quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Final Fantasy VII: Beyond Crisis - Além do final feliz - O casamento.

 


O sol de Costa del Sol mal havia despontado no horizonte, mas a casa de Sephiroth e Inome já respirava o caos acolhedor de uma família imensa que havia tomado todos os cômodos. A brisa salgada do mar entrava pelas janelas entreabertas, misturando-se ao cheiro forte de café recém-coado que já dominava a cozinha.

Pela sala de estar, a cena era um retrato cômico de improviso. A "caravana de Kalm" havia dominado cada centímetro quadrado disponível na noite anterior. Havia colchões espalhados pelo tapete, onde um amontoado de cobertores denunciava onde Cloud havia desmaiado de exaustão nervosa. Botas pesadas dividiam espaço no corredor com pequenas sandálias infantis e caixas de decoração. Angeal, que obviamente havia cedido qualquer cama confortável para as mulheres, dormira espremido no sofá da sala, com os pés quase tocando o chão, enquanto Genesis havia improvisado um canto aceitável em uma poltrona larga, coberto por um lençol que ele mantinha incrivelmente alinhado, mesmo dormindo.

Lá fora, no entanto, a paz matinal já havia sido estilhaçada.

No jardim dos fundos, o orvalho ainda molhava a grama quando duas risadas infantis e estridentes cortaram o ar. Kether e Marlene corriam em círculos, desviando dos arbustos e dos vasos de cerâmica como se estivessem em uma rota de fuga. A pequena liderava a corrida, com os pezinhos descalços batendo na grama e uma energia inesgotável, enquanto Marlene tentava alcançá-la, rindo até perder o fôlego.

Atrás delas, a cena era patética para dois homens daquele tamanho.

— Kether! Marlene! Parem agora, já para dentro! — Angeal bradou, tentando usar um tom grave de comando, o que falhou miseravelmente quando Kether apenas deu um gritinho e acelerou o passo, contornando o tronco de uma palmeira. O grandalhão suspirou pesado, esfregando o rosto com as mãos largas, já transpirando sob o sol da manhã.

Logo atrás dele, Genesis caminhava em passos duros, segurando um pequeno par de sapatos brancos em uma mão e uma tiara de flores na outra.

— Pelos deuses, Angeal... A resistência física dessa criança desafia a lógica. — Genesis resmungou, erguendo a tiara como se implorasse aos céus. — Kether, minha criança, venha até o titio! O seu pai vai brigar com nós dois se você sujar os joelhos de terra antes do casamento! Precisamos trocar as roupas!

Na varanda da casa, alheios à perseguição no jardim, Barret e Elmyra observavam o desespero dos tios.

Barret já estava praticamente pronto. O terno escuro e largo parecia apertado em seus ombros maciços, e ele suava frio, bufando enquanto tentava dar um nó decente na gravata clara. Para a ocasião, ele obviamente havia deixado o armamento pesado guardado, optando por uma prótese civil articulada. No entanto, os dedos mecânicos eram rígidos e desajeitados demais para uma tarefa tão delicada, obrigando-o a lutar contra o tecido de seda quase inteiramente com a mão esquerda.

— Que merda de tecido escorregadio... — Barret rosnou entredentes, quase rasgando a gola da camisa. — Quem foi o sádico que inventou essa corda de pescoço?

Elmyra, que exalava uma calma maternal inabalável em um vestido leve e elegante de tom pastel, riu baixinho. Ela deu um passo na direção dele, afastando as mãos brutas de Barret com um tapinha gentil, e assumiu o controle da gravata.

— Fique quieto, Barret, ou você vai se enforcar antes de ver a Tifa no altar. — Ela disse com uma voz mansa, os dedos finos trabalhando com agilidade no tecido, ajustando o nó perfeitamente contra o colarinho dele.

Barret engoliu em seco, soltando a respiração e relaxando os ombros tensos, visivelmente agradecido. Elmyra terminou de ajeitar a lapela do paletó dele, alisando o tecido, antes de voltar os olhos amendoados para o jardim.

Angeal acabara de tentar um movimento rápido para encurralar Marlene perto da cerca, mas a menina escapou por baixo do braço dele, correndo de volta para o meio do quintal.

Elmyra soltou um suspiro divertido, cruzando os braços.

— Sabe, Barret... — ela comentou, um sorriso zombeteiro brincando nos lábios. — Eles podem ser gigantes e fortes o quanto for... mas acho que aqueles dois ali vão precisar de reforços para capturar duas menininhas.

Barret soltou uma risada grave, que retumbou no peito, esquecendo por um segundo o aperto da gravata.

— Deixa eles sofrerem um pouco, Elmyra. É bom pro ego.

Angeal parou com as mãos apoiadas nos joelhos, puxando o ar com força, completamente derrotado pelo fôlego das crianças. Genesis, no entanto, endireitou a postura. Ele alisou o tecido da própria camisa, fechou os olhos por uma fração de segundo e pareceu abandonar a caçada física em prol de uma tática muito mais covarde, porém infalível.

— Muito bem. Já que Vossas Altezas recusam a civilidade... — Genesis elevou a voz, projetando-a com a mesma imponência teatral de sempre, mas agora carregada de uma chantagem descarada. — Eu ia sugerir que, após vestirem essas roupas, fôssemos até a cozinha. A Tia Inome assou um bolo de cenoura imenso ontem à noite. Com aquela cobertura de chocolate quente que afunda no meio da massa, sabem? Mas, já que preferem correr na grama... acho que vou ter que comer a fatia da Kether e a da Marlene sozinho. O Cloud também adora, talvez eu chame ele.

O efeito foi instantâneo.

Os pezinhos descalços de Kether frearam bruscamente, derrapando na grama úmida. Ela virou o rosto para Marlene, que também paralisou no mesmo segundo, os olhos escuros arregalados. Bolo de cenoura com chocolate era o calcanhar de Aquiles indiscutível da dupla.

— Meu bolo! — Kether gritou, largando a folha de palmeira que segurava e disparando na direção da varanda o mais rápido que suas pernas permitiam.

— O meu também! — Marlene acompanhou o grito, correndo logo atrás da amiga.

As duas passaram como um pequeno furacão por Angeal, que mal teve tempo de piscar, e atropelaram Genesis no caminho para a porta dos fundos, já exigindo os sapatos e os vestidos para comerem logo. Genesis apenas sorriu de canto, vitorioso, balançando a tiara de flores no ar enquanto caminhava elegantemente atrás das duas.

Na varanda, Barret não aguentou. O grandalhão jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada estrondosa, tão grave e solta que os próprios ombros sacudiram, quase desmanchando o trabalho impecável que Elmyra tinha acabado de fazer na sua gravata.

— Chantagista de meia-tigela! — Barret gritou, a voz ecoando pelo quintal enquanto ele enxugava uma lágrima no canto do olho com as costas da mão direita. — Se eu soubesse que era só falar de comida, eu mesmo tinha resolvido isso há meia hora!

Elmyra acompanhou a risada, cobrindo a boca com a mão enquanto seus olhos amendoados se espremiam de tanto rir. Ela deu um tapinha leve no braço do grandalhão.

— É tática de sobrevivência, Barret — ela disse, o sorriso amável iluminando o rosto. — Quando se lida com crianças, o orgulho é a primeira coisa que a gente joga pela janela. Agora vamos entrar e apressar essas meninas... Se demorarmos mais, o Cloud vai abrir uma valeta na areia da praia de tanto andar em círculos, e duvido muito que o Sephiroth tenha paciência para segurar um noivo em pânico por muito tempo. 

No andar de cima, o burburinho cômico do quintal soava abafado. O quarto havia se transformado em um santuário isolado de sedas, grampos e perfumes, banhado pela luz dourada da manhã litorânea.

Tifa estava de pé diante do grande espelho de moldura rústica. O vestido de noiva era uma obra de arte pensada exatamente para ela e para a cerimônia com o pé na areia. Feito de um tecido fluido e leve como a própria brisa de Costa del Sol, o modelo abraçava as curvas e a musculatura forte da lutadora com precisão, sem restringir seus movimentos. Tinha um decote elegante e trançado nas costas, além de uma fenda sutil e esvoaçante na saia, perfeita para caminhar descalça. Era simples, letalmente deslumbrante e absolutamente a cara de Tifa.

Logo atrás dela, Inome terminava de ajeitar os longos cabelos escuros da noiva. Ela mesma usava um vestido novo e diferente para a ocasião: um tom de amarelo-mostarda vibrante, de tecido macio e corte império, propositalmente mais solto e folgado na cintura para acomodar o conforto absoluto que o corpo exigia no segundo mês de gestação. A cor e a fluidez da peça contrastavam de forma belíssima com a pele negra da mulher.

Com as pontas dos dedos tremendo levemente, Inome posicionou a delicada tiara de prata escovada e pequenos cristais sobre os fios escuros de Tifa, fixando-a com cuidado milimétrico.

— Pronto... — Inome sussurrou, afastando as mãos e dando um passo para trás.

Tifa soltou uma respiração longa e trêmula, o peito subindo e descendo com força. Ela apoiou uma das mãos calejadas na cintura — um gesto tão instintivo da sua postura de luta, mas que agora transbordava uma vulnerabilidade imensa. Os olhos castanhos fixaram-se no próprio reflexo no espelho e, no mesmo instante, ficaram intensamente marejados. O maxilar dela travou de leve para conter a emoção. Ali, a obrigação de ser o pilar de ferro de todo mundo. Era apenas uma mulher prestes a caminhar em direção ao amor da sua vida.

O silêncio reverente, no entanto, durou exatamente dois segundos.

Inome levou as duas mãos ao rosto, e um soluço alto e completamente desprovido de qualquer filtro escapou de sua garganta. Os hormônios da gravidez, que já a deixavam com os nervos à flor da pele a semana inteira, entraram em colapso total diante da beleza da cena.

— Ai, deuses, Inome! Não chora, senão eu vou chorar também e borrar tudo! — Tifa deu um sobressalto, rindo com a voz já falhando enquanto se virava rapidamente para a amiga.

— Eu não consigo! — Inome choramingou, balançando as mãos freneticamente na frente do rosto na tentativa inútil de secar as lágrimas que já desciam e ameaçavam sua maquiagem. Ela fungou, olhando para a lutadora com um sorriso imenso e trêmulo, o peito transbordando de afeto puro. — Você está... Tifa, você está linda demais. É uma honra tão grande ver a minha melhor amiga casando... Vocês merecem tanto essa felicidade, Tifa. Tanto.

Tifa não aguentou. As lágrimas finalmente transbordaram e escorreram pelo rosto dela também. Ignorando completamente o risco de amassar a seda impecável do vestido, ela deu dois passos e envolveu Inome em um abraço apertado e quente, escondendo o rosto no ombro da amiga enquanto as duas choravam juntas, rindo da própria emotividade.

— Eu é que tenho sorte, Inome... — Tifa sussurrou, a voz embargada e abafada contra o tecido macio do vestido amarelo. Ela apertou o abraço, sentindo o calor e a constância daquela amizade que a havia sustentado tantas vezes. — Você não é só a minha melhor amiga. Você é a irmã que a vida me deu.

Inome fungou alto, retribuindo o aperto com o mesmo carinho, tomando o cuidado instintivo de não desmanchar os arranjos do cabelo da noiva.

— E você é a irmã que eu sempre quis ter. De verdade... — Inome respondeu, a voz trêmula, entregue à emoção incontrolável que tomava conta de seu peito. Ela afastou o rosto devagar apenas o suficiente para poder olhar fundo nos olhos de Tifa. As lágrimas faziam o olhar amarelado de Inome brilhar com uma intensidade imensa. — Eu estou tão feliz, Tifa. Tão feliz de ver você exatamente assim: radiante, leve... Você lutou tanto por todo mundo, cuidou de todos nós, e agora está aqui, indo casar com o homem que você ama. Meu coração tá quase saindo pela boca de tanta alegria por ver você tão feliz.

Tifa abriu um sorriso largo e imensamente doce, sentindo a garganta apertar com a verdade daquelas palavras. Com a ponta dos polegares, ela enxugou delicadamente as lágrimas que molhavam as bochechas de Inome, tratando-a com a mesma ternura de sempre, antes de tentar secar o próprio rosto.

— Nós construímos a nossa própria felicidade, Inome. E você me ajudou muito a chegar até aqui — Tifa disse, a voz transbordando gratidão. Então, ela piscou algumas vezes, olhando de relance para o espelho, e uma risada fraca e descontraída escapou de seus lábios. — Mas falando sério... se a gente continuar desidratando desse jeito, vamos ter que refazer todo esse reboco da cara antes de pisar na areia! O trabalho que deu pra passar isso tudo!

Inome soltou uma gargalhada genuína e anasalada, abanando o próprio rosto com as duas mãos numa tentativa afobada de ventilar a pele e parar de chorar.

— Deuses, é verdade! — Inome concordou, rindo solto no meio dos soluços. — Vamos ter que arrumar isso rápido! Se bem que o Cloud vai ficar tão hipnotizado e bobo olhando pra você que nem ia reparar se a gente chegasse parecendo dois guaxinins no altar!

Enquanto o caos e a emoção tomavam conta do quarto, o clima na Enseada das Conchas era de pura agonia contida.

Sob o arco enfeitado com flores brancas montado diretamente na areia da praia, Cloud andava de um lado para o outro. Ele já havia ajustado o paletó de linho claro pelo menos dez vezes nos últimos cinco minutos. Puxando a manga da camisa, ele checou o relógio no pulso de novo, os olhos brilhando em um misto de expectativa e puro pânico.

— Acha que aconteceu alguma coisa? — Cloud perguntou, a voz saindo um pouco mais esganiçada do que o normal, parando abruptamente para encarar o padrinho ao seu lado. — Já passou da hora. Por que a demora? E se... sei lá, e se o vestido rasgou? Ou ela passou mal?

Sephiroth, que estava parado a poucos passos de distância com uma postura impecavelmente ereta e relaxada, soltou um suspiro manso. Vestido em um terno sob medida que contrastava de forma elegante com seus longos cabelos prateados, ele observou o desespero do amigo com um leve traço de diversão nos olhos.

— Mantenha a calma, Cloud — Sephiroth aconselhou, a voz grave e serena soando como um contrapeso perfeito para o nervosismo do loiro. — É perfeitamente normal que haja um pequeno atraso. Logo todos começarão a aparecer por aquele caminho, incluindo a Tifa. Ninguém desistiu de nada.

Cloud esfregou a nuca, soltando o ar pesado pelos lábios. Ele olhou para Sephiroth, genuinamente intrigado, tentando buscar alguma âncora de sanidade naquela calmaria toda.

— Como você conseguiu? — Cloud perguntou, franzindo a testa. — No seu casamento com a Inome... você parecia tão calmo lá no altar. Como conseguiu não surtar esperando?

Um sorriso sutil, nostálgico e profundamente afetuoso, curvou os lábios de Sephiroth. Ele desviou o olhar de Cloud por um instante, focando nas ondas que quebravam mansamente na areia, como se revivesse a própria memória.

— Eu não estava imune a isso. Fiquei ansioso também — Sephiroth confessou, surpreendendo Cloud com a honestidade daquela vulnerabilidade. — Mas não era o tipo de ansiedade de quem teme o pior. Era a ansiedade de saber que, a partir daquele exato momento, nós finalmente seríamos marido e mulher. O fim da espera por uma vida inteira.

Sephiroth voltou a olhar para Cloud, e a intensidade em seus olhos ganhou um brilho de companheirismo puro e sincero.

— Além disso... — ele acrescentou, o tom de voz suavizando ainda mais. — Ver a mulher que você ama caminhando na sua direção, usando um vestido de noiva, é uma lembrança memorável. É uma imagem que se grava na sua mente para o resto da vida. Apenas respire, Cloud. E prepare-se para o que está prestes a ver.

Antes que Cloud pudesse responder, o som de vozes animadas e passos afundando na areia quebrou a tensão que pairava sob o arco de flores.

Elmyra foi a primeira a aparecer no campo de visão, caminhando com a graciosidade de sempre, segurando firmemente as mãozinhas de Marlene e Kether. As duas estavam vestidas como daminhas de honra, parecendo duas pequenas fadas em seus vestidos branquinhos de tecidos leves. Kether, com sua energia inesgotável, já dava pequenos saltos querendo pisar na areia fofa, sendo contida pela paciência infinita e pelo sorriso amável de Elmyra.

Logo ao lado delas, o celebrante se aproximou. O senhor Balthazar era uma figura conhecida e querida em Costa del Sol: um homem de pele curtida por décadas de sol litorâneo, barba grisalha bem aparada e um sorriso largo que enrugava os cantos dos olhos. Vestindo uma bata de linho cru que combinava perfeitamente com o clima praiano e o barulho das ondas, ele parou ao lado de Cloud, dando um tapinha encorajador no ombro do noivo.

— Tudo certo por aqui, rapaz? O coração ainda está batendo no ritmo certo ou vamos precisar de um médico? — Balthazar perguntou, com uma risada rouca e amigável.

Cloud assentiu, ajeitando a gola da camisa mais uma vez. — Tudo certo. Sobrevivendo.

O resto da família não demorou a preencher o espaço, trazendo consigo a bagunça acolhedora de sempre. Vincent caminhava em silêncio, exalando uma elegância tranquila, enquanto Angeal, Barret e Genesis se aproximavam logo atrás.

Ao ver as meninas prontas para entrar, Barret parou na frente da dupla, cruzando os braços grossos e engrossando a voz em um tom brincalhão de aviso.

— É bom que as duas mocinhas se comportem lá na frente. Nada de correr ou jogar areia, ouviram bem?

Marlene assentiu obedientemente, segurando a própria saia com as duas mãos. Kether, no entanto, com a ousadia típica que herdara, ergueu o queixo e apontou o dedinho gordinho na direção do ex-Primeira Classe de casaco escarlate.

— O Titio Gen disse que se a gente andar bem direitinho, ele vai dar mais doce da festa pra gente escondido! — ela dedurou, em alto e bom som, sem o menor pingo de culpa.

Elmyra não aguentou. Ela soltou uma gargalhada deliciosa, cobrindo a boca com a mão enquanto seus ombros sacudiam.

Genesis arregalou os olhos azuis, colocando a mão no peito em um gesto de falsa traição e choque absoluto. Ele levou o dedo indicador aos lábios, fazendo um “shh” dramático enquanto se inclinava na direção da menina, olhando ao redor como se estivessem no meio de um complô perigoso.

— Mas que traição imperdoável! O acordo era manter o nosso segredo a sete chaves, mocinha! — ele sussurrou com um falso tom de espanto, balançando a cabeça de forma teatral, o que arrancou risadas abertas de Angeal e até um sorriso de canto no rosto sempre sereno de Vincent.

Observando aquela cena — a confusão adorável, as risadas soltas, a família caótica e barulhenta que eles haviam se tornado —, Cloud sentiu o nó em sua garganta finalmente se desfazer. Aquele pânico gélido e as dúvidas que o travavam minutos atrás deram lugar a um calor reconfortante no peito. Ele olhou para Sephiroth, os ombros finalmente relaxando, e soltou uma respiração longa.

O platinado apenas acenou de leve com a cabeça, o olhar cúmplice e o sorriso sutil confirmando o que as palavras de antes já haviam dito: tudo estava exatamente como deveria estar.

O momento de descontração foi interrompido por um detalhe que ninguém havia planejado. Assim que os grandes olhos verdes de Kether focaram no altar, ela ignorou completamente Cloud, o noivo, e travou a visão diretamente na figura alta e de cabelos prateados ao lado dele.

A missão de ser daminha de honra sumiu instantaneamente daquela cabecinha. Sem a menor cerimônia, Kether empurrou sua cestinha de pétalas contra o peito de Marlene, que a segurou no susto, e disparou pela areia fofa o mais rápido que seus pezinhos permitiam.

— Papaaaaiiiii!! — ela gritou, a voz infantil e aguda ecoando pela praia enquanto corria com os bracinhos esticados.

Sephiroth não hesitou por um milésimo de segundo. Qualquer resquício de postura formal que ele mantinha como padrinho desmoronou na mesma hora. Ele deu um passo à frente, flexionando levemente os joelhos, e abriu os braços para receber o pequeno furacão que se chocou contra ele.

Com um movimento suave, Sephiroth a ergueu alto no ar, arrancando uma gargalhada deliciosa da menina, antes de trazê-la para um abraço apertado contra o tecido claro do seu terno.

— Te peguei. — ele murmurou, a voz grave transbordando uma doçura que era reservada exclusivamente para a família. Ele ajeitou a pequena no colo, depositando um beijo demorado e carinhoso na bochecha gordinha dela.

Kether abraçou o pescoço do pai com força, amassando a lapela do paletó sem nenhum pudor, e então recuou o rostinho apenas para encará-lo com pura admiração.

— Você tá parecendo um príncipe, papai! — ela anunciou, passando a mãozinha pelos cabelos prateados dele que balançavam com a brisa do mar.

Sephiroth abriu um sorriso imenso, os olhos felinos brilhando com um afeto profundo e incondicional. Ele usou a ponta dos dedos para ajeitar delicadamente a tiara de flores na cabeça da filha, que havia entortado durante a corrida.

— E você, minha pequena, é a fada mais linda de toda Costa del Sol. — ele respondeu, o tom de voz manso e carregado de orgulho, acariciando os fios clarinhos dela. — Mas acho que você tinha um trabalho muito importante para fazer com a Marlene, não tinha? O Tio Cloud está precisando de você.

Atrás deles, Cloud assistia à cena com uma cara de bobo e um sorriso frouxo, a tensão do casamento completamente esquecida 

Aos poucos, as risadas e as conversas paralelas foram se acomodando sob a brisa do mar. Angeal, Barret, Elmyra, Genesis e Vincent ocuparam seus lugares nos bancos de madeira rústica dispostos na areia, formando uma plateia atenta e profundamente afetuosa. No início do corredor imaginário marcado na areia, Kether e Marlene aguardavam ansiosas, segurando suas cestinhas com firmeza, prontas para anunciar Inome e Tifa.

Uma melodia suave começou a tocar, misturando-se perfeitamente ao som rítmico das ondas quebrando na praia.

No altar, o impacto dos primeiros acordes atingiu Cloud em cheio. Ele engoliu em seco, ajeitando a postura num solavanco rápido, os ombros ficando tensos enquanto o coração martelava contra as costelas. Ao seu lado, Sephiroth moveu-se com a sua fluidez natural e elegante; ele levou as mãos para trás das costas e ergueu levemente o queixo, uma pose serena e imponente que transmitia a Cloud o exato suporte silencioso que o loiro precisava para não desabar de nervosismo.

Kether e Marlene deram os primeiros passos na areia fofa. Concentradas na missão, as duas pequenas começaram a espalhar punhados de pétalas brancas pelo caminho, arrancando sorrisos largos e suspiros dos convidados enquanto abriam passagem para o momento mais aguardado do dia.

E então, a areia pareceu sumir sob os pés de Cloud.

Inome entrou caminhando ao lado de Tifa, o tecido do seu vestido amarelo-mostarda esvoaçando com a brisa litorânea. Ela exibia um sorriso imenso, radiante e protetor, acompanhando cada passo da melhor amiga.

Mas os olhos de Cloud focaram unicamente na noiva, e a previsão que Inome fizera mais cedo no quarto provou-se cirurgicamente exata: Cloud simplesmente esqueceu como se respirava. O ar sumiu dos pulmões dele. Tifa estava absurdamente deslumbrante. A seda fluida abraçava as curvas e a musculatura forte da lutadora com uma delicadeza divina, a tiara de cristais brilhando sob o sol enquanto a fenda da saia balançava a cada passo que ela dava descalça.

Qualquer resquício de tensão no rosto de Cloud derreteu. O azul dos seus olhos perdeu toda a ansiedade de antes, dando lugar a um olhar de pura adoração e deslumbramento. Ele ficou com a mais completa e adorável "cara de bobo", os lábios entreabertos num sorriso frouxo, o peito subindo e descendo devagar, totalmente anestesiado pela beleza da mulher caminhando em sua direção.

E Tifa estava exatamente no mesmo estado.

Assim que os olhos castanhos dela encontraram Cloud no altar — o terno claro de linho perfeito para ele, os cabelos loiros bagunçados pelo vento e aquele olhar maravilhado e devotado fixo unicamente nela —, a respiração da lutadora também falhou. O sorriso que se formou nos lábios de Tifa era trêmulo, carregado do alívio e da emoção avassaladora de uma promessa inteira finalmente se concretizando. Ela apertou de leve o braço de Inome por um milésimo de segundo, buscando uma âncora invisível enquanto seus olhos marejavam de novo. Ela também estava completamente bestinha, hipnotizada pelo homem que, depois de tantas batalhas, finalmente a esperava em paz no final do caminho.

Quando Inome e Tifa finalmente pararam diante do altar, o mundo ao redor pareceu silenciar, deixando apenas o som rítmico das ondas quebrando na praia.

Inome olhou para Cloud, o sorriso largo e trêmulo, os olhos amarelados ainda marejados de emoção. Com uma delicadeza imensa, ela segurou a mão de Tifa e a depositou suavemente sobre a palma estendida do loiro. O contraste das mãos calejadas de ambos se encontrando foi a âncora que trouxe Cloud de volta à realidade. Ele apertou os dedos ao redor da mão de Tifa, como se segurasse a coisa mais preciosa que já havia tocado na vida.

Com um aceno silencioso e cúmplice para o noivo, Inome deu um passo para trás e caminhou até o outro lado, posicionando-se exatamente ao lado de Sephiroth. Assim que ela parou, o platinado levou a mão instintivamente para a base das costas da esposa, um toque firme e protetor, puxando-a sutilmente para mais perto do seu corpo. Os dois trocaram um olhar rápido e afetuoso, compartilhando a mesma sensação de paz e nostalgia de quando estiveram naquele mesmo lugar, fazendo as mesmas promessas.

O celebrante Balthazar pigarreou, o sorriso enrugando os cantos dos olhos enquanto olhava para o casal à sua frente.

— Bom, meus jovens... — Balthazar começou, a voz rouca e calorosa ecoando sob o arco de flores. — Casamento pede natureza de verdade, pede o pé na areia e o coração aberto. Vocês dois não precisam que um velho caiçara como eu lhes ensine sobre resiliência. O jeito que vocês se olham já diz tudo o que essa comunidade inteira precisa saber: vocês lutaram uma vida inteira para finalmente ter o direito de ficarem em paz.

Tifa sorriu, os olhos castanhos transbordando, e apertou a mão de Cloud com força.

— Cloud, Tifa. — Balthazar continuou, estendendo as mãos na direção deles. — O mar à frente de vocês é vasto, mas a partir de hoje, vocês navegam no mesmo barco. Chegou a hora dos votos.

Cloud engoliu em seco. Ele olhou profundamente para Tifa, ignorando completamente os convidados atrás dele. Todo o nervosismo havia derretido, dando lugar a uma certeza inabalável.

— Tifa... — a voz de Cloud saiu um pouco rouca, mas carregada de uma sinceridade absoluta. — Muito tempo atrás, sob o céu estrelado lá em Nibelheim, eu fiz uma promessa no poço da cidade. Eu prometi que te protegeria. Mas a verdade... é que foi você quem me salvou. Inúmeras vezes. Você foi o meu porto seguro quando eu não tinha mais onde me apoiar, quando eu não sabia mais nem quem eu era. Eu lutei muito para voltar para casa... e hoje, segurando a sua mão, eu sei que eu finalmente cheguei. Eu prometo te fazer sorrir, prometo dividir as contas, as dores e as alegrias... e prometo te amar todos os dias da minha vida.

Uma lágrima teimosa escapou e rolou pela bochecha de Tifa, mas ela não fez o menor esforço para enxugá-la. Ela soltou uma risada fraca e emocionada, respirando fundo antes de responder.

— Cloud... você cumpriu a sua promessa. — Tifa disse, a voz embargada, mas incrivelmente firme, o sorriso iluminando todo o seu rosto enquanto ela olhava fundo nos olhos dele. — Você voltou para mim. Mesmo quando tudo parecia perdido, mesmo quando a escuridão tentou roubar quem você era... o meu coração sempre soube onde te encontrar.

Ela apertou a mão dele, entrelaçando os dedos com força, sentindo o calor que por tanto tempo achou que havia perdido.

— Eu nunca desisti de nós, porque eu sabia que o nosso lugar era juntos. Você sempre foi o meu herói, desde que éramos crianças sob aquele céu de Nibelheim. Mas hoje... eu não estou casando com o soldado das lendas. Estou casando com o homem que eu amo. Eu prometo ser a sua âncora, o seu lar e o seu porto seguro em todos os dias que virão. Nós finalmente estamos livres, Cloud. E eu prometo construir essa paz com você, para o resto das nossas vidas.

Um silêncio denso e reverente tomou conta dos bancos de madeira, quebrado apenas pelo som de alguém fungando alto e descontrolado — Barret, já em prantos, tentando inutilmente secar o rosto com as costas da mão. Inome encostou a cabeça no ombro de Sephiroth, sorrindo com os olhos transbordando enquanto uma lágrima silenciosa escorria, e o platinado deixou um beijo suave no topo da cabeça dela, puxando-a um pouco mais para si.

No altar, Cloud engoliu em seco. O rosto dele estava levemente corado, mas a expressão era de alguém completamente rendido e maravilhado com a mulher à sua frente.

Balthazar abriu um sorriso imenso, os próprios olhos marejados, erguendo as mãos para o céu.

— Pelas bênçãos da terra, do mar e de todos que amam vocês aqui presentes, eu os declaro marido e mulher! — o celebrante anunciou com entusiasmo. — Rapaz, pode beijar a sua noiva antes que o rapaz desidrate de tanto chorar!

Ao fundo, Barret soltou um soluço alto e dramático que finalmente arrancou risadas abertas e aliviadas de todos, enquanto Elmyra dava tapinhas consoladores nas costas largas dele e Angeal balançava a cabeça, rindo da cena.

Mas Cloud não perdeu mais nenhum segundo. Ele puxou Tifa pela cintura com firmeza e urgência, colando o corpo dela ao seu, e a beijou sob os aplausos e assobios da família. Era um beijo apaixonado, leve e cheio de devoção — o selo definitivo de que a guerra havia acabado, e a vida deles, a verdadeira vida, estava apenas começando. As mãos calejadas do loiro desceram com firmeza para o quadril da lutadora, envolvendo-a com segurança antes de erguê-la no alto. Tifa soltou um riso surpreso e vibrante, que se perdeu contra os lábios dele, enquanto ela passava os braços ao redor do pescoço do marido. O vestido de seda esvoaçou lindamente com a brisa salgada, acompanhando o movimento.

A animação do beijo contagiou o altar de imediato. Ignorando completamente qualquer decoro que Barret havia exigido mais cedo, Kether e Marlene deram gritinhos de pura empolgação. As duas pequenas dispararam pela areia fofa, correndo em círculos rápidos ao redor do casal. Elas enfiaram as mãozinhas no fundo das cestas de palha e começaram a jogar para o alto tudo o que restava, criando uma verdadeira chuva de pétalas brancas que girava no ar e caía sobre os noivos, emoldurando a cena perfeitamente.

Ao lado deles, Inome e Sephiroth batiam palmas, os rostos iluminados. Inome aplaudia com entusiasmo, rindo abertamente da bagunça das meninas sob a chuva de flores, enquanto Sephiroth aplaudia logo atrás dela. A postura elegante dele se mantinha, mas o olhar felino transbordava uma paz absoluta ao ver a alegria de Cloud e Tifa, selando de vez o fato de que, dali para frente, os dias deles seriam exatamente assim.

O celebrante Balthazar ergueu as mãos mais uma vez, abafando as risadas com a sua própria voz calorosa para proferir as palavras finais de bênção àquela nova família. Com o encerramento oficial, a formalidade se desfez por completo sob o arco de flores.

Kether e Marlene, já cansadas de correrem em círculos e de jogarem o restante das pétalas, escapuliram da areia fofa e correram de volta para os bancos de madeira rústica, espremendo-se exatamente uma de cada lado de Genesis.

Kether puxou a manga do casaco escarlate dele, ficando na ponta dos pés para alcançar o ouvido do padrinho. Ela cochichou alto o suficiente para Marlene escutar e concordar vigorosamente com a cabeça.

— Já casou, Titio Gen. Cadê o doce?

Genesis cobriu a boca com a mão, inclinando-se para frente e sussurrando de volta com um tom conspiratório.

— Paciência, minhas jovens aprendizes. O nosso banquete açucarado será liberado apenas na hora da festa. Se a mãe ou pai de vocês me pegar contrabandeando doces antes do jantar, eu serei atirado ao mar. Fiquem quietas só mais um pouquinho.

A transição para a festa foi natural, guiada pela brisa morna do início da noite e pelas luzes amareladas que se acenderam ao redor da tenda montada na praia. A Enseada das Conchas agora vibrava com música acústica suave, risadas e o som de taças brindando.

Em uma das mesas redondas mais próximas ao mar, Inome, Tifa, Sephiroth e Cloud dividiam o espaço em um clima de pura intimidade. Cloud estava reclinado na cadeira, com uma postura incrivelmente relaxada, os dedos entrelaçados aos de Tifa por cima da toalha de linho. Ele não conseguia tirar os olhos da esposa, o rosto ainda carregando aquele mesmo sorriso frouxo e maravilhado do altar.

— Você sabe que pode piscar de vez em quando, não é? — Inome provocou, apoiando o queixo na mão enquanto bebericava uma taça de água com gás e limão, lançando um olhar divertido para o loiro.

Cloud soltou uma risada baixa, balançando a cabeça, mas não desviou o olhar de Tifa por um único segundo.

— Eu passei muito tempo no escuro, Inome. Agora que cheguei na melhor parte, não quero perder um detalhe.

Tifa corou, um sorriso bobo e imenso rasgando o rosto enquanto ela encostava a cabeça no ombro dele, apertando a mão do marido com carinho.

Sephiroth, sentado ao lado de Inome com o braço casualmente apoiado no encosto da cadeira dela, abriu um sorriso manso.

— O choque inicial passa, Cloud. Mas a vontade de ficar olhando, devo admitir, não muda nunca — ele comentou com a voz grave e serena. Sephiroth voltou os olhos felinos e devotados para a própria esposa, fazendo Inome dar um sorriso de canto, visivelmente derretida com a declaração silenciosa.

A algumas mesas de distância, o clima era de pura fartura. Barret, Elmyra e Angeal estavam focados em aproveitar o banquete espetacular preparado carinhosamente por Tia Lani. A doce senhora de Costa del Sol fez questão absoluta de assumir as panelas da festa para presentear Tifa e Cloud com o melhor da culinária local.

O cardápio era uma obra-prima litorânea. Havia travessas imensas de robalo grelhado com uma crosta crocante de ervas finas e limão siciliano, acompanhados de espetos de camarões graúdos e suculentos tostados na brasa. Tigelas fundas transbordavam saladas frescas com fatias doces de manga, além de porções generosas de uma farofa de banana-da-terra na manteiga que desmanchava na boca.

Angeal servia uma segunda porção de peixe no próprio prato, os ombros largos finalmente relaxados, aproveitando a música e a comida excelente em paz. Barret mastigava um camarão inteiro com gosto, os olhos ainda um pouco vermelhos e inchados do choro na cerimônia, mas o semblante transbordava uma alegria bruta. Elmyra comia com a graciosidade de sempre, rindo de algo que Barret tentava dizer de boca cheia enquanto lhe entregava um guardanapo de tecido para limpar o queixo.

Enquanto isso, perto da mesa de sobremesas — que estava estrategicamente lotada das famosas bandejas de bolinhos de coco da Tia Lani —, Genesis finalmente cumpria sua parte do acordo. Longe dos olhos vigilantes de Barret e Inome, ele entregava os pequenos docinhos de coco queimado e trufas maciças de chocolate nas mãozinhas ansiosas de Kether e Marlene.

— Um para você, e um para você — ele dizia, com a voz baixa e aveludada, agachado na altura das duas. — Mas prestem muita atenção: degustem devagar. Não ousem devorar tudo de uma vez. Se o estômago de vocês doer e a Tifa descobrir que eu sabotei a festa dela com açúcar, nem as deusas vão conseguir me salvar da fúria daquela mulher. Fui claro?

As duas assentiram freneticamente, os olhinhos brilhando enquanto já sujavam as bochechas de chocolate e coco. Genesis soltou um riso contido e satisfeito, levantando-se para limpar as próprias mãos no guardanapo, sentindo-se o verdadeiro diplomata da festa.

O ritmo da música acústica mudou, as notas do violão e da percussão suave se alongando em uma melodia mais lenta e envolvente. Cloud levantou-se da mesa, estendendo a mão para Tifa com uma reverência sutil que a fez sorrir abertamente. Quando os dedos deles se entrelaçaram, os convidados naturalmente começaram a se aproximar, formando um círculo afetuoso ao redor do pequeno piso de madeira montado sobre a areia para assisti-los.

Nas margens da roda, a família se acomodava para admirar a cena. Barret segurava Marlene no colo, o braço maciço servindo como um assento perfeitamente seguro para a menina, que assistia a tudo com os olhinhos brilhando. Logo ao lado, Sephiroth e Inome dividiam o peso de Kether de uma forma adorável. Os dois estavam de pé, ombro a ombro, unindo os braços para formar uma espécie de cadeirinha improvisada para a filha. Para se equilibrar, a garotinha passava um bracinho gordinho ao redor do pescoço do pai e o outro firmemente no pescoço da mãe, balançando os pés no ar com um sorriso ainda sujo de chocolate enquanto os três assistiam aos noivos.

No centro da pista, Cloud deslizou a mão pelas costas de Tifa, envolvendo a cintura dela e puxando-a para perto com uma firmeza gentil. Tifa repousou as mãos nos ombros dele, e os dois começaram a se mover. Cloud, que em qualquer outra situação seria a definição de rigidez e timidez, parecia flutuar. Havia uma fluidez natural em cada passo que ele dava guiando a esposa, os corpos balançando em perfeita sincronia com a batida da música. A seda do vestido de Tifa esvoaçava a cada giro suave, e o olhar que eles trocavam era tão devotado, tão imerso um no outro, que era impossível para quem assistia não se emocionar com a leveza daquilo tudo.

A poucos passos de distância, Vincent observava a dança com os braços cruzados e a postura impecável de sempre. Genesis, parado ao lado do ex-atirador com uma taça de vinho na mão, inclinou a cabeça levemente, os olhos azuis acompanhando o casal.

— Quem diria... — Genesis murmurou, a voz aveludada carregando um tom de pura apreciação, sem qualquer traço de ironia. — O garoto que mal conseguia formar uma frase sem tropeçar na própria tensão, agora deslizando com tanta facilidade. O afeto tem maneiras curiosas de consertar as pessoas.

Vincent soltou uma respiração lenta, um sorriso discreto e afetuoso curvando os lábios.

— Não é a música que o está guiando, Genesis — Vincent respondeu com a sua voz rouca e serena, acompanhando o momento exato em que Cloud girou Tifa, fazendo a lutadora soltar uma risada cristalina que se misturou ao som do mar. — É ela.

Quando os últimos acordes do violão ecoaram suavemente, Cloud finalizou a dança puxando Tifa para si com um giro lento, parando com as testas coladas e a respiração misturada. Os dois sorriam de forma frouxa e boba, completamente alheios aos aplausos afetuosos que explodiram ao redor deles.

Mas a calmaria durou pouco. Os músicos caiçaras trocaram olhares divertidos e, em um piscar de olhos, o ritmo virou. Uma percussão rápida e animada tomou conta da praia, acompanhada por um violão festeiro que convidava todo mundo a sair das cadeiras.

Kether e Marlene não perderam um segundo. Assim que Inome e Sephiroth colocaram a pequena no chão, as duas meninas invadiram o centro da roda de madeira. A dança delas era o puro caos infantil: elas deram as mãos e começaram a pular e girar no mesmo lugar, rodopiando cada vez mais rápido até que as pernas pequenas perdessem o equilíbrio, caindo sentadas na areia enquanto davam gargalhadas estridentes e ofegantes, apenas para levantar e começar a pular tudo de novo.

Longe do centro da bagunça, Elmyra e Vincent decidiram recuar e se acomodaram em uma das mesas mais próximas. Elmyra ajeitou a saia do vestido de tom pastel, suspirando com um sorriso sereno enquanto pegava uma taça de água saborizada. Ela olhou para a pista, os olhos amendoados brilhando de pura paz.

— Eu confesso que, por muito tempo, tive medo de que esse dia nunca chegasse — Elmyra comentou, a voz mansa flutuando sobre a música animada. Ela virou o rosto para Vincent, que estava sentado com a postura incrivelmente relaxada, os ombros descansados contra a cadeira de madeira.

Vincent olhou para a família pulando e rindo na pista. A luz amarelada da festa refletia em seus olhos enquanto ele acompanhava a bagunça da roda de dança. 

— Eles passaram tempo demais apenas sobrevivendo, Elmyra — Vincent respondeu com a sua voz rouca e baixa, o tom carregado de um afeto genuíno e sereno. Ele ergueu levemente sua taça em um brinde silencioso, observando Cloud rir solto ao lado de Tifa, Inome e Sephiroth. — Aprender a viver de verdade é barulhento, caótico... mas confesso que é a melhor visão que eu já tive em décadas. 

Na pista, a animação havia contagiado a todos. Cloud e Tifa não tiveram nem a chance de voltar para a mesa, pois Inome já havia puxado Sephiroth pela mão direto para o meio da roda. O platinado, que antes fugiria de qualquer situação parecida, deixou-se levar pela energia da esposa. Os quatro formaram uma rodinha animada. Tifa e Inome dançavam e riam soltas, enquanto Cloud acompanhava o ritmo balançando os ombros, o rosto corado, mas visivelmente feliz. Até mesmo Sephiroth movia-se com a música — não havia passos largos ou espalhafatosos, mas a sua elegância natural traduzia-se em movimentos ritmados e um sorriso frouxo que ele sequer tentava disfarçar enquanto olhava para Inome.

A rodinha logo ficou pequena.

Barret invadiu a pista batendo palmas no ritmo da percussão, o grandalhão pisando forte e chamando todo mundo para o centro. Angeal veio logo atrás, rindo abertamente e acompanhando o gingado de forma descontraída, o que só atiçou a competição amigável. E, para coroar a cena, Genesis surgiu deslizando pelo piso de madeira com um giro meio teatral e perfeitamente ritmado, abrindo os braços e se integrando ao círculo sob as risadas de todos.

E ali estavam eles. A família que escolheram ser. Girando, batendo palmas e rindo até perder o fôlego sob a luz das estrelas de Costa del Sol, celebrando o simples e absoluto milagre de estarem todos juntos e vivos.

Na pista de dança, a roda se fechou. Cloud, Tifa, Inome, Sephiroth, Genesis, Barret e Angeal deram as mãos, formando um círculo apertado e caótico que girava no ritmo acelerado da percussão. A energia era contagiante, uma bagunça de passos trocados, risadas sem fôlego e a areia sendo chutada para os lados sob o piso de madeira.

Barret, puxando o ritmo com passadas pesadas e um sorriso imenso, ergueu os braços — puxando as mãos de Tifa e Angeal lá para o alto junto com ele — e soltou um grito que abafou até a música da festa.

— Pro inferno com a calmaria! — Barret berrou, a voz grave ecoando por toda a praia. — Viva os noivos!

O círculo inteiro respondeu em uníssono, pulando ao mesmo tempo.

— VIVA! — o grito coletivo rasgou a noite de Costa del Sol, carregado de uma alegria ensurdecedora.

Eles giraram mais rápido. Cloud ria tanto que os olhos estavam espremidos, os cabelos loiros bagunçados pelo vento e pelo próprio movimento desajeitado da dança. Tifa jogou a cabeça para trás, a gargalhada solta e cristalina misturando-se ao coro de vozes. Até Sephiroth, segurando as mãos de Inome e Genesis na roda, pulou junto, o sorriso largo e frouxo iluminando o rosto enquanto tentava manter o ritmo para não perderem o equilíbrio.

Era o caos perfeito. A celebração absoluta da vida e daquela família barulhenta que eles mesmos haviam escolhido ser, dançando sob as estrelas até que a música e as risadas fossem a única coisa a importar no mundo. 


A madrugada já ia alta quando o último convidado deixou a praia. O silêncio acolhedor e a brisa do mar de Costa del Sol finalmente tomaram conta da sala de estar na casa de Inome e Sephiroth.

No centro do cômodo, Kether e Marlene estavam jogadas de qualquer jeito em um colchão largo no chão, profundamente adormecidas e dividindo uma manta fina. Em uma das poltronas mais confortáveis no canto da sala, Elmyra também havia cedido ao cansaço, ressonando baixinho com a cabeça escorada de lado.

O restante do grupo estava espalhado pelos sofás, aproveitando o fim da noite em um clima de cansaço bom e preguiçoso. Genesis e Vincent dividiam um bule de chá fumegante na mesa de centro, acompanhando a conversa em tom baixo para não acordar ninguém.

Barret, esparramado no sofá, olhou para Cloud com um sorriso contido.

— Sabe, Cloud, a oferta ainda tá de pé — Barret disse, apontando o queixo na direção de Angeal. — Eu e o Angeal podíamos usar mais um cara para trabalhar com a gente. Você leva jeito pra coisa, ia ser uma boa adição pra equipe.

Cloud, que estava sentado no tapete, com as costas encostadas nas pernas de Tifa no sofá, soltou uma risada fraca e balançou a cabeça de imediato.

— Valeu, Barret. Mas vou ter que passar — o loiro respondeu, cruzando os braços de forma relaxada. — Tô exatamente onde eu quero estar agora, não vou arrumar mais sarna pra me coçar.

Angeal deu um tapinha no ombro de Barret, rindo baixo.

— Eu avisei que ele ia negar. Deixa o cara curtir a vida em paz.

Sephiroth, acomodado ao lado de Inome e girando lentamente um copo de água na mão, observava a cena com um sorriso discreto e sereno.

— Pelo menos os peixes dão menos trabalho e não recusam ofertas — o platinado comentou, o tom perfeitamente calmo e casual, revelando seu interesse focado no aquarismo. — Inclusive, o tanque grande precisa de um ajuste no filtro amanhã de manhã.

Genesis quase engasgou com o chá, soltando uma risada aveludada enquanto levava a mão à boca para abafar o som.

— Pelas deusas, Sephiroth... Daqui a pouco você vai fundar a Sociedade dos Peixes e cobrar mensalidade pelas reuniões — provocou Genesis, balançando a cabeça, visivelmente se divertindo com a nova rotina doméstica do amigo.

Do canto da sala, sem sequer abrir os olhos ou mudar de posição, Elmyra murmurou do fundo da poltrona, a voz arrastada de sono.

— Vocês falam demais... deixem os peixes dele em paz e vão dormir...

Uma risada coletiva e silenciosa percorreu a sala, com Inome encostando a cabeça no ombro de Sephiroth para esconder o próprio sorriso.

Vincent encostou a xícara no pires com um estalo suave. Ele olhou para o grupo, o semblante tranquilo refletindo a luz fraca da sala.

— Encontrei mais um bolsão residual de Mako naquelas velhas instalações ao norte — Vincent comentou, a voz rouca soando baixa e casual, referindo-se às suas rotinas de vistoria. — Estou conseguindo conter o que sobrou sem problemas, mas o terreno é extenso. Se quiser esticar as pernas e sair um pouco da areia, Cloud, eu poderia usar a sua ajuda na próxima varredura.

Cloud acomodou a cabeça contra as pernas de Tifa no sofá e soltou uma risada nasalada.

— Passo, Vincent. Já gastei a minha cota de cavernas, ruínas e Mako para umas três vidas. Não chego mais perto disso.

Inome, ainda apoiada no ombro de Sephiroth, apontou o dedo na direção de Cloud com um sorriso divertido.

— Bom, se o problema é o ambiente de trabalho, a Tia Lani me falou ontem que a barraquinha dela tá precisando de um garçom urgente. Você tem cara de quem leva jeito pra carregar bandeja, e o pagamento é em bolinho de coco.

Tifa soltou uma gargalhada gostosa, bagunçando levemente os cabelos loiros do marido antes de olhar para o resto do grupo na sala.

— Vocês podem parar de tentar recrutar ele. Agradecemos as ofertas, mas nós dois já decidimos o que vamos fazer — Tifa abriu um sorriso largo, os olhos brilhando com a perspectiva do futuro. — Vamos abrir o nosso próprio negócio aqui. Um bar e restaurante de frente para o mar, e o Cloud vai montar um serviço de entregas e transportes rápidos pela costa. O novo Sétimo Céu.

Cloud ergueu o olhar para Tifa, o sorriso frouxo e devotado surgindo no rosto outra vez.

— Entregas de dia, e lavando os copos no bar à noite — Cloud completou, perfeitamente em paz com a ideia.

Barret abriu um sorriso imenso, erguendo o polegar em aprovação, enquanto Genesis erguia a xícara de chá num brinde silencioso. A vida deles, com todas as conversas fiadas na madrugada, as recusas de trabalho e as promessas de um futuro simples, estava perfeitamente no lugar.

Barret ajeitou a postura no sofá, cruzando os braços grossos e suspirando devagar. Ele olhou para o casal com uma expressão um pouco mais saudosa.

— Então é definitivo... vocês dois vão mesmo embora de Kalm? — Barret perguntou, confirmando o que a revelação sobre o novo Sétimo Céu e o serviço de entregas já deixava claro.

Cloud e Tifa assentiram. A cidade de Kalm tinha sido um refúgio essencial, mas Costa del Sol, com o mar e o resto da família por perto, seria o lar definitivo deles a partir de agora.

Angeal soltou um suspiro leve enquanto olhava para a garotinha jogada de qualquer jeito no colchão no meio da sala.

— A Marlene vai sentir muita falta de você, Tifa — Angeal comentou, a voz carregando um tom inegável de afeto. — Ela se acostumou mal a ter você por perto o tempo todo lá em Kalm.

Tifa abriu um sorriso terno, os olhos castanhos transbordando carinho ao observar o rostinho adormecido da menina.

— E eu vou sentir a falta dela todos os dias. Mas isso só significa que vocês não têm desculpa, terão que descer para Costa del Sol com muito mais frequência agora — Tifa decretou, apontando o dedo de brincadeira na direção de Angeal e Barret. — E não pensem que é só para visitar a mim e ao Cloud. O Sephiroth e a Inome também vão exigir ver a sobrinha.

Inome concordou com um aceno vigoroso de cabeça, enquanto Sephiroth apenas deu um sorriso sutil, apoiando silenciosamente a intimação.

Do outro lado da mesa de centro, Genesis não deixou a oportunidade passar. Ele repousou a xícara de chá no pires com elegância e lançou um olhar perfeitamente debochado na direção de Angeal.

— Eu já faço o meu papel maravilhosamente bem. Venho para o litoral com uma frequência invejável, como os donos da casa podem atestar — Genesis provocou, um sorriso de canto presunçoso desenhando-se no rosto. — Vocês deviam se espelhar em mim, Angeal. Menos desculpas, mais viagens para a praia.

Angeal revirou os olhos, soltando um bufo exasperado que fez Barret rir pelo nariz.

— Eu adoraria ter essa sua disponibilidade ilimitada, Genesis. Mas, ao contrário de você, eu tenho trabalho de verdade e uma criança que precisa de rotina e horários — Angeal retrucou, cruzando os braços, o tom firme, mas carregado da velha cumplicidade de sempre. — Alguém tem que ser o adulto funcional dessa família.

Genesis dispensou a alfinetada com um abano preguiçoso de mão, ajeitando-se na poltrona.

— Bobagem. Lá em Kalm eu cuido maravilhosamente bem da Marlene, e aqui em Costa del Sol eu sou a babá oficial da Kether. Você que está cheio de desculpinhas esfarrapadas, Angeal. Assuma logo que tem preguiça de pegar a estrada.

Angeal abriu a boca para rebater a audácia, mas foi cortado antes mesmo de formular a frase.

Sephiroth, que até então apenas acompanhava o debate doméstico com um sorriso contido, acomodou melhor as costas no sofá e fez uma observação com a sua típica voz mansa e inabalável, sem tomar o partido de nenhum dos dois.

— Se a sua definição de "cuidar" envolve contrabandear trufas de chocolate e ensinar as duas a extorquir doces dos convidados no meio de um casamento... então devo admitir, Genesis, que o seu trabalho é absolutamente impecável.

A sala foi preenchida por risadas baixas e abafadas. Barret tentava não rir alto para não acordar as meninas, Tifa escondia o rosto no ombro de Cloud, e até Angeal balançava a cabeça, perfeitamente vingado pela observação. Genesis apenas ergueu a xícara de chá em um brinde silencioso e orgulhoso na direção de Sephiroth, sem o menor pingo de culpa.

Vincent descansou o cotovelo no braço da cadeira.

— A disciplina, claramente, não faz parte do seu método — ele comentou com a voz rouca, o olhar sereno e divertido acompanhando a troca de farpas.

Barret bufou, ajeitando-se no sofá para defender sua cria.

— Minha Marlene é muito educadinha, valeu? — ele rebateu, apontando o dedo na direção de Genesis. — Ela só perde a linha quando você resolve estragar a rotina dela com açúcar e baderna.

Genesis apenas sorriu, girando a xícara de chá nas mãos com uma calma inabalável.

— Um mero detalhe, Barret. O que realmente importa é que eu já estou assegurando o meu futuro — Genesis retrucou e, em seguida, apontou graciosamente a xícara na direção de Inome e Sephiroth. — Quando o segundo filho de vocês nascer, eu exijo ser nomeado o padrinho oficial. E quero as bênçãos de um celebrante, devidamente documentado, para que não haja contestações sobre a minha supremacia no cargo.

Uma onda de risadas baixas e sinceras tomou conta da sala, aquecendo a madrugada. Tifa ergueu a cabeça do ombro de Cloud, fingindo indignação absoluta enquanto ria.

— Ah, nem pensar! Pode ir tirando o cavalinho da chuva! — Tifa protestou, apontando para si mesma. — A Inome acabou de ser minha madrinha de casamento, é óbvio que eu serei a madrinha do bebê! Você chegou atrasado para essa vaga, Genesis.

Inome balançou a cabeça, rindo abertamente enquanto descansava a mão de forma instintiva e protetora sobre o próprio ventre. Sephiroth passou o braço ao redor dos ombros dela, visivelmente relaxado e divertindo-se com a disputa acirrada no meio de sua sala de estar.

— Vocês estão brigando por um bebê que ainda nem saiu daqui de dentro — Inome interveio, os olhos amarelados brilhando de diversão ao encontrar a solução perfeita. — Mas, para manter a paz nesta casa, nós dividimos os cargos. Tifa fica como a madrinha oficial e conselheira para garantir a educação, e o Genesis assume o título exclusivo de padrinho do contrabando de doces e do caos. Todo mundo sai ganhando.

Tifa torceu o nariz, soltando um muxoxo divertido enquanto fazia uma careta perfeitamente infantil na direção do poeta. Genesis, incapaz de deixar qualquer desafio passar em branco, semicerrou os olhos e devolveu a careta com a mesma intensidade, empinando o nariz e erguendo a xícara de chá em um gesto de pura afronta.

Observando a troca silenciosa, Sephiroth não conseguiu se conter. Os ombros largos do platinado sacudiram em uma risada grave e relaxada, achando uma graça genuína na cena que se desenrolava no meio de sua sala de estar.

Angeal soltou um suspiro profundo e massageou as têmporas, balançando a cabeça para o amigo de infância.

— É impressionante, Genesis. Você tem a postura de um lorde, mas consegue ser um crianção pior do que a Kether e a Marlene juntas — Angeal sentenciou, a voz transbordando o cansaço bem-humorado de quem aturava aquilo há anos.

Uma nova onda de risadas tomou conta do ambiente, ecoando pelas paredes da casa e se misturando ao barulho distante do mar sob a madrugada de Costa del Sol. O som era leve, despreocupado e cheio de vida, fechando a noite com o conforto absoluto de uma família que, apesar de todo o caos, finalmente estava completa e em paz.

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