terça-feira, 18 de agosto de 2026

Final Fantasy VII: Beyond Crisis - Além do final feliz.

 



Midgar não era mais a mesma distopia de aço, fumaça e desigualdade. Após o ataque em massa de Hojo e o colapso estrutural que se seguiu, a cidade precisou ser reinventada. A Shinra, com seus executivos mortos ou foragidos, ruiu de vez, perdendo todo o controle bélico e político que detinha sobre o mundo. Das cinzas do monopólio, surgiu a Fundação Neo-Gaia, uma coalizão de cientistas e ambientalistas dedicada a curar o planeta. Eles ainda utilizavam os reatores, mas sob uma nova diretriz: a extração do Lifestream foi reduzida a níveis estritamente sustentáveis, atuando apenas como força auxiliar enquanto o mundo transitava rapidamente para a energia eólica e solar. A cidade agora via a luz do sol todos os dias, e o céu não era mais uma placa de metal opressiva.
Sem um império corporativo para servir, os antigos cães de guarda da Shinra precisaram se adaptar. Tseng, Reno, Rude e Elena aposentaram a lealdade cega, mas não suas habilidades. O quarteto formou uma companhia independente de mercenários. Agora, eles aceitavam contratos de companhias menores e caravanas comerciais, oferecendo serviços de proteção, investigação e extração em áreas perigosas. Ainda vestiam seus ternos por puro hábito e estilo, mas trabalhavam sob suas próprias regras, finalmente donos de seus destinos.
Para Cloud, o fim da guerra trouxe uma batalha interna que ele precisou travar no silêncio de sua própria mente. Com a queda de Hojo e a purificação do planeta, o veneno estagnado em seu sangue finalmente cedeu, limpando sua mente das ilusões. Ao recuperar sua verdadeira sanidade, a memória real da morte de Zack o atingiu de forma cruel e devastadora. Cloud mergulhou em uma depressão silenciosa por um longo período, processando o luto que havia sido mascarado pela amnésia e pela confusão celular. Mas a escuridão não o engoliu. Durante o tempo em que passaram morando em Kalm, a presença constante e paciente de Tifa foi o seu maior pilar. Cloud começou a apreciar ainda mais a companhia dela, e os dois desenvolveram um amor muito maior e mais profundo a cada dia compartilhado. Ver Sephiroth e Inome trocando votos no altar, sobrevivendo a todo o inferno para construir uma família, foi o estopim de luz que ele precisava. Naquele dia, na areia de Costa del Sol, observando Tifa sorrir e celebrar a vida, Cloud percebeu que Zack não entregou a própria vida para que ele vivesse preso ao passado. Ali mesmo, ele decidiu que daria o próximo passo. Ele iria pedir Tifa em casamento.
Em Kalm, a vida encontrou um ritmo quente e caótico, mas profundamente acolhedor. Elmyra tornou-se uma presença constante na casa de Barret e Angeal. A mãe de Aerith encontrou em Marlene uma alegria pura e revigorante, passando os dias cuidando da garotinha e adorando a companhia e a dinâmica desastrada, porém afetuosa, dos dois gigantes que administravam a casa. Para sustentar a família e ajudar na reconstrução do continente, Barret e Angeal fundaram uma guilda de logística e escolta pesada. Com a força monstruosa de ambos, nenhuma rota comercial era perigosa demais, e eles garantiam que suprimentos e materiais de construção chegassem seguros às vilas que estavam se reerguendo.
Já Vincent escolheu não se prender a um único lugar. Com a alma apaziguada pelo sacrifício e pelo perdão de Lucrecia, o atirador abraçou o mundo de forma diferente. Ele se tornou um viajante solitário, percorrendo as regiões mais remotas de Gaia para rastrear e neutralizar focos de Mako corrompido e feras mutantes que haviam fugido do controle nos laboratórios da Shinra. Ele enviava cartas frequentes de diferentes cantos do continente e, sempre que o vento mudava ou a saudade batia, a silhueta de seu manto carmesim aparecia na porta da casa em Costa del Sol para visitar o filho, a neta e a nora.
E por falar em Costa del Sol, Kether crescia rodeada de afeto, mas a energia colossal que Hojo havia cobiçado ainda pulsava indomável em suas veias. Conforme dava seus primeiros passos e começava a interagir com o mundo, ela não sabia controlar seus próprios poderes, muitas vezes rachando pequenos objetos ao redor com facilidade. Foi Sephiroth quem assumiu o papel de seu porto seguro. Com uma paciência infinita e um amor inabalável, o guerreiro passava horas sentado com a filha na areia da praia, ensinando-a a respirar, a focar e a acalmar o brilho da própria força. Ele, que outrora tivera tanto poder nas mãos sem saber como usá-lo em paz, agora moldava com extrema ternura os dons da filha, garantindo que ela jamais precisasse ter medo de si mesma.
Se Sephiroth era a âncora que estabilizava a magia de Kether, Inome era a ponte que a conectava à humanidade. Ela dedicava seus dias à educação da filha, ensinando-lhe não apenas as letras e os números, mas como apreciar a beleza das coisas mais simples e mundanas — como o som das ondas recuando, o calor da areia sob os pés e a importância da empatia. Entre Inome e Sephiroth, a paixão forjada na urgência e no caos da guerra amadureceu para uma parceria profunda, silenciosa e serena. Muitas vezes, os dois dividiam madrugadas tranquilas na varanda de casa, com Inome recostada no peito de Sephiroth enquanto viam o mundo dormir. Ele havia encontrado no amor e na persistência dela a sua tão sonhada redenção, e Inome encontrou no abraço dele a certeza definitiva de que todas as dores e cicatrizes do passado haviam valido a pena.
No entanto, o maior segredo daqueles anos de silêncio pertencia a Genesis. Ele nunca morreu nas chamas do reator de Nibelheim. No momento em que sua alma estava prestes a ceder e abandonar seu corpo despedaçado, ele sentiu uma força acalorada, carinhosa e imensa empurrá-lo de volta à vida, impedindo-o de se juntar ao Lifestream. O poeta em ruínas sobreviveu, mas passou os últimos quatro anos recluso nas sombras, escondido do mundo enquanto seu corpo e suas células lentamente purgavam a degradação e retornavam à forma humana normal. Durante todo esse tempo, Genesis acompanhou o paradeiro de seus antigos companheiros através de notícias e rumores, paralisado por uma vergonha esmagadora de tudo o que havia feito.
Mas a lenda escrita no passado já não importava mais. A imagem de Sephiroth e Inome no altar, celebrando o impossível, quebrou a última barreira de seu orgulho. Alguns dias após a cerimônia, caminhando pelas ruas tranquilas de Costa del Sol com as mãos nos bolsos de seu casaco escarlate, Genesis parou diante da casa do casal. Ele respirou fundo, fechou os olhos por um instante e, finalmente, esticou o braço para tocar a campainha. Era hora de pedir perdão e, quem sabe, aprender a viver no mundo real.


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