No Setor 5, sob a luz artificial que filtrava através das placas metálicas superiores, Tifa caminhava apressada pelas ruas das favelas. O motivo era urgente: ela estava atrás de pistas sobre o paradeiro de um grupo dissidente que, segundo boatos locais, tinha informações cruciais sobre as movimentações recentes da Shinra na área — algo que poderia ajudar a entender o que estava acontecendo com Cloud e seu estado mental cada vez mais errático. Ela precisava confirmar se aquele grupo realmente existia ou se era apenas mais uma história inventada pelos moradores das favelas.
Conforme ela virava uma esquina estreita, distraída e revisando mentalmente as rotas que ainda precisava checar, seu ombro colidiu com alguém que vinha na direção oposta. O impacto foi leve, mas o suficiente para tirar Tifa de seus devaneios.
A mulher à sua frente deu um riso gentil, estendendo a mão para ajeitar os ombros de Tifa, como se quisesse garantir que ela não tivesse se desequilibrado.
— Desculpa! Te machuquei? — Aerith disse, a voz melodiosa e os olhos brilhantes fitando Tifa com uma preocupação genuína.
— Ahm... Não! Fique tranquila! Eu que fui estabanada e não te vi. Me desculpe — Tifa respondeu rapidamente, tentando recompor a postura. Mesmo pedindo desculpas, seu foco ainda estava dividido; seus olhos voltavam instintivamente para o beco escuro logo atrás de Aerith, por onde ela acreditava ter visto os contatos que procurava desaparecerem segundos antes da colisão.
Aerith seguiu o olhar de Tifa, inclinando a cabeça levemente para o lado com uma curiosidade clara, colocando-se propositalmente no campo de visão da outra mulher. O sorriso que ela exibia era sincero, carregado de uma doçura quase desarmante, algo que parecia não combinar com a tensão constante daquele setor de Midgar.
— O que procura? — Aerith perguntou, a voz tranquila, como se aquela interrupção no meio do caminho fosse a coisa mais natural do mundo. — Posso te ajudar com alguma coisa?
Tifa sentiu um leve desconforto com a insistência da estranha. Ela balançou a cabeça rapidamente, forçando um sorriso educado, embora estivesse louca para se desvencilhar da conversa e voltar a rastrear os homens que tinha visto.
— Ah, não é nada... — Tifa respondeu, mantendo a voz firme e evasiva. — Sério, não se preocupe. Eu só... perdi a noção do tempo enquanto caminhava. Obrigada mesmo assim.
Ela tentou desviar para o lado, querendo contornar a florista para retomar seu caminho pelo beco, mas sentiu que a energia ao redor de Aerith era estranhamente magnética, como se a mulher não estivesse disposta a deixar a conversa morrer tão fácil.
Sem dizer mais nada, ela disparou em direção ao beco. À frente, os vultos que perseguia vestiam uniformes de milicianos do Setor 5, exatamente o padrão que os moradores haviam descrito como a marca daquela facção local que guardava os registros — os chamados Sentinelas do Submundo — que operavam com uma rede clandestina de informações.
Ela sentiu o impacto de seus próprios passos no solo irregular da favela, mas o som de mais alguém correndo logo atrás dela a pegou de surpresa. O som de passos leves e constantes não deixava dúvidas: a florista estava na sua cola.
— É perigoso, para nós mulheres, andarmos sozinhas por aqui! — Aerith exclamou, a voz soando surpreendentemente firme, apesar do esforço físico. — Eu vou lhe acompanhar!
Tifa inspirou profundamente, sentindo o ar viciado das favelas arder em seus pulmões. Ela fechou os olhos por um breve segundo, cerrando os punhos com tanta força que as articulações dos dedos estalaram. Droga, uma civil intrometida agora?, ela pensou, frustrada pela falta de discrição da moça. Mesmo assim, não parou de correr, dobrando a esquina e mantendo a distância dos homens, enquanto Aerith, com uma determinação que Tifa não conseguia explicar, permanecia logo atrás, recusando-se a ser deixada para trás.
Tifa parou abruptamente, os pulmões em brasa, e lançou um olhar de pura incredulidade para o lado. Lá estava a florista, mantendo o fôlego e o sorriso sereno, como se tivesse acabado de dar uma caminhada matinal em vez de uma perseguição frenética pelos becos. A irritação de Tifa era palpável, mas ao ver a expressão genuinamente prestativa de Aerith, a faísca de raiva perdeu força. Ela soltou um suspiro longo e exausto, baixando a guarda enquanto apoiava as mãos na cintura.
— Quem eu procurava... sumiu — Tifa murmurou, frustrada ao encarar a rua agora vazia. O grupo de quatro homens simplesmente evaporara, como se o cenário do Setor 5 os tivesse engolido.
Aerith, ignorando a rispidez óbvia, não se deixou abalar. Ela se aproximou, a curiosidade brilhando em seus olhos verdes, mas sem aquele peso invasivo que Tifa esperava de estranhos.
— Quem eram eles? — Aerith perguntou, mantendo aquela doçura peculiar que tornava difícil negar qualquer coisa.
Tifa hesitou por um momento, encarando o rosto da moça. Havia algo na tranquilidade de Aerith que a deixava inquieta, mas, por algum motivo, ela sentiu que não valia a pena mentir.
— Os Sentinelas do Submundo... — Tifa baixou o tom de voz, olhando ao redor para garantir que ninguém mais ouvia. — Eles têm... hm... informações essenciais. Sobre a Shinra. Sobre o que está acontecendo aqui embaixo.
Aerith sorriu de uma forma que não parecia apenas amigável; era como se ela estivesse encaixando peças de um quebra-cabeça que só ela via.
— Shinra... ah, Shinra! — Aerith repetiu, o nome soando amargo, mas sua atenção permanecia hipnoticamente focada em Tifa. — Eles te fizeram mal? Você busca alguma vingança?
Tifa sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A pergunta tocou em uma ferida aberta, trazendo à tona a memória visceral de Nibelheim: o cheiro de ozônio, o pânico e a figura daquela criatura monstruosa — Genesis — que a atacou. O medo que ela sentiu naquela época ainda era uma cicatriz que ela carregava. Tifa balançou a cabeça rapidamente, tentando expulsar o fantasma daquele dia.
— Não... não é nada disso — ela respondeu, a voz saindo um pouco mais tensa do que pretendia. — É só para um amigo meu.
— Amigo? — Aerith insistiu, dando um passo mais perto. O tom dela tinha uma cadência estranha, quase como se ela estivesse tateando no escuro, mas acertando pontos cegos da vida de Tifa. — Ele foi pego pela Shinra?
Aquela intuição certeira de Aerith era desconcertante. Era intrigante, quase como se ela soubesse algo que nem Tifa conseguia verbalizar com clareza.
— Não! — Tifa cortou, um pouco mais ríspida desta vez. Ela desviou o olhar, encarando um cano de vapor que sibilava logo acima deles para evitar os olhos penetrantes da florista. — Mas ele queria informações sobre eles. Só isso. Vamos deixar esse assunto de lado, por favor?
Aerith sorriu de volta, sem se ofender com a recusa de Tifa em continuar a conversa. Com um movimento suave e gracioso, ela retirou uma flor amarela e radiante de sua cesta e estendeu para a lutadora.
— Certo! Leve isto com você. É um presente — Aerith disse, seu sorriso carregado de uma gentileza que parecia deslocada no meio daquela sujeira e desespero do Setor 5.
Tifa segurou a flor, ponderando a delicadeza daquela vida frágil em suas mãos calejadas. O contraste entre a beleza da planta e o ambiente ao redor era quase chocante.
— É bem bonita — Tifa admitiu, olhando para as pétalas com uma curiosidade genuína. — Você pega onde? Não lembro de ter visto nada que crescesse assim por aqui, com todo esse concreto.
Aerith deu uma risadinha leve, apontando para uma direção que atravessava as ruínas da favela, rumo à velha estrutura abandonada da igreja.
— Eu cuido de um pequeno jardim escondido nos fundos da antiga igreja do setor. É o único lugar onde o solo ainda aceita que algo cresça sem ser sufocado pelo metal — ela explicou com um brilho nostálgico no olhar. — Moro lá perto, então passo boa parte do meu tempo cultivando o que consigo. Se quiser ver mais, será sempre bem-vinda.
Tifa sorriu, sentindo a tensão inicial finalmente dissipar-se diante daquela hospitalidade inesperada. Ela retribuiu o gesto com um aceno de cabeça afirmativo.
— Obrigada! De verdade. E olha, se você precisar de algo para comer, ou só de um lugar tranquilo para descansar um pouco, eu trabalho no Sétimo Céu. Fica ali no Setor 7. Apareça quando quiser.
Aerith sorriu abertamente, juntando as mãos em frente ao peito em um gesto de genuína empolgação.
— Que maravilha! Deve ter muita coisa gostosa por lá. Obrigada pela indicação, com certeza vou visitar um dia desses. — Ela fez uma pequena pausa, inclinando o corpo levemente para a frente. — Ah, que falta de educação a minha... como é seu nome?!
— Tifa — ela respondeu, estendendo a mão para um cumprimento formal, sentindo-se estranhamente à vontade com aquela estranha.
— Aerith! — Ela respondeu prontamente, apertando a mão de Tifa com um entusiasmo contagiante.
O caminho de volta para o Sétimo Céu pareceu estranhamente curto. A frustração por ter perdido os rastros dos Sentinelas do Submundo, que há pouco tempo teria a consumido, parecia ter sido filtrada por algo que ela ainda não conseguia explicar. Uma calmaria rara, quase como um eco de um alívio que não lhe pertencia, instalou-se em seu peito — um estado de espírito que ela não experimentava desde que Cloud surgira em sua vida, trazendo o caos consigo. Com a flor amarela protegida entre os dedos, Tifa sentiu como se tivesse carregado um pedaço de ar puro daquele beco para o interior da favela sufocante.
Tifa empurrou a porta de metal do Sétimo Céu, o tilintar dos sinos anunciando sua chegada. O bar estava iluminado pelas lâmpadas de sempre, e Angeal estava atrás da bancada, concentrado enquanto cortava alguns vegetais para o almoço. Cloud estava sentado no sofá, com aquela postura rígida de costume, os olhos perdidos em algum ponto no vazio.
Tifa empurrou a porta de metal do Sétimo Céu, o tilintar dos sinos anunciando sua chegada. O bar estava iluminado pelas lâmpadas de sempre, e Angeal estava atrás da bancada, concentrado enquanto cortava alguns vegetais para o almoço. Cloud estava sentado no sofá, com aquela postura rígida de costume, os olhos perdidos em algum ponto no vazio.
Assim que Tifa cruzou o umbral, o olhar de Cloud desviou-se do nada e se fixou, não nela, mas no brilho intenso das pétalas que ela trazia na mão.
Ele levantou-se de supetão, os olhos arregalados, fixos na flor como se ela fosse um objeto totalmente fora de lugar naquele bar.
— Onde... onde você pegou isso, Tifa?! — a voz dele saiu áspera, com um tremor que fez até Angeal parar a faca no ar, olhando para os dois com curiosidade.
Tifa aproximou-se rapidamente, envolvendo-o em um abraço firme e levando-o, quase por impulso, de volta para o sofá. Ele cedeu ao movimento, sentando-se novamente enquanto ela mantinha os braços ao redor dele, tentando estabilizá-lo.
— Cloud! — ela disse com cuidado. — Calma! — Ela sorriu, tentando trazer leveza ao momento. — Ganhei de uma moça, lá no Setor 5.
Cloud suspirou, o corpo ainda um pouco tenso, mas seus olhos agora voltavam-se para a flor com uma atenção que beirava a reverência.
— Qual era... o nome dela...? — ele perguntou, com a voz baixa e curiosa, como se aquele flor tivesse algum significado que ele não conseguia explicar.
Tifa se sentou ao lado dele no sofá, mantendo uma mão sobre o ombro de Cloud para garantir que ele permanecesse calmo. Angeal, percebendo o clima mudar, deslocou a tábua de cortar legumes para a borda da bancada, continuando seu trabalho ali, mas agora de frente para os dois, observando a interação com um olhar atento e silencioso.
— Aerith. Ela mora por lá — Tifa respondeu, observando Cloud com uma ponta de preocupação. Ela estendeu a mão e colocou a flor sobre as mãos dele, sem entender o motivo de uma simples planta causar uma reação tão visceral nele naquele momento.
Cloud segurou a flor com cuidado, quase como se temesse que ela se desintegrasse ao toque. Seus olhos percorriam cada pétala, como se buscasse uma confirmação.
— Aerith... Ela te deu isso? A Aerith? — ele repetiu o nome, saboreando as sílabas como se tentasse puxar uma memória do fundo de um poço. Ele parecia processar a informação em camadas, a expressão oscilando entre o choque e uma clareza súbita. — Então ela está aqui... Ela é a única que conhece essas flores...
— É... sim? — Tifa confirmou, tentando compreender o que aquilo tudo significava. — Você conhece ela...?
Angeal, por outro lado, lançou um olhar cortante na direção de Tifa e levou o indicador aos lábios, fazendo um sinal de "shhh". Ele claramente queria que ela parasse de insistir, temendo que aquilo desestabilizasse ainda mais o rapaz. Mas, ao notar o gesto de Angeal, Tifa percebeu que já era tarde demais; sua atenção já estava totalmente voltada para Cloud.
— Sim... — Cloud respondeu, fechando os olhos enquanto lágrimas solitárias escorriam pelo seu rosto. — É bom saber que ela está bem... Ela lembra de mim? — Ele perguntou, a voz falhando em uma esperança latente.
Tifa soltou um sorriso de canto, sem saber se ficava aliviada ou mais confusa com aquela conexão.
— A gente nem falou sobre você, Cloud — ela respondeu com suavidade, enquanto observava a postura dele, que parecia ter perdido toda a rigidez de minutos atrás.
Angeal caminhou até os dois com uma bandeja, onde repousavam três copos gelados de smoothie de morango e mel. Ele depositou a bandeja sobre a mesa de centro, com um movimento preciso e controlado.
— Ei! Que tal nos alimentarmos? O almoço vai demorar um pouco ainda e vocês dois precisam disso — ele disse, com aquele tom de voz firme e paternal que costumava usar quando as tensões no bar subiam demais.
Cloud sorriu fraco, um gesto raro que ainda carregava o peso da emoção de segundos atrás, e pegou o copo, tomando um gole longo. Tifa, percebendo que Angeal estava tentando quebrar a atmosfera pesada e mudar o foco, deu de ombros e pegou o seu próprio copo, permitindo que a doçura da bebida ajudasse a acalmar o nó que ainda restava em sua garganta.
Tal qual uma criança pedindo permissão, Cloud olhou para Angeal, com os olhos carregados de uma expectativa palpável.
— Eu ainda estou proibido de sair... ou você permite que eu vá lá falar com ela amanhã? — ele perguntou, a voz contida, quase receoso com a resposta que viria.
Angeal tomou um gole vagaroso de sua bebida, o olhar alternando entre o rapaz e Tifa, avaliando a situação com a cautela de quem zelava por aquele grupo.
— Hm... Ó, sozinho você não vai de jeito nenhum. Ainda está se recuperando e não é hora para se enfiar em confusão nos setores — Angeal ponderou, fazendo uma pausa dramática antes de completar com um meio sorriso. — Mas, se a Tifa for junto... acho que posso abrir essa exceção.
Ele deu um sorriso brincalhão e desafiador para Tifa, um daqueles olhares cúmplices que só quem conviveu intensamente durante todos esses quatro anos poderia entender.
Tifa fez uma careta, revirando os olhos para a "armadilha" de Angeal, mas não pôde negar a importância que aquele encontro tinha para Cloud. Ela suspirou, derrotada pela teimosia dele, e concordou com a cabeça.
— Eu posso ir com você, sim — ela respondeu, tentando manter a voz firme, embora soubesse que, no fundo, a ideia de ver Cloud reencontrar aquela florista trazia uma paz estranha que ela própria não conseguia decifrar.
Angeal deu mais um gole longo em seu smoothie, mantendo o olhar calmo, mas atento. Cloud, por outro lado, já não era mais o homem que encarava o vazio no sofá; um sorriso largo iluminava seu rosto, uma mudança que deixava evidente o quanto aquele reencontro significava para ele.
— Aí você combina com a Tifa... mas me avisem quando forem — Angeal disse, com uma seriedade amena. Ele soltou uma risada nasalada, olhando para os dois com o carinho de quem via aquela dinâmica como uma família. — Assim, eu e o Barret podemos correr atrás de vocês dois, se for necessário.
Tifa soltou uma risada curta, balançando a cabeça diante da superproteção do grupo.
— Pode deixar, Angeal. A gente avisa — ela prometeu, sentindo-se um pouco mais leve.
Cloud, ainda segurando a flor com um cuidado quase sagrado, olhou para Tifa, a empolgação brilhando em seus olhos.
— Então, combinamos amanhã cedo? — ele perguntou, a voz mal contendo a ansiedade.
Naquela noite, sob o frio cortante e a neve que insistia em cair sobre a costa de Icicle Inn, Inome e Sephiroth se encontravam abrigados em uma estalagem isolada, o último ponto de descanso antes de buscarem uma embarcação para seguir viagem. Insistente e cauteloso, Sephiroth havia encontrado uma curandeira local, conhecida por seu profundo conhecimento em plantas medicinais das montanhas, e agora, dentro de um quarto aquecido pelo fogo da lareira, o silêncio era absoluto.
A curandeira, uma mulher de mãos calejadas e olhar sábio, havia passado os últimos minutos realizando uma sondagem térmica e energética, utilizando unguentos de ervas específicas para rastrear sinais de vida no ventre de Inome e verificar sua vitalidade. Ela limpou as mãos em um pano úmido e olhou seriamente para os dois.
— Senhor e Senhora Crescent — a mulher começou, usando o sobrenome que ambos haviam adotado como um legado de proteção e identidade. — Não sei se é do conhecimento de ambos, mas a senhorita está cansada assim por conta de sua gravidez. De fato, o uso de vitaminas é importante, principalmente neste segundo mês de gestação. Vocês precisam garantir uma suplementação rica em Ácido Fólico, essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso desta criança neste estágio tão delicado.
Sephiroth parou por um momento, inspirando profundamente. O ar pareceu rarefeito no quarto, e o calor da lareira não foi suficiente para abafar o impacto daquelas palavras. Ele olhou para Inome, incrédulo, enquanto suas mãos, antes apoiadas nos joelhos, caíam pesadamente sobre os braços da cadeira. A figura imponente que costumava dominar campos de batalha parecia ter sido desarmada por uma revelação que ele jamais ousara imaginar.
— Como assim...? — ele sussurrou, a voz quase inaudível, o choque bloqueando qualquer outra reação enquanto ele processava a existência daquela vida ali mesmo.
Inome suspirou, igualmente atordoada. As palavras da curandeira ecoavam em sua mente, transformando o frio do lado de fora em um calor súbito no peito. Ela tentou articular uma resposta, mas a garganta fechou-se; seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, um misto de medo e uma alegria avassaladora que ela nunca sentira antes. Ela apenas apertou a mão de Sephiroth, sentindo o tremor sutil nos dedos dele.
Inome soltou a mão de Sephiroth, engolindo a seco enquanto trazia os dedos juntos contra o peito, entrelaçando-os com força como se tentasse conter o próprio coração.
— Desculpa, senhora... grávida...? — ela perguntou, a voz trêmula, buscando uma saída lógica para aquele choque. — Não é apenas uma gripe ou exaustão por conta do frio daqui?
A curandeira deu uma risada curta, erguendo uma sobrancelha com uma ponta de diversão pelo ceticismo da jovem.
— Óbvio que não, menina. Quem conhece, reconhece uma grávida de longe — ela gesticulou, indicando a postura de Inome. — Observe a leve hiperpigmentação na linha que começa a surgir no seu abdômen, o inchaço discreto e sensível nas aréolas e essa sua mudança de postura, tentando proteger o centro do corpo sem nem perceber. Esse segundo mês é o mais comum para sentir essa prostração, o corpo está reorganizando cada gota de energia.
Sephiroth, que parecia ter estátuificado, finalmente reagiu. O olhar dele, habitualmente cortante, oscilava entre a curandeira e o ventre de Inome, como se estivesse tentando enxergar através da pele. Ele se levantou, a voz saindo firme, embora ele ainda parecesse estar processando a gravidade do que acabara de ouvir.
— Onde eu compro tudo que ela precisa? Com a senhora mesmo? — ele disparou, ignorando qualquer protocolo. Ele olhou para a mulher com uma urgência quase agressiva, antes de olhar para Inome. — Ela pode continuar... — ele hesitou, buscando um termo menos bélico enquanto seu instinto protetor disparava — ...continuar ativa? Digo, praticando exercícios físicos intensos? A jornada que temos pela frente não é exatamente calma.
A curandeira soltou um riso seco e desdenhoso, como se a pergunta fosse a mais óbvia do mundo.
— Se vocês forem como os mercenários que costumam passar por aqui, eu diria para ela ficar bem longe de qualquer confusão. Vocês vão voltar para casa, certo? — Ela lançou um olhar desconfiado, avaliando a postura rígida e o porte físico de ambos, já habituada aos tipos perigosos que cruzavam o gelo e os barcos estrangeiros. — Os cinco primeiros meses são os mais críticos. Para quem... mata e vive no limite, é um risco dobrado. O esforço extremo pode causar descolamento de placenta, hemorragias graves ou até um impacto direto na região pélvica que o bebê não teria como se proteger. Vocês não estão carregando apenas uma vida, mas uma fragilidade que não sabe se defender.
Sephiroth, que ouvira as palavras da mulher com os músculos da mandíbula travados, virou o rosto para Inome. Seu olhar carregava uma possessividade intensa e uma preocupação que ia além da simples proteção; era um reflexo de quem, pela primeira vez, encontrava algo que não poderia ser controlado pela força bruta. Ele não disse uma palavra, mas a intensidade com que a observava dizia tudo.
Inome, captando a mensagem silenciosa dele, sentiu o peso da situação. Ela se levantou da cadeira, vestindo novamente as camadas grossas da roupa de frio.
— Entendo sua preocupação — ela disse, mantendo a voz calma, embora seus dedos tremessem levemente ao fechar os zíperes.
A curandeira não deu importância ao clima tenso entre o casal. Virou-se para a escrivaninha de madeira, o som da pena riscando o papel rapidamente enquanto anotava as dosagens dos tônicos e vitaminas.
Inome, contudo, não desviou o olhar de Sephiroth. Ela endireitou a coluna, e sua voz adquiriu um tom inabalável, quase desafiador.
— Mas não posso parar. Já que você já entendeu o que estamos fazendo... meu filho ficará bem. — Ela sustentou o olhar dele, firme e decidida. Sephiroth, por sua vez, continuava a encará-la, o peito subindo e descendo com força, visivelmente contendo uma enxurrada de protestos que ele se recusava a proferir na frente de uma estranha. O silêncio entre os dois era carregado, uma discussão que só estava começando.
A curandeira entregou a cestinha de vime com os frascos e o papel dobrado, dando um sorriso enigmático que denota anos de experiência observando dramas alheios.
— Podem discutir em paz, é o horário do meu jantar — disse ela, sem qualquer sinal de espanto, apenas pegando sua bolsa e saindo pela porta, deixando o silêncio pesado preencher o quarto de imediato.
Sephiroth, que esperava a ausência da mulher para finalmente romper a barreira, deu um passo em direção a Inome. Sua sombra projetou-se sobre ela, e seu olhar, geralmente carregado de uma frieza estratégica, estava inteiramente focado na hesitação dela.
— Você nunca me disse que poderia engravidar — ele afirmou, a voz baixa, o tom de acusação misturado a uma confusão que ele mal sabia nomear.
Inome não recuou. Ela travou a mandíbula, segurando a cestinha com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.
— Eu te avisei que qualquer coisa sem preservativo poderia acontecer isso! — ela rebateu, com a voz subindo o tom. — E os nossos preservativos acabaram várias vezes! Você sabe muito bem disso.
Sephiroth curvou o corpo, fechando o espaço entre os dois até que estivessem quase testas coladas.
— Quatro anos... Quatro anos de estatísticas insignificantes. Você poderia ter agido se o risco era real. Você também foi complacente com a impossibilidade disso — ele disse, com a voz gélida e precisa, pesando cada sílaba.
Inome fez um bico, os olhos marejados de indignação, mas sem baixar a guarda.
— Ah, agora a culpa é minha? Hein?! — ela exclamou, sentindo o sangue subir ao rosto. — Eu fiz sozinha, Sephiroth? — Ela indagou, bufando, a frustração transbordando em cada palavra.
Sephiroth recuou um passo, a mandíbula travada, o olhar fixo no vazio por um instante antes de voltar a encarar os olhos lacrimejantes dela. O peso da realidade começava a se assentar sobre seus ombros com a força de uma montanha.
— Não fez. Mas não se preocupou com as consequências. Igual a mim — ele admitiu, a voz desprovida de qualquer melodia, puramente seca. Ele respirou fundo, tentando reorganizar o caos em sua mente. — Você não vai lutar mais a partir de hoje. É uma ordem.
Inome soltou uma risada incrédula, carregada de mágoa. Com os olhos transbordando, ela empurrou a cestinha de vime contra o peito dele, forçando-o a segurá-la.
— Você não vai me impedir. Nós lutamos lado a lado até agora, Sephiroth. Não tente me transformar em um peso morto só por causa disso.
Sem esperar uma resposta, ela virou as costas e saiu da sala a passos pesados, o som de suas botas ecoando pelo corredor de madeira da estalagem, deixando-o sozinho no quarto aquecido pelo fogo que já não parecia suficiente para afastar o frio que brotava do interior dele.
Sephiroth ficou imóvel, encarando a cestinha em suas mãos como se ela contivesse o destino de um mundo que ele mal compreendia. O silêncio do quarto trazia um turbilhão de sentimentos conflitantes: a chance de, finalmente, corrigir a ausência do que ele nunca tivera, um legado vivo e palpável; a raiva contida por ter sido descuidado, por ter permitido que o acaso se infiltrasse em suas vidas; e, por fim, o medo. Um medo frio e paralisante. Eles eram caçados, eram foragidos, e agora, cada passo que Inome desse representava um risco multiplicado por dois.
Depois de guardar os remédios, Sephiroth saiu procurando por Inome por toda a vila. Ele até perguntou a alguns barqueiros se a tinham visto passar. Por fim, encontrou-a longe da estalagem, escondida atrás de uns barris de madeira que protegiam o local do vento, onde ela estava encolhida, abraçando as pernas e chorando sem parar, tremendo com o frio intenso da costa.
Sephiroth sentou-se na neve ao lado dela, mantendo uma distância que ele considerava segura, mas que ainda permitia que ela sentisse sua presença. Ele olhava para o horizonte, onde a lua refletia intensamente sobre o gelo, evitando olhar diretamente para o rosto dela, temendo o que encontraria. Sua mente ainda lutava para processar aquela nova realidade, mas a angústia de vê-la ali, encolhida e tremendo daquela forma, pesava mais do que qualquer lógica estratégica.
Sephiroth sentou-se na neve ao lado dela, mantendo uma distância que ele considerava segura, mas que ainda permitia que ela sentisse sua presença. Ele olhava para o horizonte, onde a lua refletia intensamente sobre o gelo, evitando olhar diretamente para o rosto dela, temendo o que encontraria. Sua mente ainda lutava para processar aquela nova realidade, mas a angústia de vê-la ali, encolhida e tremendo daquela forma, pesava mais do que qualquer lógica estratégica.
Ele respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas.
— Eu não deveria ter falado daquele jeito, Inome. Eu só... o medo de te perder é algo que eu não sei como controlar, e acabei projetando isso em você. Me desculpa pelo que eu disse mais cedo...
— Eu não deveria ter falado daquele jeito, Inome. Eu só... o medo de te perder é algo que eu não sei como controlar, e acabei projetando isso em você. Me desculpa pelo que eu disse mais cedo...
A luz da lua era tão forte que iluminava cada detalhe do rosto dela e o vapor que saía de suas respirações no ar congelante.
Inome subiu o olhar, o rosto inchado e vermelho de tanto chorar. Ela parecia guardar uma mágoa profunda, um reflexo do choque que a "ordem" dele causou.
— Uma ordem, Sephiroth? Você está tentando me dar ordens? — ela indagou, a voz trêmula ecoando na quietude da costa.
Ele se aproximou lentamente, testando o terreno para ver se ela permitiria, até que, finalmente, tocou suas costas em um carinho contido. Ele buscava conforto, mas seus movimentos ainda eram um pouco hesitantes, como se ele estivesse aprendendo a tocar algo tão frágil pela primeira vez.
— Eu... não pensei antes de falar. Eu só reagi. É um erro de cálculo emocional que eu ainda não aprendi a processar — ele a fitou, o rosto tenso, revelando a preocupação profunda que ele raramente deixava transparecer. — Eu realmente tenho medo de te perder... e agora... o bebê também. A ideia de que eu possa perder vocês dois de uma vez é algo que eu não sei como enfrentar, Inome.
Inome continuou o encarando, os olhos marejados fixos nos dele enquanto segurava seu braço com as duas mãos. Ela ainda tremia de frio, e a força com que seus dedos apertavam o braço dele era mínima, mas para Sephiroth, cada ponto de pressão era um lembrete vívido da humanidade que ele aprendera a valorizar acima de qualquer dever.
— Sephiroth. Coloca na sua cabeça. Se eu sentir que vou correr risco ou... eu estiver correndo risco, eu não vou ser inconsequente! Eu não sou inconsequente! — Inome soluçou, as lágrimas desenhando caminhos quentes em seu rosto gelado. — Eu entendo o valor da vida... e eu sei que eu preciso estar aqui para você...
Sephiroth ouvia cada palavra com uma atenção quase reverente. Desde que começaram a caminhar juntos, Inome se tornou a âncora que o mantinha preso à realidade, impedindo-o de flutuar para o isolamento frio que sua linhagem tentava lhe impor. Ele sempre foi grato por isso; foi essa conexão que o impediu de se perder nas sombras da biblioteca em Nibelheim, permitindo que as emoções humanas florescessem nele com uma naturalidade que ele buscava desde que, ainda criança, questionava se era apenas um experimento de laboratório ou alguém digno de ter um lar. Ele buscava por si mesmo, por uma identidade que não fosse apenas a de um monstro, e Inome era a prova de que ele tinha alcançado esse objetivo.
Sentindo-se genuinamente envergonhado por sua postura autoritária, o que era um território desconhecido e incômodo para ele, Sephiroth envolveu-a em um abraço protetor, puxando-a para perto para compartilhar o calor de seu corpo.
— Me perdoe... Eu ainda trato o mundo como uma sequência de ameaças a serem eliminadas — ele sussurrou, a voz baixa, carregada de uma vulnerabilidade que ele raramente permitia que escapasse. — Às vezes, o instinto de te proteger supera minha capacidade de raciocínio. É algo além de mim.
Inome hesitou por um segundo. A mágoa ainda estava ali, pesada, e ela não quis retribuir o abraço imediatamente. Mas, conforme o frio lá fora parecia atravessar seus ossos, ela acabou cedendo, afundando o rosto no peito de Sephiroth e se deixando ser abraçada.
Sephiroth aproveitou a deixa para pegá-la no colo. Sem esforço algum, ele a acomodou em seus braços e começou a caminhar de volta para a estalagem, protegendo-a do vento gelado com o próprio corpo.
— Você está tremendo demais. A exposição prolongada a essa temperatura não é lógica... nem segura — ele disse, com a voz meio travada, ainda tentando equilibrar sua natureza impositiva com o cuidado genuíno que ele mal sabia nomear.
— Eu passei dos limites... eu sei — Inome respondeu, a voz abafada pelo casaco dele.
Ela quase comentou que a vontade era ficar ali fora até congelar de vez, só pelo desgosto da discussão que tiveram, mas preferiu engolir o orgulho. Sentiu o peso de tudo o que estava acontecendo e, em vez de continuar a briga, apenas chorou contra ele enquanto voltavam para o abrigo, tentando controlar a tremedeira.
Sephiroth, tentando amenizar a tensão que ainda pairava entre eles, soltou um riso curto e sem jeito.
— Você poderia ter simplesmente se escondido debaixo das cobertas, em vez de enfrentar o frio dessa costa... — ele comentou, enquanto seus polegares faziam um carinho familiar e reconfortante contra o corpo dela, um movimento já automático pelo tempo que estavam juntos.
Inome sentiu o calor que emanava dele enquanto caminhavam, e a mágoa foi cedendo espaço para um alívio exausto.
— É... eu poderia... — ela soltou um risinho fraco, soltando um suspiro longo e se aninhando ainda mais no abraço dele, deixando que o ritmo dos passos de Sephiroth a guiasse de volta para o único lugar que, naquele momento, parecia seguro.
Na manhã seguinte, o ar de Midgar estava, como sempre, pesado e cinzento. Cloud esperava por Tifa na calçada, um pouco impaciente, enquanto Angeal permanecia ao seu lado, ambos encostados na parede externa do Sétimo Céu.
— Recapitulando... sem comprar brigas, sem intensificar brigas, sem brigar... entendeu? — Angeal repetiu, com a voz séria e o olhar atento à movimentação da rua. — Viu qualquer sinal da Shinra? Corre. Não tenta ser o herói, não tenta bater de frente. Apenas sai de perto.
Cloud soltou um suspiro longo, revirando os olhos e chutando uma pequena pedra solta no chão. Ele já tinha ouvido aquilo pela milésima vez desde que acordou.
— Eu entendi, Angeal... — Cloud murmurou, cruzando os braços e tentando manter a postura, apesar da dor latente dos ferimentos que ele ainda carregava e que insistiam em incomodar a cada movimento brusco. — Não sou idiota. Eu vou voltar sem nenhum arranhão a mais, pode ficar tranquilo.
Ele lançou um olhar rápido para o interior do bar, conferindo se Tifa estava perto de sair, e completou, num tom mais baixo:
— Eu sei exatamente o estado em que estou. Não vou facilitar as coisas para eles.
— Eu sei que é importante pra você. Mas você já viu os drones da Shinra? Deveria começar a usar arma de fogo também. Se aquilo apita, cai um esquadrão de Investigação Geral do céu. Praticamente. A última coisa que você deve fazer agora é forçar seu corpo.
Cloud, emburrado como uma criança que acabara de levar uma bronca, se sentou na calçada e soltou um suspiro sofrido, sentindo cada ponto de sutura repuxar sob a roupa.
— Eu sei, Angeal... — ele murmurou, olhando para o chão, derrotado pelo óbvio que o mentor insistia em repetir.
Angeal observou o garoto. O peso da responsabilidade que ele carregava era imenso, e ver Cloud ali, tentando ignorar os próprios limites mesmo com o corpo ainda pedindo socorro, doía de uma forma que ele não conseguia disfarçar. Ele colocou a mão no ombro de Cloud, um gesto firme, tentando transmitir uma segurança que ia além das palavras.
— Você é meu pupilo, Cloud... — Angeal repetiu, a voz rouca, carregada de um orgulho dolorido.
Ele parou ali. Não completou com nenhuma formalidade, não jogou sobre os ombros dele o peso de um título que Cloud ainda não estava pronto para processar mentalmente, nem usou frases que pudessem confundir ainda mais a confusão de identidade que o rapaz trazia consigo. Ele apenas reafirmou aquele vínculo simples, direto e real, deixando que o fato de que Cloud estava ali, vivo e sobrevivendo, fosse o que realmente importava naquele momento.
Ouvir que era pupilo fez ressoar um eco de familiaridade que ele não conseguia explicar, uma peça que parecia encaixar em um lugar que não deveria ser dele. Mas, instintivamente, ele abriu aquele sorriso que, por razões que nem ele entendia, era familiar apenas para Angeal.
— Heh, claro que sou. Desde que eu entrava no centro de treinamento de Junon escondido só para ver como vocês executavam o treino de resistência básica — ele respondeu, com um brilho nostálgico no olhar.
Cloud deu uma pausa, a expressão voltando a se fechar enquanto a realidade dos ferimentos voltava a latejar em seu peito. Ele soltou um suspiro, o ar gelado de Midgar saindo como uma névoa densa.
— Mas de novo... eu serei cauteloso. Não vou ser imprudente.
Angeal suspirou, sentindo aquele aperto familiar no peito. O luto ainda vinha em ondas, traiçoeiro, e a forma como Cloud reconstruía aquelas memórias — misturando fragmentos que claramente não lhe pertenciam com uma convicção assustadora — permanecia um enigma que Angeal não sabia como desvendar sem causar um colapso no rapaz.
Ele abriu a boca para dizer algo, talvez uma última recomendação para que Cloud se cuidasse, mas as palavras morreram antes de sair. A porta do Sétimo Céu se abriu com um leve rangido, e Tifa surgiu, com um sorriso suave que parecia iluminar a esquina cinzenta daquela rua.
— Está pronto, Cloud? — ela perguntou, a voz doce, sem notar a tensão que ainda pairava entre os dois homens na calçada.

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