quinta-feira, 18 de junho de 2026

Final Fantasy VII: Beyond Crisis - Capítulo 8

 

O rugido que ecoou pelas paredes metálicas do Reator de Nibelheim não tinha nada de humano; era o som de carne se rasgando e ossos se moldando à força oculta do Mako. Antes mesmo que a poeira da entrada se dissipar, a criatura que outrora fora Genesis avançou como um borrão cinzento e grotesco. Zack impulsionou o corpo para a frente, interceptando o primeiro golpe de garras com a lâmina pesada da Espada Buster, o impacto gerou uma chuva de faíscas que iluminou a penumbra do reator.
Foi nesse milésimo de segundo de caos que Cloud ouviu passos rápidos na passarela de ferro atrás deles. Ele olhou sobre o ombro e seu coração congelou: era Tifa. Ela os havia seguido subindo a montanha, com os olhos arregalados, o peito arfante e a mente completamente confusa com o retorno abrupto deles àquela instalação proibida.
— Tifa! Dá meia volta! Se afasta daqui agora! — Cloud berrou, a voz esganiçada pelo pânico puro ao ver a garota de sua infância pisando no epicentro de um pesadelo.
Ele largou a postura de ataque e deu meia volta, correndo na direção dela para empurrá-la de volta para a saída. Mas o Genesis que os enfrentava não tinha mais discernimento tático, apenas uma fome cega de destruição. Sentindo a movimentação atrás de si, o monstro girou o torso de forma não natural e desferiu um golpe colossal às cegas com sua asa mutante de penas rígidas como navalhas.
O impacto foi brutal e sonoro. A asa deformada atingiu Tifa em cheio antes que Cloud pudesse alcançá-la, arremessando o corpo da morena violentamente contra a parede de aço do reator. Ela desabou de imediato na passarela de grade, inconsciente, com um filete de sangue escorrendo pelo supercílio. Cloud foi jogado ao chão pelo deslocamento do ar, estendendo a mão desesperadamente em direção a ela, enquanto Zack, sozinho na linha de frente, gritava pelo companheiro enquanto tentava segurar a fúria implacável da besta.
Diante de Tifa estirada no chão pelo impacto brutal, o desespero paralisou Cloud. Ele desabou de joelhos ao lado dela, tateando o pulso da garota em uma tentativa frenética de reanimá-la, engolido pela própria impotência diante do caos. Percebendo que o perigo à integridade deles era imediato, Zack assumiu a vanguarda. O SOLDIER de 1ª Classe brandiu a imensa lâmina negra, arremessando-se contra a abominação para prender sua atenção bem longe dali.
O confronto que se desatou virou um teste de sobrevivência absoluto. Genesis atacava com uma velocidade errática e feroz, traçando trajetórias aéreas quase impossíveis de antecipar. O aço maciço da arma de Zack colidia contra as garras e os apêndices rígidos do oponente, arrancando estalos metálicos e uma cortina de faíscas que iluminava as paredes de ferro. O rapaz esgotava seu repertório de combate, forçando fintas e golpes pesados, mas a couraça escamosa do rival absorvia o impacto de forma assustadora.
A resposta veio em uma sequência devastadora: rajadas de energia purpurada disparadas pelas pontas dos dedos mutantes cortaram o ar. Um desses feixes atingiu o peito de Zack em cheio, arremessando seu corpo contra os painéis de controle centrais. A fiação explodiu em curto-circuito, banhando o chão numa chuva estática.
Tossindo sangue por trás do traje estraçalhado, ele se reergueu no puro reflexo, embora seu físico clamasse por trégua. Genesis veio para o xeque-mate, projetando sua silhueta massiva em uma investida sufocante. Zack conseguiu erguer a defesa na horizontal a milímetros de seus olhos. A violência do impacto foi tamanha que o impeliu de joelhos contra o piso gradeado, fazendo o metal gemer sob o esforço.
O suor misturado ao sangue nublava os olhos do espadachim. Suas articulações estalavam sob a força desumana exercida contra ele; a resistência restante escoava a cada fração de segundo. Por cima do ombro da criatura, ele avistou o recruta paralisado pelo choque, assistindo àquela ruína iminente.
Reunindo o sopro de ar que ainda lhe restava nos pulmões, Zack rugiu:
— Cloud! Agora! Acaba com ele!
Só então o recruta despertou do transe. Largando o lado de Tifa, ele disparou em direção ao epicentro da batalha. No mesmo milésimo de segundo, Zack concentrou o último resquício de energia de suas fibras musculares e empurrou a defesa para cima com um urro, repelindo as garras de Genesis e abrindo a guarda do monstro por uma fração de segundo. Com um movimento rápido e preciso, Zack liberou a arma e a arremessou pelo cabo, fazendo a lâmina maciça girar no ar na direção do companheiro.

Cloud saltou da passarela, estendendo os braços. Seus dedos fecharam-se com firmeza absoluta ao redor do couro que revestia o cabo da Espada Buster em pleno voo. Sentindo o peso colossal da arma guiar seu próprio ímpeto, ele desceu do salto com um corte vertical e devastador, rasgando o ombro de Genesis. 
O impacto do primeiro corte não aplacou a mente de Cloud; serviu como o estopim para uma fúria cega que explodiu de seu peito. Um rugido animalesco rasgou a garganta do recruta. Sem demonstrar qualquer pingo de piedade, ele desferiu uma sequência frenética e implacável de golpes com a Espada Buster, fatiando a couraça da abominação.
No meio do massacre de aço, a besta reagiu por puro instinto de sobrevivência. Genesis projetou suas garras extensas e afiadas para a frente, cravando-as com força total no peito de Cloud. As garras atravessaram o torso do garoto, suspendendo-o levemente e prendendo-o contra a carcaça do monstro em um empalamento brutal que verteu sangue instantaneamente.
Mas o recruta não recuou. Em vez de tentar se afastar, ele usou a própria dor e aquela proximidade forçada como uma âncora para o contra-ataque. Ignorando a carne perfurada, Cloud simplesmente travou os dentes e intensificou a barbárie. Mesmo preso e sangrando, ele continuou a fatiar a criatura sem hesitar. A lâmina maciça subia e descia a queima-roupa, retalhando as escamas acinzentadas e os apêndices de Genesis. Pedaços de penas rígidas e jorros de um fluido escuro contaminado por Mako voavam pelas grades da passarela a cada impacto, enquanto o garoto descarregava ali toda a angústia de ver Zack de joelhos e Tifa desfalecida.
Genesis recuou cambaleante assim que as garras finalmente cederam, com o peito aberto em fendas profundas de onde a energia purpurada escapava como fumaça. Sob o impacto do último golpe vertical, o monstro desabou de joelhos, o corpo tremendo enquanto a mutação começava a colapsar.
Naquele último suspiro de vida, o brilho escarlate e selvagem dos olhos da criatura vacilou, apagando-se para dar lugar, por uma fração de segundo, às órbitas opacas e humanas do que ele fora um dia. Um filete de sangue escuro escorreu por seus lábios desalinhados. Erguendo minimamente o rosto em direção ao teto do reator, sua voz ecoou num sussurro fraco e arrastado, encontrando lucidez no poema que moldou sua existência:
...Mesmo que o amanhã seja desprovido de promessas... — Genesis balbuciou, a consciência esvaindo-se enquanto o corpo começava a pender para a frente. — ...Nada... impedirá o meu... retorno...
Com a última sílaba do quinto ato de LOVELESS, a luz em seus olhos apagou-se por completo. O corpo desfigurado tombou inerte contra o ferro frio da passarela, desmanchando-se em uma poça de Mako estagnado e deixando o reator mergulhado em um silêncio pesado e sufocante.
A adrenalina que sustentava as pernas de Cloud dissipou-se de uma só vez, e o impacto dos ferimentos finalmente cobrou o seu preço. Com o peito lanhado vertendo sangue, o recruta desabou pesado na passarela, caindo bem ao lado de Zack.
O guerreiro de 1ª Classe, com a respiração cortada e estendido sobre o metal frio, virou minimamente o rosto na direção do garoto. Um sorriso fraco, quase imperceptível, cruzou seus lábios manchados de carmesim.
— Nós... conseguimos... — Zack sussurrou, a voz sumindo no ar.
Não houve espaço para respostas. A escuridão engoliu a visão de ambos quase simultaneamente. Os dois corpos estancaram inertes no piso do reator, completamente desprovidos de consciência, entregues apenas à dor lancinante que tomava conta de cada fibra de seus corpos.

O silêncio estagnado que se seguiu à queda de Genesis durou cerca de dez horas, quebrado apenas pelo gotejar constante de fluidos e pelo zumbido moribundo dos geradores do reator. Esse marasmo foi rompido pelo estalo hidráulico das comportas principais se abrindo, ecoando pelo metal escuro.
Passos cadenciados e precisos avançaram pela passarela, acompanhados pelo farfalhar discreto de um jaleco laboratorial. O Professor Hojo liderava uma equipe de contenção da Shinra que imediatamente se espalhou pelo local. O cientista parou diante dos corpos inertes de Zack e Cloud, ajeitando os óculos redondos com a ponta do indicador enquanto um sorriso cínico e desprovido de qualquer empatia moldava seus lábios.
Ele observou o sangue misturado ao Mako purpurado no chão, analisando o estado biológico de ambos com o desapego clínico de quem estuda parasitas em uma lâmina de vidro.
“Heh... que reviravolta perfeitamente proveitosa”, Hojo pensou, os olhos brilhando por trás das lentes. “A resistência física do SOLDIER combinada à maleabilidade celular deste infante... Serão receptáculos esplêndidos para a substância de JENOVA.”
Com um aceno de mão negligente, ele gesticulou para os subordinados:
— Recolham esses espécimes. Levem-nos para o laboratório do subsolo e preparem as cápsulas de imersão. Monitorem as flutuações vitais; não tolerarei desperdício de matéria-prima.
Enquanto os soldados içavam os corpos desacordados, Hojo virou as costas e subiu lentamente os degraus de ferro em direção à câmara principal do reator, onde a estrutura da calamidade dos céus estava confinada. Com a calma de quem executa uma rotina de escritório, ele desativou os lacres de pressão, ignorando o vapor gélido que escapava do vidro protetor, e removeu a cabeça de JENOVA, sustentando o emaranhado de cabos e carne alienígena entre os dedos enluvados.
Erguendo a relíquia biológica na altura dos olhos, ele contemplou as feições grotescas do espécime e balbuciou com sua típica cadência arrastada, fria e levemente escarninha:
Sephiroth... nenhum sinal biológico detectável nos arredores. Desaparecido na torrente, meu outrora perfeito espécime... E tudo o que me resta aqui são dois traidores desfalecidos. Heh heh... Que lástima. Diante de tamanha falha na coleta de dados, parece que a ciência exigirá que eu faça as honras deste Mako com as minhas próprias mãos.
Quatro longos anos se arrastaram naquela penumbra estéril. Quatro anos de infusões diárias, agulhas perfurando a pele e o bombardeamento ininterrupto de Mako concentrado misturado às células de JENOVA nos laboratórios subterrâneos da Mansão Shinra.
Durante todo esse tempo, os dois homens tomaram rumos completamente opostos. Cloud sucumbiu quase de imediato, afundando em um estado vegetativo severo, virando uma casca catatônica de olhos estáticos que mal percebia o que acontecia ao seu redor. Zack, por outro lado, ostentava a resistência implacável de um SOLDIER de 1ª Classe. O rapaz combatia e absorvia os experimentos de forma ativa, lutando com todas as suas forças contra os efeitos das células alienígenas. Para Hojo, ver Zack resistir a toda aquela tortura sem quebrar era o ápice de sua pesquisa obsessiva.
Porém, a arrogância do cientista cobrou seu preço em um fatídico dia de distração. Concentrado diante dos monitores, murmurando anotações febris sobre as reações de Cloud, Hojo cometeu o erro de negligenciar os sinais de alerta e a vitalidade de Zack.
O aviso veio com o som ensurdecedor de vidro temperado estraçalhando.
Em um surto de pura força de vontade e instinto de sobrevivência, Zack quebrou a cápsula de dentro para fora. O líquido esverdeado lavou o chão do laboratório entre milhares de estilhaços. Tossindo e arfando, o rapaz cambaleou, mas sua visão focou instantaneamente na Espada Buster, guardada em um suporte metálico ali perto. Ele avançou, os dedos fechando-se ao redor do cabo familiar, e partiu com tudo para cima do cientista, erguendo a lâmina pesada para acabar com o carrasco de uma vez por todas.
O que ele não esperava era que Hojo já não guardasse quase nada de sua frágil humanidade.
Ao perceber a aproximação do aço, o cientista soltou uma gargalhada estridente e histérica. Ele não recuou; em vez disso, usou os novos poderes ocultos que vinha injetando em si mesmo. A pele de seu pescoço e braços rasgou-se de dentro para fora, mas não para dar lugar à massa muscular bruta de um monstro comum. O torso de Hojo inflou e se distorceu, rasgando o jaleco enquanto uma couraça de placas negras e brilhantes, similar ao casco de uma criatura abissal, cobria seu peito de forma assimétrica.
Seus dedos se alongaram em garras ósseas e afiadas, vertendo um fluido ácido e purpurado. O rosto do cientista derreteu parcialmente para o lado esquerdo, onde múltiplos olhos avermelhados brotaram em um arranjo grotesco, piscando de forma desalinhada, enquanto o braço direito se transformava em uma lâmina cinzenta e serrilhada.
Com uma velocidade absurdamente desumana para aquele homem outrora decrépito, Hojo ergueu o membro transformado, aparando o golpe da Espada Buster no ar com um estalo seco que jogou Zack um passo para trás, pronto para revidar de imediato.
O contra-ataque de Hojo não foi apenas veloz, foi devastador. No milésimo de segundo em que Zack recuou do primeiro bloqueio, a lâmina serrilhada do cientista cruzou o ar em um ricochete violento, partindo a guarda do rapaz. Antes que a Espada Buster pudesse retornar à posição de defesa, Hojo cravou suas garras em forma de agulha diretamente no flanco de Zack. O fluido ácido e purpurado injetado pelas pontas dos dedos começou a corroer a carne e a queimar as fibras musculares por dentro.
Zack soltou um grito sufocado, o impacto o jogando de joelhos enquanto o sangue fervia sob o efeito da toxina.
Insaciável, a abominação avançou para o golpe de misericórdia. Hojo ergueu o braço transformado em lâmina e desceu um corte vertical com força opressiva, mirando a cabeça dohomem. Zack jogou o corpo para o lado no puro instinto, mas a esquiva custou caro: a lâmina de queratina rasgou profundamente o seu peito, abrindo um talho violento que expôs o traje estraçalhado.
A força do golpe que passou raspando foi tamanha que o membro de Hojo continuou a trajetória, colidindo com força total contra o cilindro de vidro logo atrás: a cápsula de Cloud.
O impacto foi destrutivo. O vidro temperado estraçalhou-se por completo sob a fúria do cientista, liberando uma enxurrada de Mako verdejante que inundou o laboratório. Junto com a torrente de fluido, o corpo fragilizado e totalmente inerte de Cloud desabou no chão, tossindo debilmente enquanto o líquido corria pelas grades de escoamento.
Zack caiu de bruços, no chão ao seu redor manchado por um carmesim denso. Ele tentava respirar, mas seus pulmões falharam sob os ferimentos brutais provocados por Hojo.
O cientista, observando o estrago, parou o ataque. Os múltiplos olhos insetoides na lateral de seu rosto focaram nos painéis destruídos do laboratório e depois no líquido que escoava. Uma risada distorcida, aguda e ecoante escapou de sua garganta deformada. Ele percebeu que prolongar aquela execução física ali seria uma perda de tempo inútil; o ambiente estava arruinado e os dados daquela fase já haviam sido completamente corrompidos.
Sem qualquer aviso, a estrutura massiva de Hojo começou a perder a nitidez. O contorno de sua carcaça de quitina desfez-se instantaneamente em jorros de uma fumaça densa, escura e purpurada, que subiu em espirais rápidas pelo teto. Em segundos, a névoa dissipou-se por completo nas sombras das tubulações, sem deixar um único vestígio físico para trás, restando apenas o eco de seu deboche sumindo no ar.
O silêncio retornou, cortado apenas pelo alarme de violação do subsolo. Zack, com o corpo quebrado, a carne queimada pelo ácido e o peito jorrando sangue, reuniu a última gota de sã consciência que lhe restava. Ele não tinha minutos decorridos, tinha segundos de vida.
Arrastando-se pelo chão inundado de Mako, ele usou a Espada Buster como apoio para se erguer. Agarrando Cloud pelo colarinho com os braços trêmulos, Zack reuniu uma força sobre-humana e agonizante para empurrar e arrastar o amigo para fora daquela sala de testes, subindo os degraus em direção à saída da propriedade em ruínas.
Já nos limites de Nibelheim, sob um céu cinzento e pesado, as pernas do homem finalmente cederam de vez. Ele desabou na terra batida, o peito parando de inflar. Cloud caiu logo ao lado, com os olhos fixos no vazio, a mente fragmentada.
Zack, com a visão escurecendo rapidamente, usou suas últimas forças para deitar a lâmina maciça da Espada Buster sobre o peito de Cloud, forçando os dedos fracos do garoto a se fecharem ao redor do cabo de couro.
— Cloud... — Zack balbuciou, o sangue escorrendo pesado por sua boca. — Você tem... que viver. Por mim também.
Cloud não respondeu com palavras, mas um leve tremor cruzou suas pupilas ao sentir o calor do sangue do amigo na arma.
— Minhas conquistas... meus sonhos... — Zack sorriu fraco, os olhos perdendo o foco enquanto o coração dava as últimas batidas. — Em meu nome... viva. Você... é o meu legado vivo.
A escuridão gélida e a dor excruciante que sufocavam o peito de Zack começaram a se dissipar, dando lugar a uma sensação de leveza absoluta. Quando ele abriu os olhos novamente, o cenário acinzentado de Nibelheim havia sumido. Ele flutuava em um oceano de energia etérea, onde correntes de luz verde-esmeralda pulsavam suavemente ao seu redor. Sua consciência — sua própria alma — estava imersa no Lifestream.
Antes mesmo que pudesse processar a transição, Zack sentiu um abraço acalorado vindo por trás de si, envolvendo seus ombros com uma ternura que ele não experimentava há eras. Ao se virar devagar naquela calmaria espiritual, seus olhos encontraram as feições familiares de Aerith. Ela o olhava com os olhos brilhantes, exibindo um sorriso profundamente carinhoso.
— Você voltou, Zack... — ela disse, num tom carinhoso. — O Cloud...
— Viveu, mais uma vez... — Zack completou, mas seu tom era triste, carregando uma melancolia que ecoou pelas correntes de energia. — Nessa vida, sequer te conheci pessoalmente, Aerith. Eu morri de novo, sem sentir você perto de mim.
O sorriso de Aerith suavizou-se, tornando-se uma expressão preocupada, mas ainda impregnada de afeto. Ela estendeu as mãos e acariciou o rosto dele com suavidade, o toque transmitindo um conforto imediato que pareceu curar as cicatrizes invisíveis de sua jornada.
— Você, ao menos, me viu nos seus sonhos... — ela confortou, mantendo o olhar fixo no dele. — Foi calmo com a novata, deu um apoio maior ao Sephiroth, como te pedi... e salvou o Cloud.
Zack fechou os olhos e a puxou para um abraço apertado, segurando-a com força contra o peito, como se tentasse compensar toda a distância e o vazio daquela linha do tempo.
— Por favor, cuide do Cloud.
Aerith soltou uma risada curta e doce, achando graça de um pedido tão retórico vindo dele.
— Como em todas as realidades, meu amor. Eu vou cuidar dele.
No entanto, o semblante dela mudou logo em seguida. Aerith se afastou minimamente do abraço, o olhar perdendo-se por um instante nas correntes esmeraldas do Lifestream enquanto uma nova preocupação tomava conta de seus pensamentos.
— Mas nosso problema é outro... — ela continuou, pensativa. — Salvamos o Sephiroth... mas o Hojo... ele se desestabilizou.
Zack sorriu de canto, deixando que um pouco daquela sua velha autoconfiança brilhasse mesmo ali, no meio do fluxo etéreo.
— Temos o Sephiroth do nosso lado, dessa vez...
Aerith estendeu o indicador e acariciou a ponta do nariz dele, sorrindo de leve com o otimismo implacável do namorado.
— Mas será que ele será capaz sozinho? — ela se questionou, a voz ecoando suave pelas correntes esmeralda. — Ele não tem a conexão com a cabeça de Jenova e aquela força monstruosa do Mako purpurado que Hojo tomou para si.
Ela voltou a fitá-lo nos olhos, com a expressão firme e determinada.
— Farei de tudo para que ele encontre o Vincent... Ele sabe de muitas coisas.
Zack olhou para ela com curiosidade, uma pontada de dúvida surgindo em sua expressão. Ele soltou um sorriso curto, um pouco desacreditado com a audácia da ideia.
— Como?!
Aerith retribuiu o olhar, mas com um brilho de determinação antiga nos olhos, mantendo a calma típica de quem compreende a imensidão do planeta.
— Com meu dever, como uma Cetra. Eu converso com o planeta, esqueceu? 
Ela inclinou-se e depositou um beijo terno na testa de Zack. Com o gesto, as correntes esmeraldas do Lifestream pareceram suavizar o ritmo, e até o peso da perda pareceu se dissipar. Ali, nos braços dela, o mundo finalmente parecia mais leve.
Enquanto isso, longe dali, no plano físico, a realidade cobrava seu preço cruel.
Sob um céu implacável, Cloud arrastava os pés pelas areias desérticas. O corpo estava exausto, os passos eram trôpegos e a mente encontrava-se completamente desorientada, estraçalhada pelo envenenamento crônico por Mako e pelo trauma do que acabara de viver. O suor limpava caminhos na fuligem de seu rosto enquanto ele avançava sem rumo, segurando a imensa arma que agora lhe pertencia.
O mundo ao seu redor era um borrão confuso de calor e poeira, mas em meio ao nevoeiro de sua consciência fragmentada, uma única voz ecoava, fincando-se como sua única âncora de realidade. Ele repetia mentalmente, compassado com o ritmo pesado de seus passos:
Minhas conquistas... meus sonhos... Em meu nome... viva. Você... é o meu legado vivo.
O ronco abafado de um motor a diesel cortou a imensidão árida daquele deserto. Erguendo uma densa cortina de poeira cinzenta, uma picape utilitária militar pesada, com a lataria arranhada e os símbolos da Shinra parcialmente raspados à faca, começou a reduzir a marcha bruscamente ao avistar a silhueta trôpega no horizonte. Os pneus largos cantaram no cascalho, fazendo o veículo guinar de lado até parar a poucos metros do rapaz.
A porta do motorista foi aberta num estrondo. Uma voz potente, carregada de um desespero que contrastava com sua imponência habitual, ecoou pelo deserto:
— Clooooooooooud!
Era Angeal. O lendário SOLDIER de 1ª Classe saltou da cabine antes mesmo que a poeira baixasse. Ele havia desertado da Shinra logo após os trágicos eventos no Reator de Nibelheim; a revelação das monstruosidades de Hojo e a podridão da diretoria da empresa quebraram qualquer senso de honra que ele ainda mantinha pela corporação. Recusando-se a ser um peão em um tabuleiro de tortura, ele roubou o veículo militar, apagou os registros e partiu em uma busca implacável e solitária pelas estradas de terra profunda, movido pela esperança desesperada de encontrar qualquer sobrevivente de sua antiga Vanguarda — caçando qualquer rastro de Sephiroth, Zack e até mesmo de Genesis. 
Angeal correu na direção do recruta com passos pesados. Porém, à medida que se aproximava, o choque fez suas pernas vacilarem.
Seus olhos não focaram apenas no estado deplorável do garoto, mas sim na lâmina colossal que ele arrastava pela areia. O metal maciço, o cabo revestido de couro gasto e as marcas de sangue fresco. Era a Espada Buster. A arma que pertenceu à sua própria família, o símbolo de honra que ele havia confiado a Zack.
Ver aquela espada nas mãos de um Cloud catatônico e ferido dizia tudo o que Angeal mais temia saber, sem que uma única palavra precisasse ser dita.
Cloud estancou os passos trôpegos na areia. Por um breve segundo, o nevoeiro em seus olhos brilhantes de Mako pareceu se dissipar, mas não para dar lugar ao recruta tímido do Edifício Shinra. Suas feições esticadas pela exaustão relaxaram, moldando-se em um sorriso cansado, porém teimoso e absurdamente familiar. Ele ergueu a mão livre em uma saudação militar desajeitada, com a exata mesma cadência e leveza que Zack usaria.
— E aí, Angeal... — a voz de Cloud saiu arrastada, mas o tom era o de um rapaz orgulhoso voltando de combate. — Pensei que você não vinha mais para o resgate. Foi mal o estrago nas coisas... mas eu dei um jeito por lá.
O peito de Angeal apertou de uma forma insuportável. O choque de ouvir a alma e a vivacidade de seu pupilo falecido ecoando diretamente da boca daquele garoto quebrado revelava a extensão do estrago que os experimentos de Hojo haviam feito na mente dele. A identidade de Cloud havia se fundido ao trauma.
Engolindo o nó na garganta e segurando o luto que ameaçava desabá-lo ali mesmo, o veterano deu um passo à frente. Angeal estendeu a mão pesada e deu tapinhas nas costas dele, bem delicadamente, servindo de apoio para que o corpo debilitado do rapaz não desmoronasse na areia.
— Garoto... — Angeal disse, a voz embargada e baixa. — Que bom te ver vivo... que bom...
Cloud devolveu os tapinhas no ombro de Angeal, com a mesma espontaneidade e leveza que o veterano estava acostumado a receber de seu verdadeiro pupilo. O rapaz então virou o rosto na direção da picape utilitária, ajustando a postura como se o peso da Espada Buster não fosse nada, ignorando completamente os ferimentos graves que cruza-vam seu torso.
— Vamos... — o rapaz disse, exatamente na mesma tonalidade firme e focada de Zack. — Eu tenho que conversar com a Aerith.
Angeal piscou algumas vezes, a confusão nublando seus olhos por um instante. O nome da garota sequer deveria estar no radar do recruta, e a menção abrupta só tornava tudo mais misterioso e doloroso. Segurando o turbilhão de perguntas para um momento mais seguro, o veterano soltou um suspiro pesado, mas compreensivo.
— Vamos para a minha casa primeiro, rapaz. Eu estou morando nos quartos do Sétimo Céu — Angeal explicou, abrindo a porta do passageiro para ajudar o jovem a subir, enquanto exibia um sorriso confortante. — Você vai gostar deles. São ótimas pessoas.
Do outro lado do mundo, nas montanhas congeladas de Icicle Inn, a noite já havia caído há horas. O vento gélido uivava do lado de fora, mas dentro da cabana improvisada que os dois arranjaram para se abrigar, o ambiente era silencioso. Sephiroth e Inome dormiam abraçados, buscando o calor um do outro sob as cobertas pesadas.
A mente de Sephiroth, no entanto, estava longe dali, imersa em uma sequência de sonhos estranhos e desconexos. Ele se viu caminhando por uma caverna subterrânea e úmida, cujas paredes de pedra pareciam pulsar com uma energia antiga. No centro desse isolamento, escondido nas profundezas de um porão abandonado, repousava um caixão ornamentado e pesado, cercado por uma névoa densa. Havia uma presença dormente ali dentro, alguém envolto em um manto carmesim que parecia esperar para ser despertado.
Aquela visão não parecia um mero fruto de sua imaginação. Tinha o peso de uma resposta.
Nesses quatro longos anos, o casal vinha lutando arduamente, cruzando continentes atrás de qualquer fragmento de informação para descobrir quem realmente foi Lucrecia. A busca havia sido exaustiva, mas os resultados eram escassos. Ao longo desse tempo, eles apenas souberam que ela havia nascido em um vilarejo distante e conseguiram localizar a certidão de óbito da mãe dela em um cartório antigo. Porém, o paradeiro da própria Lucrecia continuava um mistério absoluto; não havia registros de seu funeral, nenhuma lápide com seu nome no cemitério da família, nada. Era como se ela tivesse sido deliberadamente apagada do mundo. Até agora.
Sephiroth acordou de supetão, os olhos brilhando levemente na penumbra da cabana. A respiração estava compassada, mas a mente trabalhava rápido. Ele se virou devagar para não assustá-la e estendeu a mão, acariciando o ombro de Inome com suavidade para despertá-la.
— Inome... — Ele disse calmamente, com sua voz que, embora ainda soasse um pouco rígida e contida, agora carregava uma leveza muito mais genuína do que nos tempos de Shinra. — Acorde...
Ele esperou que ela abrisse os olhos, o semblante demonstrando uma surpresa contida com o teor daquele sonho, como se tivesse acabado de receber um sinal claro que não podia se dar ao luxo de esquecer.
— Mhmm... hmmm? — Inome murmurou baixinho, piscando vagarosamente enquanto coçava os olhos com as costas da mão para afastar o sono.
Na penumbra da cabana, os dois usavam trajes pesados de inverno, adequados para o rigor daquela região montanhosa. A icônica e imponente farda de General da Shinra havia sido abandonada há muito tempo, substituída por roupas civis e confortáveis que apenas cumpriam o papel de mantê-lo aquecido.
— Eu sonhei com uma caverna úmida, escondida sob as formações rochosas... e um caixão antigo, cercado por uma névoa densa e escura. Acho que fica em algum ponto isolado nas montanhas próximas a Nibelheim. — Sephiroth suspirou de leve, aproximando a mão para acariciar o rosto dela com o dedo indicador. — Já faz alguns dias... que sonho com isso.
Inome ouviu cada palavra com atenção, o sono desaparecendo por completo à medida que processava a informação. Por fim, ela se sentou na cama improvisada, ajeitando as cobertas ao redor do corpo.
— E por que não me contou antes?
— Para acontecer mais de uma vez, é um sinal. — Sephiroth olhou fixamente para ela, mantendo o tom controlado. — Não achei que fosse relevante nas duas primeiras vezes. Pensei que fossem apenas sonhos comuns.
Inome bocejou, claramente cansada, e piscou tentando focar o rosto dele.
— Você quer ir lá?
— Sim — Sephiroth respondeu calmamente, já trazendo a mochila de viagem para mais perto e ajeitando as provisões de forma metódica. — Assim que você estiver desperta, desmontaremos a cabana.
Inome suspirou, deslizando para perto dele e o abraçando de lado em um protesto silencioso contra o frio e o sono.
— Mas agora...? Tá de noite, Seph.
Ele aceitou o abraço, mas seus olhos continuavam fixos nos suprimentos. Sabia que a insistência não era por capricho, mas pela necessidade de se mover antes que o rastro deles esfriasse de vez.
Durante esses quatro anos, a vida dos dois havia se resumido a esse estado de alerta constante. Usando seus conhecimentos avançados que aprendeu durante os anos de Shinra com tecnologia, Inome conseguiu vazar documentos internos de extrema gravidade. Utilizando redes de computadores civis e dezenas de PHS modificados — que eram sumariamente destruídos e descartados após cada uso —, ela expôs relatórios provando que o dinheiro público de Midgar era secretamente desviado para pesquisas de armas biológicas, gráficos reais sobre os efeitos colaterais severos e a infertilidade da terra ao redor dos reatores de Mako, e o acobertamento completo sobre a farsa de Nibelheim, escancarando que a corporação estava caçando seus próprios generais desertores para esconder a verdade.
A retaliação da Shinra foi imediata e violenta. O vazamento desses arquivos transformou o casal em alvos prioritários, gerando embates frequentes e arriscados contra pelotões inteiros de infantaria pesada nas estradas. Para sobreviver, a rotina mudou drasticamente. Eles passaram a escolher os lugares mais afastados, gélidos e inóspitos para montar acampamento, mantendo-se estritamente isolados de qualquer rede elétrica ou sinal de comunicação
Como já estavam acostumados com aquela rotina de fuga, não demorou nem trinta minutos para que tudo estivesse desmontado e guardado. Logo, os dois já seguiam caminho abaixo pela encosta da montanha gélida, deixando o abrigo para trás.
O silêncio da caminhada sob a noite escura era quebrado apenas pelo som dos passos esmagando a neve. Enquanto avançavam, Inome olhava para o horizonte, lembrando-se vagamente dos amigos.
— Eu às vezes sinto saudade dos rapazes... — ela suspirou, sua barriga roncando de fome logo em seguida, cortando o clima sério.
Sephiroth concordou com a cabeça, olhando-a de canto com sua habitual postura contida, mas com uma suavidade que só mostrava a ela.
— Sim. A ausência deles é... perceptível — ele escolheu as palavras com aquele seu jeito compassado, quase formal, mas genuíno. — O período com a Vanguarda foi um bom momento.
Inome parou repentinamente no meio do caminho, pressionando a mão contra a barriga enquanto o rosto empalidecia de súbito.
— Aaahh... com licença... — ela conseguiu balbuciar, desviando do rastro na neve e correndo em direção à pedra mais próxima.
Ela se apoiou na rocha gélida e se curvou, o corpo inteiro contraindo-se em espasmos violentos enquanto vomitava. Era uma náusea profunda, daquelas que surgiam do absoluto nada, sem aviso prévio, deixando-a trêmula e completamente sem fôlego sob o ar frio da noite.
Sephiroth parou imediatamente, acompanhando cada movimento dela com o olhar. Ele deu alguns passos na direção dela, esperando com uma paciência silenciosa, e soltou um suspiro baixo enquanto a via tentar se recuperar do mal-estar repentino.
— Assim que descermos, vamos fritar um peixe e comer — ele disse de forma calma, observando-a com atenção. — Você dormiu cedo hoje. Às oito da noite.
— Sim... eu dormi. — Ela ergueu o olhar, puxando um pequeno pano do bolso para limpar a boca antes de pegar o cantil e tomar um gole longo de água, tentando espantar o gosto amargo que havia ficado.
Sephiroth a observava de perto, a testa franzida de leve em uma linha de preocupação que ele não tentou esconder.
— Você comeu pouco — ele pontuou, a voz mansa, mas firme, dando um passo na direção dela para garantir que ela não perderia o equilíbrio na neve. — Deveria ter esperado o jantar.
— Subir a montanha me deixou cansada. — Inome sorriu de leve, envolvendo o braço no dele e voltando a andar, puxando-o sutilmente consigo para continuar a descida.
Sephiroth cedeu ao movimento, adaptando o ritmo dos seus passos longos ao dela, mas a expressão séria não deixou seu rosto.
— Você precisa estar alimentada — ele insistiu, a preocupação moldando o tom de sua voz. — Ter força para continuarmos contra-atacando os ataques da Shinra e de seus pelotões de infantaria.
— Me dá um respiro, Seph — ela disse brincalhona. — Eu já fui acordada... tô descendo o barranco... e agora tô tomando bronca. — Ela deu um riso igualmente brincalhão, balançando a cabeça. 
Sephiroth deu uma risada baixa, achando graça do drama dela. Com o tempo e a convivência longe de toda a pressão da Shinra, ele tinha aprendido a se sentir genuinamente à vontade para expressar suas emoções, deixando as barreiras e a pose de soldado de lado quando estava a sós com ela. Ele a segurou mais firme pelo braço para ajudar no caminho escorregadio, deixando o tom rígido de lado. 
— Não é uma repreensão. É apenas... uma análise de riscos baseada no seu bem-estar — ele retrucou, mantendo o tom baixo enquanto a ajudava a desviar de uma raiz na neve. — Mas compreendo. Darei a trégua até chegarmos à base da montanha. 
Enquanto isso, a  picape utilitária estacionou com um solavanco em frente ao Sétimo Céu. A iluminação em neon do bar piscava fracamente na penumbra do Setor 7, contrastando com o silêncio da rua quentinha daquela noite. Cloud tentou abrir a porta do passageiro sozinho, reunindo o que restava de suas forças para manter a pose de um soldado ativa.
— Deixa comigo, parceiro... — ele murmurou, a voz quase sumindo, tentando sorrir como Zack faria enquanto firmava os pés no chão.
Mas assim que tentou colocar o peso do corpo na terra, as pernas simplesmente não responderam. O esgotamento extremo  finalmente cobrou o preço; seus olhos reviraram e ele desabou para a frente. Angeal, que já vigiava cada movimento do rapaz, moveu-se rápido e o amparou nos braços antes que ele batesse contra o solo.
Segurando o corpo magro e fragilizado de Cloud com facilidade, o veterano empurrou a porta de madeira da taverna com o ombro. O ranger barulhento chamou a atenção imediata do homem robusto e alto que limpava o balcão. Barret Wallace ergueu o olhar, cerrando o cenho ao ver a cena.
— Mas que diabos é isso, Angeal? — a voz estrondosa de Barret ecoou pelo ambiente quase vazio. — Quem é o espetinho de Mako aí nos teus braços? E que porra de espada gigante é essa?
— É o garoto que eu estava procurando, Barret — Angeal explicou, limpando o suor da testa e olhando para o grandalhão com seriedade. — O recruta que sobreviveu aos experimentos de Hojo. O corpo dele simplesmente colapsou pelo cansaço e pelos ferimentos.
Barret cruzou os braços, bufando pelo nariz enquanto olhava para o rosto pálido de Cloud, mas a hostilidade inicial cedeu lugar à preocupação bruta que tentava esconder.
— O moleque parece que foi atropelado por um trem. Tem certeza que ele é seguro aqui?
— Ele passou por um inferno, Barret. A mente dele está confusa... ele acha que é outra pessoa — Angeal desabafou, o semblante pesado. — Mas ele é só uma vítima daqueles malditos. Vou levar ele lá para cima, pro meu quarto. Me arruma um pouco de água limpa e alguns curativos para eu cuidar desses ferimentos até a febre baixar. Ele não vai ser um problema, eu garanto.
Dito isso, Angeal ajeitou o corpo desacordado de Cloud nos braços e seguiu em direção à escada de madeira que dava para os quartos no segundo andar da taverna, deixando Barret resmungando enquanto ia atrás dos mantimentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário ajuda muito com a continuação da história!! Não deixe de comentar :)