Depois do jantar, Mike se encontrou com Judith em seu escritório. Ele passou aquela tarde nervoso, receoso, pensativo. O dia foi um sofrimento… O mesmo sentimento de quando ele viu Jane pela última vez, naquele portal.
– Fica à vontade, Judith. – Ele disse puxando uma cadeira para si e uma para ela. Se sentando na cadeira. Ele juntou as mãos em nervosismo, a olhando.
– Obrigada, Mike. – Judith se sentou logo depois, olhando para ele. Ela se ajeitou na cadeira e ajeitou os cabelos, também.
– Como… Como isso tudo aconteceu? Você pode me contar? – Falou ansioso, quase tropeçando nas próprias palavras. Era a fagulha de esperança que o segurava.
– Você quer saber o que exatamente…? – Judith perguntou. A mesma sequer sabendo por onde começaria toda aquela saga de sua vida e por consequência, de sua mãe, Jane.
– Do começo! Até o momento que você soube de mim… Da gente… Do nosso amor… — Ele sorriu fraco. O mesmo amor que ardia seu coração, doía de saudades.
— Bom… Quando mamãe encontrou as três cachoeiras… que na verdade eram duas! Ela foi acolhida pelo meu pai. Ele viu ela perdida lá…. E decidiu ajudá- la.
– E ai?! O que aconteceu depois disso? – Ele ansiava por mais, quase que como se fosse o jogador de uma campanha de rpg, mas neste momento, uma história verídica.
– Mamãe contou que eles foram se aproximando e ela foi tentando se integrar no vilarejo… E assim ela acabou engravidando de mim. Quando eu era bem nova, lembro que fomos nós três para a livraria…
– E….? E?!??! – Disse animado, quase pulando da cadeira. Revisitar o passado de sua amada era reconfortante de alguma forma.
Judith sorriu. — Ela encontrou seu livro. Os contos da Maga e do Paladino: 365 dias de busca pelo amor perdido. Não só ele, mas uma coleção inteira dos seus que tinha lá. Ela lia para mim… Lia para si. E eu via nos olhos dela, era como se ela visitasse uma memória antiga. Meu pai dizia que era um jeito dela lidar com o luto. – A jovem deu de ombros. — Mas naquele ponto, eu já sabia a verdade.
– Luto… que luto? – Perguntou confuso, coçando a própria nuca.
– Mamãe mentiu sobre suas origens. Meu pai era um ex militar. Ela sentia segurança nele, mas medo. Não queria se prejudicar e nem prejudicar vocês. Disse que era órfã, tinha vindo de Montauk, para lidar com o luto, longe da realidade que a assombrava… – Disse calmamente, suspirando.
– É… faz sentido. Mas seu pai nunca desconfiou disso? — Perguntou preocupado com Eleven. Ele tentava visualizar o rosto dela. Como ela estaria aos 39 anos?
— Não… Mamãe foi sempre perspicaz…. Ela só chorava sozinha… Até que um dia eu peguei ela chorando, num banco afastado do vilarejo. O Pai havia me deixado lá em casa, já que ele ia sair pra pescar.. E mamãe não estava em casa. — Continuou contando calmamente, revisitando as memórias.
– E ai!? Foi quando você ficou sabendo de mim? – Ele sorriu em esperança. — Ela chorava de saudades? – Os olhos já marejados, sentindo a dor da Jane. A saudade que apertou e aperta seu peito aos 20 anos.
– Uhum. Eu questionei o porque ela se escondia e chorava tanto. Ela me fez prometer que eu jamais contaria ao meu pai… e então contou de você… Disse que era o amor da vida dela. Me contou toda a história de vocês… desde o dia que vocês se viram na chuva, quando ela fugia. Mamãe me dizia que foi um encontro de almas. E que a alma dela ficou aqui com a sua.
Foi como tomar uma facada e essa faca ser torcida. Mike não pode conter as lágrimas, começando a chorar. Seus ombros se encolheram, enquanto ele abaixou a cabeça.
– Então… Ela nunca me esqueceu.
– Mike, eu te conheci, antes mesmo de te conhecer. Ela lia suas histórias… ela dizia que era o autor favorito dela… Ela sempre me disse que tinha uma conexão com o autor, mesmo antes de eu saber da história de vocês…
Mike ouvia calmamente, chorando mais e mais com cada palavra. Ele completou: — Eu também nunca esqueci a On… Eu nem consegui seguir em frente direito sem ela… Todo meu futuro, nossa casa, nossos filhos, um gato e um cachorro… tudo é com ela, e eu não consegui formar nada sem ela… — Ele disse soluçando em palavras, o choro pesado, tão pesado quanto seu coração.
— Eu entendo, Mike… Vocês dois fizeram o possível para lidar com a distância. Você escreveu seus livros e contou a história de vocês como se fosse uma campanha.. e mamãe tentou se mesclar com o pessoal do vilarejo, para não viver sozinha e afastada.
Judith se levantou da cadeira, indo abraçá-lo, em forma de conforto. Ele abraçou Judith de volta, chorando mais ainda. Até o abraço era similar, esse abraço confortável, familiar. Naquela noite, os dois se confortaram em memórias distantes do passado de cada um. Era doloroso, mas necessário.
CONTINUA.








Ambos foram mt fortes em seguir em frente... Eu não conseguiria me casar e ter filhos depois de tudo :(
ResponderExcluirKudos 🖤
É uma situaçao delicada ne? :T
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