosas, Kether insistia em puxar as longas mechas do cabelo do pai, que apenas observava a filha com uma paciência inabalável.
No outro sofá, Vincent, agora vestindo roupas totalmente casuais e sem o peso do manto ou da garra de metal do passado, observava o que Inome estava escrevendo.
— Bom... se for pra chamar Angeal, Barret, Marlene, Elmyra, Cloud e Tifa, eu mesmo entrego — Vincent comentou, a voz rouca soando muito mais branda do que de costume.
Sephiroth balançou a cabeça em negativa, acomodando Kether melhor nos braços enquanto afastava gentilmente os dedos da filha de seus fios de cabelo.
— Não precisa se preocupar, pai — Sephiroth respondeu, a palavra saindo de forma natural e definitiva. — Chegar em carta é mais emocionante para os amigos.
Vincent cruzou os braços, relaxando a postura no sofá, e deu um riso breve e contido, algo raro de se ver.
— Acho que a Aerith gostaria que eu entregasse a carta nas mãos da mãe dela. — A voz dele soou suave, carregada de um respeito profundo e saudoso. — É o casamento de vocês.
Inome e Sephiroth se olharam em silêncio. Havia um peso emocional inegável naquela justificativa, uma forma de manter a memória da florista presente naquele momento de celebração. Com um aceno lento e compreensivo, Sephiroth por fim cedeu às vontades do pai, reconhecendo a importância e a honra daquele gesto.
Inome riu baixinho, o som preenchendo a sala iluminada, enquanto fechava com extremo cuidado mais um cartão. O convite era adornado com uma elegância simples e significativa: feito em um papel encorpado em tom de marfim, amarrado por uma fita de cetim fina e selado com cera prateada. Nas bordas, filigranas muito sutis em verde-esmeralda e pequenos desenhos de penas douradas enfeitavam a caligrafia cursiva, uma homenagem silenciosa à luz de Minerva e ao Lifestream.
Com um suspiro satisfeito, ela acomodou o envelope recém-fechado dentro de uma cestinha de palha artesanal, forrada com um tecido branco macio e decorada com laços discretos nas alças.
— Já que é assim, Vincent... Não vou lhe parar — Inome disse sorrindo, oferecendo a cesta para ele.
Vincent pegou a cesta com os convites e, antes de se virar para a porta, baixou o olhar para Kether. A bebê havia desistido de puxar os cabelos do pai e agora encarava o avô com os olhinhos de Mako brilhando de curiosidade. Um sorriso raro, genuíno e calmo quebrou as feições sempre sérias do atirador.
— Fiquem tranquilos por aqui — Vincent disse, o tom de voz suave e carregado de um afeto paternal. — Aproveitem o descanso e cuidem bem dela. A entrega fica por minha conta.
Sephiroth abaixou o rosto e depositou um beijo demorado e carinhoso na testa da filha. Transbordava uma devoção absoluta e pacífica.
— Ela é o nosso maior tesouro — Sephiroth murmurou, segurando a bebê contra o peito como se segurasse o próprio mundo.
O coração de Inome aqueceu com a cena. Em um gesto cheio de intimidade e leveza, ela esticou a mão e bagunçou de brincadeira os cabelos perfeitamente lisos de Sephiroth e, em seguida, fez o mesmo com os fios branquinhos de Kether, arrancando uma risadinha gostosa da bebê.
— Mas e aí, você sabe mesmo onde encontrar o pessoal? — Inome questionou, acomodando-se melhor no sofá e olhando para o sogro. — Sabe onde eles estão morando?
Vincent ajeitou a cesta no braço, assentindo com a cabeça de forma tranquila.
— Todos eles se mudaram para Kalm — Vincent respondeu com a memória afiada. — Angeal, Barret e Marlene estão instalados em uma casa, Cloud e Tifa conseguiram outra para eles por perto. E Elmyra está exatamente na mesma casa que a Tifa havia mencionado para nós... na época em que fomos visitá-la para entregar as condolências sobre o sacrifício de Aerith. Eu sei o caminho.
Inome concordou com a cabeça, acenando de forma suave para o sogro.
Vincent já estava prestes a sair, mas hesitou. O atirador simplesmente não se aguentou. Ele deu meia-volta, cruzou a sala novamente e, com uma delicadeza que contrastava totalmente com a frieza de seu passado, pegou Kether gentilmente do colo de Sephiroth.
A bebê resmungou um som fofo, agarrando o dedo do avô com as mãozinhas pequenas. Vincent abriu um sorriso carregado de um afeto profundo e incondicional enquanto se despedia dela. Ele olhou bem para o rostinho da neta, observando a forma como os olhinhos brilhantes o encaravam com tanta atenção.
— Eu vejo um pouco da Lucrecia nela... — Vincent murmurou, a voz embargada por uma saudade terna e reconfortante. Ele ergueu os olhos para o filho. — Nos olhinhos. São iguais aos seus, Sephiroth.
A menção ao nome da cientista trouxe um peso familiar e agridoce para a sala. Sephiroth e Inome trocaram um olhar e compartilharam um sorriso feliz, porém sutilmente marcado pela dor imutável da perda. O sacrifício de Lucrecia ainda era uma ferida aberta no peito de todos eles, mas ver o legado e o amor dela eternizados naquela criança trazia uma paz imensurável.
— Sim... — Sephiroth concordou em um sussurro reverente, tocando o braço de Inome enquanto olhava para o pai e para a filha. — Ela está aqui com a gente.
Duas semanas foram suficientes para que a viagem de ida e volta acontecesse, trazendo todos os convidados, e para que o cenário perfeito fosse erguido.
O local escolhido em Costa del Sol era um recanto reservado na ponta da praia, onde a areia branca e macia encontrava as águas cristalinas do oceano, completamente afastado da agitação turística. O fim de tarde banhava o horizonte com tons de laranja, dourado e violeta, criando um espetáculo natural. Um belíssimo arco de madeira rústica havia sido montado de frente para o mar, adornado com folhagens tropicais e lírios brancos — uma silenciosa e eterna homenagem à Aerith.
Sephiroth aguardava sob o arco, imponente e sereno. Ele trajava um terno preto perfeitamente alinhado, que contrastava de forma marcante com seus longos cabelos prateados, balançando levemente com a brisa morna do oceano. Os olhos felinos, antes marcados pela guerra e pelo sangue, agora refletiam apenas a paz absoluta daquele entardecer.
Logo ali na frente, ocupando as primeiras fileiras na areia, estavam os amigos. Tifa exibia um sorriso radiante enquanto segurava Kether no colo — a pequena usava um vestidinho branco com rendas e parecia hipnotizada pelo som das ondas. Ao lado da lutadora, Elmyra observava os lírios do arco com os olhos marejados, mas sustentando um sorriso sereno e profundo de gratidão. Cloud, Barret e Angeal vestiam trajes sociais de linho claro; Barret mantinha uma mão pesada e protetora no ombro de Marlene, que usava um vestido florido e tentava conter os pulinhos de ansiedade, enquanto o grandalhão disfarçava a própria emoção limpando a garganta a todo momento.
Então, uma melodia suave começou a tocar, anunciando a noiva.
Inome surgiu deslumbrante. Ela usava um vestido de noiva fluido e perfeito para o clima praiano, com um corpete delicadamente bordado em renda que valorizava sua silhueta, e uma saia leve, quase etérea, que esvoaçava a cada passo sobre o tapete de pétalas na areia. Seus cabelos estavam adornados com pequenas flores brancas, e o véu translúcido deixava à mostra o sorriso mais puro e aliviado que ela já dera na vida.
Ao seu lado, Vincent a conduzia. O atirador havia deixado suas roupas habituais para vestir um terno elegantíssimo em um tom de vermelho-carmesim escuro. Ele caminhava a passos firmes e orgulhosos, oferecendo o braço para que Inome se apoiasse, desempenhando o papel de pai com uma honra inabalável.
Os dois caminharam lentamente, o som do mar acompanhando cada passo, até alcançarem o arco onde Sephiroth os aguardava. Vincent parou, deu um sorriso discreto para a nora e entregou a mão de Inome para o filho.
Sephiroth e Inome seguraram as mãos um do outro, os dedos se entrelaçando de forma firme e segura sob o arco rústico. A brisa do mar brincava com a barra do vestido dela e com os cabelos dele, trazendo o som manso das ondas.
Inome respirou fundo, o sorriso transbordando gratidão, e virou-se para os poucos e preciosos convidados que os assistiam na areia.
— Estamos aqui reunidos para o nosso casamento... — ela começou, a voz preenchendo o silêncio respeitoso. O sorriso vacilou de leve, dando lugar a uma sinceridade quase bem-humorada. — Sei que poderíamos ter tido um padre ou coisa do tipo para conduzir a cerimônia... mas, para ser honesta, as pessoas ainda têm um certo medo de nós. Acho que não conseguiríamos encontrar alguém corajoso o suficiente.
Um riso contido espalhou-se pela primeira fileira. Cloud deu um sorriso de canto, e Barret soltou uma risada grave, concordando em silêncio.
Sephiroth ergueu a mão de Inome até os lábios, beijando os nós dos dedos dela antes de tomar a palavra. O timbre do guerreiro era grave, mas preenchido por uma suavidade que ele nunca demonstrara ao mundo exterior.
— E nós também não precisamos de mais ninguém — Sephiroth declarou, o olhar felino passeando por Angeal, Vincent, Elmyra, Tifa, Kether, Cloud, Barret e Marlene. — O mundo inteiro que nos importa está aqui nesta praia. O sangue que derramamos e os sacrifícios que fizemos foram para proteger exatamente o que vejo diante de mim hoje. A minha família. E os amigos que se tornaram a nossa âncora.
Ele olhou profundamente nos olhos de Inome, o amor transbordando em cada traço do seu rosto antes de devolver a vez a ela. A garota apertou a mão dele, os olhos escuros marejando levemente ao olhar para o arco adornado.
— Nós lutamos muito para chegar até aqui — Inome continuou, a voz embargada, mas forte. Ela olhou para Elmyra e para Vincent, o coração apertando em saudade e respeito. — O caminho foi brutal, e o preço que pagamos foi imenso. Mas se hoje estamos sob a luz deste fim de tarde, vivos e com a nossa filha nos braços, é porque tivemos dois anjos de guarda que nunca desistiram de nós. Aerith nos deu a luz... e Lucrecia nos deu a força. E eu sei, com todas as fibras do meu ser, que as duas estão aqui, sorrindo para nós agora mesmo.
E, de fato, estavam. Mesmo que a maioria ali não pudesse ver, duas figuras translúcidas e serenas assistiam à cerimônia a poucos metros do arco de lírios. Lucrecia tinha o rosto banhado por lágrimas silenciosas de pura felicidade, enquanto Aerith, visivelmente emocionada, mantinha as mãos unidas junto ao peito.
A florista encostou a cabeça levemente no ombro da cientista e sorriu, observando o casal no altar.
— Eles estão lindos, não acha? — Aerith comentou, a voz soando suave como a própria brisa do oceano. — Nós fizemos um bom trabalho, Lucrecia. Eles finalmente encontraram a paz.
No altar, alheio às figuras espectrais, Sephiroth deu continuidade ao discurso, sustentando o olhar escuro e brilhante de Inome.
— Você me trouxe de volta da escuridão e me deu uma razão para lutar pelo amanhã — ele declarou, o timbre grave carregado de uma certeza inabalável. — Inome, eu aceito você como minha esposa. Prometo amá-la e protegê-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida, até o fim dos meus dias.
Inome apertou as mãos dele, sentindo o coração bater descompassado no peito.
— E eu aceito você, Sephiroth, como meu marido. — Ela sorriu, deixando uma lágrima solitária e feliz escapar. — Prometo te amar e te respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, em todos os momentos, para sempre. Porque o meu lugar sempre foi e sempre será ao seu lado.
Sem precisarem de qualquer autoridade ou intermédio para selar aquele compromisso, Sephiroth puxou Inome delicadamente pela cintura, encurtando a distância entre eles.
Foi nesse exato momento, no instante em que os lábios dos dois se tocaram em um beijo profundo, apaixonado e carregado de promessas, que Vincent piscou e coçou os olhos rubros, sentindo uma mudança sutil no ar. A luz do entardecer pareceu hesitar por um milésimo de segundo. Quando o atirador focou a visão novamente, ele viu as duas figuras translúcidas banhadas pela luz dourada do pôr do sol.
O olhar de Vincent encontrou o de Lucrecia. A cientista não carregava mais nenhum traço de culpa ou dor; ela olhou no fundo dos olhos dele e sorriu, um sorriso de paz absoluta, de amor incondicional e de uma doce despedida.
O peito de Vincent apertou, mas, pela primeira vez em trinta anos, não doeu. Ele retribuiu com um sorriso discreto e genuíno. No segundo seguinte, como se fossem feitas da própria brisa do mar, as figuras luminosas de Lucrecia e Aerith se desfizeram no ar, evaporando em partículas brilhantes que subiram em direção ao céu.
Com a alma finalmente livre de seus próprios fantasmas, Vincent voltou a olhar para o altar, assistindo ao beijo sob o som das ondas e das palmas dos amigos, testemunhando o início do felizes para sempre de sua família.
O som das palmas quebrou a serenidade do entardecer na praia, transformando a brisa calma do oceano em uma verdadeira festa.
Marlene, não querendo perder nenhum detalhe da visão do altar, escalou agilmente os braços de Barret até se sentar firme sobre os ombros imensos do pai, rindo e batendo palmas animadas lá do alto. Ao lado deles, Angeal exibia um sorriso largo de puro orgulho; o veterano levou os dedos aos lábios e soltou um assobio alto e comemorativo que cruzou o som das ondas, celebrando a vida e a paz de Inome e Sephiroth.
Na areia, logo à frente, Tifa balançava Kether suavemente nos braços. A lutadora tinha o rosto iluminado de alegria e apontava delicadamente para o casal no altar.
— Olha lá seus papais! — Tifa falou com doçura, arrancando uma risadinha atenta da bebê, que tentava acompanhar o movimento e o barulho com os olhinhos brilhantes de alegria.
Ao lado dela, Cloud assistia a tudo em silêncio. Com as mãos nos bolsos do traje de linho, ele observava a interação de Tifa com a recém-nascida e contemplava a cena feliz de Inome e Sephiroth unidos. O rosto sempre tenso e distante do loiro agora sustentava um sorriso genuíno e relaxado.
Fechando o grupo, Elmyra aplaudia de forma emocionada, enxugando as lágrimas de alegria com um lenço, grata por testemunhar aquele recomeço. Vincent, já com a atenção totalmente voltada para o altar e com a alma finalmente leve, mantinha-se lado a lado com a família, batendo palmas em um ritmo sereno enquanto a celebração ganhava vida ao redor de todos eles
Ao longe, sentado em uma rocha isolada que oferecia uma visão privilegiada da praia, ele sorria. O vento do entardecer balançava as abas de seu casaco escarlate, mas sua postura, antes sempre tão teatral, obsessiva e tensa, agora estava completamente relaxada.
Genesis ergueu o exemplar surrado de Loveless. O livro que havia ditado sua loucura, seus delírios de degradação e cada um de seus passos durante anos parecia, de repente, apenas um peso morto. Sem nenhuma hesitação, ele o arremessou longe. O couro envelhecido girou no ar antes de afundar e desaparecer para sempre nas águas salgadas e cristalinas do oceano.
Limpando as mãos uma na outra com um suspiro profundo de absoluto alívio, ele voltou os olhos claros, lúcidos e calmos para a celebração que acontecia na areia.
— O último ato nunca precisou de um herói trágico ou de um poeta em ruínas... — Genesis murmurou para o vento, a voz firme, despida de qualquer metáfora doentia, enquanto observava Sephiroth e Inome cercados pela nova família. — Vocês escreveram um final muito melhor do que a lenda jamais conseguiria, meu amigo. Que o nosso amanhã seja vivido no mundo real.
Conforme a celebração e as risadas tomavam conta da areia, Sephiroth e Inome caminharam até Tifa. A lutadora sorriu abertamente e transferiu Kether com cuidado para os braços do pai.
Afastando-se alguns passos da agitação para encontrar um instante só deles na beira d'água, o casal parou de frente para o oceano. O sol já tocava a linha do horizonte, pintando as pequenas ondas com os últimos reflexos de ouro e violeta.
Sephiroth ajeitou a bebê no colo com uma firmeza e naturalidade que apagavam completamente qualquer sombra de seu passado de batalhas. Kether soltou um pequeno bocejo, piscando os grandes e curiosos olhos antes de aninhar a cabecinha no peito do guerreiro, segurando o tecido do paletó dele com as mãozinhas.
Inome sorriu, o olhar marejando de forma leve. Ela abraçou Sephiroth pela cintura, encostando o rosto no ombro dele enquanto a brisa fresca do anoitecer brincava com o tecido fluido do seu vestido de noiva e com as mechas prateadas do marido.
— Tanta guerra... — Sephiroth murmurou, a voz grave soando mansa sob o som constante do mar, enquanto usava o polegar para acariciar com extrema delicadeza a bochecha de Kether. — Eu passei a que o meu legado seria apenas cinzas e sangue. E agora...
Ele virou o rosto para Inome. O olhar felino, livre de qualquer fardo, transbordava uma paz absoluta que nenhuma magia do Planeta seria capaz de conjurar.
— Agora eu seguro o mundo inteiro nos meus braços.
Inome sentiu o peito transbordar. Ela ergueu a mão, acariciando o rosto do marido com devoção antes de descer os dedos para afagar os finos cabelos brancos da filha.
— Esse é o nosso mundo, Seph. O nosso amanhã. — Inome sussurrou. Ela ficou na ponta dos pés, deixando um beijo doce nos lábios dele e, em seguida, um beijo demorado na testa da recém-nascida. — A lenda acabou. Daqui pra frente, nós vamos apenas viver.
Sephiroth fechou os olhos por um breve segundo, absorvendo o calor de Inome e o peso de Kether. Ele envolveu as duas em um abraço unificado e inquebrável, enquanto o sol finalmente desaparecia nas águas de Costa del Sol, levando consigo todas as sombras do passado e selando, de uma vez por todas, o felizes para sempre.

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