Assim que pisou os pés em Hawkins. Judith Hopper procurou pela praça central de Hawkins. Seus olhos eram curiosos, certeiros, analisando pessoa por pessoa… Ela retirou uma pequena foto do bolso. Era Michael Wheeler jovem.
Quanto mais procurou, mais parecia eterno essa tal busca… Até que, ela vê um homem de certa idade sentado no banco, de costas. Ela se aproxima com certo receio, mas confiante. Assim que ficou numa distância que considerou boa, disse em bom tom:
– Mike….? – E esperou a resposta do homem mais velho.
Já o homem mais velho, travou. A voz parecia similar e distante ao mesmo tempo. Ele estava alucinando? Estava sonhando acordado? O que era isso? E assim, decidiu se virar, com medo? Por que? Seus olhos se encontraram com o de Judith. Ele sentiu o ar escapar, o coração tropicar.
– On? O-On….? Eu estou vendo uma miragem? – Os olhos se encheram de lágrimas. Sentiu seu fim.
– Não. Sou Judith. Filha da Jane. – Deu um sorriso reconfortante, se aproximando mais do banco e se sentando ao lado dele. – Vim à pedido da minha mãe. Mike.
Mike analisava ela de baixo acima… Ela é tão similar à sua mãe, mas tão diferente…. - Então ela casou? — Ele pensou, ao notar os olhos azuis de tom claro. Mas o cabelo preto contrastava com o rosto escrito da Onze. Era quase uma cópia perfeita.
– Ah-A… Prazer! – Ele estendeu a mão de prontidão. – Então… Então ela conseguiu fugir? Ela está bem? – Perguntou afobado, mas suspirou profundamente, tentando manter a calma. Como assim o amor da sua vida estava viva? Sua teoria das três cachoeiras era real? Ela conseguiu?
– Mike, calma. – Judith apoiou a mão no ombro dele gentilmente, mantendo a expressão calma-séria. – Ela mandou eu te entregar essa carta. Aqui tem todas as respostas que você precisa. — Por fim, a jovem retirou um envelope amarelado do bolso e entregou a ele. Mike pegou o envelope incrédulo. Tinha seu nome, tinha o de Jane. Ele pensou em abrir, os dedos tremeram sobre o lacre amarelado, mas hesitou. O peso daquelas respostas era grande demais para o barulho da praça; ele precisava do silêncio do seu escritório.
— Obrigado, senhorita….? – Ele estendeu a mão.
– Judith. – Ela o cumprimentou. — Vai ser bom conhecer você. Minha mãe disse apenas coisas boas.
Mike a cumprimentou de volta, dando um sorriso quase que triste. Não era forçado, mas era aliviado e ao mesmo tempo doloroso.
– Você está bem, senhor Wheeler? – Judith perguntou notando a expressão confusa dele. Seus olhos seguindo seu rosto.
– Me chame de Mike, Judith. Para você, sou Mike também. É…. – A mente ia para outro lado do mundo, as três cachoeiras… – Bom! Você quer ir para minha casa? Acredito que seja melhor que conversar aqui na praça.
Judith se levantou de prontidão, ajeitando seu vestido. Ela parou os olhos em Micheal de novo.
– Vamos. Aposto que tem muito o que me mostrar lá, também. Mamãe comentou sobre seu RPG de mesa. – Ela deu um sorriso gentil, talvez até cínico? Era difícil de ler. A jovem era perspicaz… ou talvez queria respostas das próprias dúvidas que ela tinha.
– Hm… – Ele sorriu, sofrendo de novo. – A On te contou sobre isso, também? – Ele limpou os olhos sem lágrimas, talvez o baque estava vindo assombrá- lo de novo. Mas se manteve forte. Era uma fagulha de esperança na sua frente. Não se pode deixar escapar.
– Mamãe me contou sobre muitas coisas… Mas eu prometi à ela que antes de tudo, você leria essa carta. – Apontou para o bolso dele, antes de subir o olhar.
– Certo…. Vamos. Tem pessoas que você vai gostar de conhecer em casa, também.
Assim os dois foram. A casa já não era a mesma. Tinham se mudado depois da morte de Karen e Ted.
Mike abriu a porta calmamente, sinalizando que havia chegado. Os dois ouviram da cozinha a música “I think We’re Alone Now” de Tiffany, sendo tocada. Holly canta junto e de brinde, tem um cheiro bem gostoso de bolo de chocolate sendo preparado.
O som da música era mesclado com o som de video game. Um menininho de cabelos loiros jogando God of War em seu PlayStation 3.
– E aí, pivetinho! – Mike passou por ele, bagunçando seu cabelo. O menino balançou a cabeça, ajeitando o cabelo.
– Tio Miiiiiiiikeeeeeeee! Eu vou perder a lutaaaa! – Ele resmungou com vontade, apertando mais os botões do controle.
Judith começou a prestar atenção na dinâmica familiar, enquanto seguia Mike até a cozinha.
– Hollyzinha! Que cheiro bom. Esse bolo sai pra agora? – Sorriu animado, se apoiando no balcão da cozinha com as mãos.
– Que esfomeado que você é, Mike! Ainda temos que jant… — Sua frase foi cortada quando os olhos cruzaram os de Judith. A mão foi ao peito. Parece que viu um fantasma. – Onze?! VIVA?
Judith deu um sorriso curto, negando com a cabeça. – Judith. Filha da Jane.
– C-Caramba.. Nem meu filho parece assim comigo. – Disse incrédula. Mas sorriu.
– Essa veio de mensageira. A On me deixou uma carta… – Ele tirou a carta do bolso. Holly se aproximou dele, analisando a carta friamente, e afastou o rosto.
– Quem diria Mike… Seus livros com as história do Paladino e da Maga se tornaram reais….
Isso clicou na mente de Judith, que sorriu, mas ficou quieta. Apenas observando a dinâmica dos irmãos.
O papo ocorreu de maneira natural naquela noite de jantar. Holly perguntando sobre a vida de Judith e Judith dando seu melhor para não revelar os fatos lá, enquanto Erick fala de videogame com seu tio Mike.
Quando a noite caiu e Judith foi dormir no quarto de visita, Mike pegou a carta, se sentou em seu escritório e a leu.
“Para o grande amor da minha vida, Mike Wheeler.
Se essa carta chegou até você, significa que minha filha te encontrou. Significa que ela está em sua casa.. Não me esqueço o quão cuidadoso você é…
Mike, sei que é chocante você ver uma filha minha… Eu tentei seguir em frente, pelo meu próprio bem… Mas é difícil, sabe? Você nunca saiu e nunca sai da minha cabeça.
A Judith é fruto do meu antigo casamento. Aqui no vilarejo. Você acredita, meu amor? Eu encontrei as três cachoeiras… Nosso lugar prometido. Eu contei os dias, Mike. Como a gente fazia. Parei de contar depois de muitos anos, quando os números ficaram grandes demais... mas nunca parei de querer você aqui comigo. Todas as noites, cada segundo que o relógio marcava. Todo o momento.
Seguir em frente doeu mais do que ficar estagnada, sabe. Meu coração sempre é seu. Eu tentei ter uma vida normal. Só não tive uma grande festa de igreja. Esse sonho é apenas reservado para você. Para nosso casamento. Eu ainda penso nisso, sabia?
Mandei Judith ao seu encontro para ela entender minhas raízes que nunca saíram do meu coração: Você e Hawkins.
Te peço para que cuide bem da minha pimpolhinha. Para que do mesmo amor que você cuidou de mim, use para ensiná la sobre meu, sobre nosso passado.
Eu te amo, Mike Wheeler. Do fundo, o mais profundo do meu coração.
Por favor, se cuide. E fica bem.
Com amor, Jane Hopper Carter. Sua eterna amante.”
Quando acabou de ler, Mike se acabou em lágrimas. Ela estava bem… Ela alcançou aquele desejo que ele tinha pros dois… E agora? O que seria dele? O que seria desse sentimento de perda?
Mike adormeceu na escrivaninha do escritório, de tanto chorar. Chorou a noite inteira, abraçou a carta como se fosse a própria Onze. Era uma destruição feita de conforto, de certezas de 20 anos atrás que o assombraram ao longo desses anos.
CONTINUA


O final do capítulo me emocionou... Gostei, vou continuar lendo!
ResponderExcluirKudos 🖤
Obrigada meu amor! ❤️
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