segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Hawkins: Untold Memories - Capítulo 3: O Que os Livros Não Contam

 





Depois do jantar, Mike se encontrou com Judith em seu escritório. Ele passou aquela tarde nervoso, receoso, pensativo. O dia foi um sofrimento… O mesmo sentimento de quando ele viu Jane pela última vez, naquele portal.

– Fica à vontade, Judith. – Ele disse puxando uma cadeira para si e uma para ela. Se sentando na cadeira. Ele juntou as mãos em nervosismo, a olhando.

– Obrigada, Mike. – Judith se sentou logo depois, olhando para ele. Ela se ajeitou na cadeira e ajeitou os cabelos, também.

– Como… Como isso tudo aconteceu? Você pode me contar? – Falou ansioso, quase tropeçando nas próprias palavras. Era a fagulha de esperança que o segurava.

– Você quer saber o que exatamente…? – Judith perguntou. A mesma sequer sabendo por onde começaria toda aquela saga de sua vida e por consequência, de sua mãe, Jane.


– Do começo! Até o momento que você soube de mim… Da gente… Do nosso amor… — Ele sorriu fraco. O mesmo amor que ardia seu coração, doía de saudades.


— Bom… Quando mamãe encontrou as três cachoeiras… que na verdade eram duas! Ela foi acolhida pelo meu pai. Ele viu ela perdida lá…. E decidiu ajudá- la.

– E ai?! O que aconteceu depois disso? – Ele ansiava por mais, quase que como se fosse o jogador de uma campanha de rpg, mas neste momento, uma história verídica.

– Mamãe contou que eles foram se aproximando e ela foi tentando se integrar no vilarejo… E assim ela acabou engravidando de mim. Quando eu era bem nova, lembro que fomos nós três para a livraria…

– E….? E?!??! – Disse animado, quase pulando da cadeira. Revisitar o passado de sua amada era reconfortante de alguma forma.

Judith sorriu. — Ela encontrou seu livro. Os contos da Maga e do Paladino: 365 dias de busca pelo amor perdido. Não só ele, mas uma coleção inteira dos seus que tinha lá. Ela lia para mim… Lia para si. E eu via nos olhos dela, era como se ela visitasse uma memória antiga. Meu pai dizia que era um jeito dela lidar com o luto. – A jovem deu de ombros. — Mas naquele ponto, eu já sabia a verdade.

– Luto… que luto? – Perguntou confuso, coçando a própria nuca.

– Mamãe mentiu sobre suas origens. Meu pai era um ex militar. Ela sentia segurança nele, mas medo. Não queria se prejudicar e nem prejudicar vocês. Disse que era órfã, tinha vindo de Montauk, para lidar com o luto, longe da realidade que a assombrava… – Disse calmamente, suspirando.

– É… faz sentido. Mas seu pai nunca desconfiou disso? — Perguntou preocupado com Eleven. Ele tentava visualizar o rosto dela. Como ela estaria aos 39 anos?


— Não… Mamãe foi sempre perspicaz…. Ela só chorava sozinha… Até que um dia eu peguei ela chorando, num banco afastado do vilarejo. O Pai havia me deixado lá em casa, já que ele ia sair pra pescar.. E mamãe não estava em casa. — Continuou contando calmamente, revisitando as memórias.


– E ai!? Foi quando você ficou sabendo de mim? – Ele sorriu em esperança. — Ela chorava de saudades? – Os olhos já marejados, sentindo a dor da Jane. A saudade que apertou e aperta seu peito aos 20 anos.

– Uhum. Eu questionei o porque ela se escondia e chorava tanto. Ela me fez prometer que eu jamais contaria ao meu pai… e então contou de você… Disse que era o amor da vida dela. Me contou toda a história de vocês… desde o dia que vocês se viram na chuva, quando ela fugia. Mamãe me dizia que foi um encontro de almas. E que a alma dela ficou aqui com a sua. 

 
 


Foi como tomar uma facada e essa faca ser torcida. Mike não pode conter as lágrimas, começando a chorar. Seus ombros se encolheram, enquanto ele abaixou a cabeça.

– Então… Ela nunca me esqueceu.

– Mike, eu te conheci, antes mesmo de te conhecer. Ela lia suas histórias… ela dizia que era o autor favorito dela… Ela sempre me disse que tinha uma conexão com o autor, mesmo antes de eu saber da história de vocês…


Mike ouvia calmamente, chorando mais e mais com cada palavra. Ele completou: — Eu também nunca esqueci a On… Eu nem consegui seguir em frente direito sem ela… Todo meu futuro, nossa casa, nossos filhos, um gato e um cachorro… tudo é com ela, e eu não consegui formar nada sem ela… — Ele disse soluçando em palavras, o choro pesado, tão pesado quanto seu coração.  




— Eu entendo, Mike… Vocês dois fizeram o possível para lidar com a distância. Você escreveu seus livros e contou a história de vocês como se fosse uma campanha.. e mamãe tentou se mesclar com o pessoal do vilarejo, para não viver sozinha e afastada.

Judith se levantou da cadeira, indo abraçá-lo, em forma de conforto. Ele abraçou Judith de volta, chorando mais ainda. Até o abraço era similar, esse abraço confortável, familiar. Naquela noite, os dois se confortaram em memórias distantes do passado de cada um. Era doloroso, mas necessário. 
 



CONTINUA.

2 comentários:

  1. Ambos foram mt fortes em seguir em frente... Eu não conseguiria me casar e ter filhos depois de tudo :(
    Kudos 🖤

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